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Buriti ou miriti

Nome: Buriti ou miriti

Nome científico: Mauritia flexuosa L. f.

Família botânica: Arecaceae (Palmae)

Categoria:

Origem: Brasil

Características da planta: Palmeira geralmente com 25 a 50 metros de altura, porte elegante, estipe reto e simples. Folhas grandes, dispostas em leque. Flores de coloração amarela, reunidas em inflorescência do tipo cacho.

Fruto: Tipo drupa, globoso e alongado, com superfície revestida por escamas de coloração castanho-avermelhada brilhante. Polpa comestível, alaranjada, envolvendo uma semente globosa e dura.

Frutificação: Primavera a outono, dependendo da região.

Propagação: Semente

Os buritis e as veredas do Brasil central, imortalizados na obra literária de Guimarães Rosa, são parte indissociável dos chapadões recobertos pelos domínios do Cerrado. Testemunhos dessa realidade, espalhados pelo interior do país encontram-se localidades e vilarejos de nomes como Buritis Altos, Vereda do Buriti Pardo, Buriti Mirim, Vereda Funda, Bom Buriti, Vereda Grande, Buriti Comprido, Vereda da Vaca Preta, Buriti do Á, Vereda do Ouriço Cuim, Buriti Pintado, Veredas Mortas, Córrego do Buriti Comprido, entre tantos outros.

Palmeira de estipe elegante e ereto, encimado por folhas enormes e brilhantes, o buriti sempre se destaca na paisagem. Duas vezes ao ano, seus cachos carregam-se de flores: alguns abrigam as flores masculinas; outros, as femininas. Neles, percebe-se, claramente, os intrigantes frutos em formação. Suas folhagens, abertas em leque com a forma de estrelas, formam um copa arredondada, uniforme e linda.

Do buriti – “verde que afina e esveste, belimbeleza”, como diz o Riobaldo de Guimarães Rosa – já foi dito, e muitas vezes reafirmado, que se trata da mais bela palmeira existente.

Nas regiões onde ocorre, o buriti é a planta mais importante entre todas as outras, de onde as populações locais, herdeiras da sabedoria dos indígenas, aprenderam a retirar a parte essencial de seu sustento. São os sertanejo do Cerrado e os caboclos da Amazônia.

Os cachos, carregados de frutos, e as belas folhas espalmadas são apanhados no alto, cortados no talo com facão bem afiado para não machucar a palmeira. Em algumas localidades de Goiás conta-se que, depois de cortado o cacho, os coletores mais experientes pulam lá de cima, usando as largas palmas do buriti ajeitadas como se fossem um pára-quedas, pousando suavemente na água.

Coco de muitos usos

Dos frutos do buriti – um coquinho amarronzado que, quando jovem, possui duas escamas que vão escurecendo à medida que amadurecem – aproveita-se a polpa amarelo-ouro, altamente nutritiva, que envolve o caroço do fruto. Para extraí-la é preciso, antes, amolecer as escamas por imersão em água morna ou abafamento. Com ela são preparados os doces e outros subprodutos tradicionais: o doce de cortar, com sua cor morena, embalado em caixinhas de delicada marcenaria, totalmente confeccionadas com a madeira leve do próprio buriti; a farinha obtida da parte interna do estipe da palmeira; as raspas produzidas pela polpa do fruto desidratada ao sol; a paçoca, que é uma mistura das raspas com um pouco de farinha de mandioca com rapadura. A polpa pode ser também congelada, sendo utilizada praticamente da mesma forma que a polpa fresca. Com ela produzem-se diferentes tipos de sorvetes, cremes, geléias, licores e vitaminas de sabores exóticos e alta concentração de vitaminas A e C, invenções e descobertas modernas, muitas delas desenvolvidas nos centros de pesquisa da Embrapa.

De acordo com estudos realizados na Universidade de Campinas (Unicamp) em conjunto com a Embrapa, a polpa do buriti apresenta um dos mais altos teores de vitamina A encontrados naturalmente na biodiversidade brasileira. Dela extraí-se um óleo de cor vermelho-sanguíneo que é comestível e também riquíssimo em vitamina A, utilizado, popularmente, contra queimaduras, de efeito aliviador e cicatrizante.

Também comestível e saboroso é o palmito extraído do broto terminal da planta. Seu estipe fornece, por incisão, uma seiva adocicada que, além de matar a sede, contém 93% de sacarose; assim, quando fermentado, esse líquido transforma-se no chamado “vinho de buriti”.

Com as folhas maiores ou palhas do buriti faz-se de tudo, desde coberturas para o teto das habitações até o tapiti de espremer massa de amndioca, o paneiro de carregar todo tipo de fruta, além de uma variedade de cestos, balaios, esteiras, redes de dormir, cordas e abanos. Por fim, de sua madeira leve e fácil de trabalhar, faz-se uma infinidade de objetos e utensílios: desde caixas, gaiolas e móveis até brinquedos e miniaturas, como os que são oferecidos como pagamento de promessas na festa do Círio de Nazaré em Belém do Pará.

Foto: Viagem & Sabor

Veredas com buritis

Por onde passa um rio, riacho ou ribeirão, em suas margens, em meio ao Cerrado e nos lavrados das campinas de Boa Vista em Roraima (enclaves de vegetação semelhante à do Brasil central em meio à floresta tropical) florescem as matas de galeria e, nelas, os buritis. Um pouco além dessas matas, ladeando-as, vêem-se veredas bem marcadas, com suas areias claras e vegetação rasteira. Na relva densa e rica das veredas, destaca-se majestosamente o buriti. São terrenos de várzea e brejos, de solo fofo e úmido, recobertos por extensos buritizais que escondem, por entre seus meandros, as águas correntes. E, por onde passam, são as águas que carregam e espalham a sementes da palmeira buriti.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas