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Fruta – Camu-camu

Nome da fruta: Camu-camu

Nome científico: Myrciaria dubia (Kunth) McVaugh

Família botânica: Myrtaceae

Categoria:

Origem: Brasil – região amazônica

Características da planta: Arbusto geralmente com 3 metros de altura, caule de casca lisa. Folhas lisas, avermelhadas quando jovens e verdes posteriormente. Flores alvas, aromáticas, reunidas em inflorescências.

Fruto: Tipo baga, arredondado, de coloração avermelhada quando jovem  e roxo-escura quando maduro. Polpa aquosa envolvendo a semente de coloração esverdeada.

Frutificação: Janeiro a março

Propagação: Semente

Fruto de planta nativa da Amazônia, o camu-camu cresce em arbustos ou pequenas árvores, estando disperso por quase toda a região. Pode ser encontrado, invariavelmente, nas várzeas amazônicas, à beira dos igarapés, rios ou em regiões permanentemente alagadas, onde a parte inferior de seu caule pode ficar imersa.

A área de distribuição natural do camu-camu estende-se pelos estados do Pará, parte do Amazonas, Rondônia, Roraima e Maranhão. As maiores ocorrências da fruta, no entanto, encontram-se na Amazônia peruana.

Aliás, camu-camu é a denominação da fruta no Peru, enquanto nas proximidades de Manaus e na Amazônia brasileira ela é conhecida como caçari. Em Rondônia, é também chamada de araça-d’água e, no Maranhão, de crista-de-galo.

Os frutos do camu-camu são pequenas esferas do tamanho de cerejas, de casca mais resistente do que a da acerola, lembrando a jabuticaba, a cuja família também pertence. Sua casca, ao se romper na boca, deixa escapar o caldo da polpa ácida, que envolve as sementes. Os frutos do camu-camu têm uma cor avermelhada que, à medida que vão amadurecendo, passam a um roxo enegrecido.

Muitas vezes, as frutinhas são encontradas em tamanha quantidade que o colorido que dão à margem das águas amazônicas chama a atenção de qualquer pessoa. Em Roraima, onde ela pode ser encontrada em profusão, há até mesmo um bairro da cidade de Boa Vista que tomou emprestado da fruta o nome Caçari.

Desde 1980, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) vem estudando o camu-camu ou caçari. De acordo com os resultados obtidos nesses experimentos, a fruta apresenta grande valor nutritivo e, em especial, possui uma altíssima concentração de vitamina C, ou ácido ascórbico. Sua polpa posui vitamina C em quantidade 65 vezes maior que a polpa do limão, 13 vezes a do caju e 1 vez e meia a da acerola.

Atulmente, os estudas do INPA já apresentam resultados concretos que permitem orientar comercialmente o cultivo da planta, tornando-a mais produtiva e resistente.

Apesar de tanta abundância, o caboclo amazônico ainda não aprendeu a aproveitar toda generosidade do camu-camu. Quando muito, o camu-camu continua sendo utilizado como tira-gosto pelos pescadores nas longas horas em que permanecem à beira do rio, próximos aos arbustos repletos. Na pescaria, a fruta é também usada como isca para o tambaqui, um dos melhores e mais comuns peixes amazônicos. Consta, justamente, que são os peixes os principais dispersores das sementes do camu-camu.

Atualmente, ainda é na Amazônia peruana que a fruta é mais utilizada. Pouco consumido ao natural, por ser bastante ácido, apesar de doce, o camu-camu é a fruta preferida para o preparo de sucos, refrescos, sorvetes, picolés, geléias, doces ou licores, além de acrescentar sabor e cor a diferentes tipos de tortas e sobremesas à base de outras frutas.

Em todos os casos, a casca deve ser acrescentada com a polpa suculenta da fruta, pois é ela que concentra a maior parte de seus teores nutritivos e carrega sua bonita e atraente coloração vermelho-arroxeada. De fato, o suco do camu-camu tem a bonita cor vermelho-sanguíneo, bem mais encarnada e forte que de qualquer outra fruta.

O camu-camu é uma espécie tipicamente silvestre, mas com um grande potencial econômico capaz de colocá-lo no mesmo nível de importância de outras frutíferas tradicionais da região amazônica, tais como o açaí e o cupuaçu.

Mas não é apenas ali que o camu-camu tem futuro: em São Paulo, no Vale do Ribeira, região de mangues e de clima quente e úmido, semelhante ao da Amazônia, a planta já começou a ser cultivada com sucesso. O mercado consumidor externo também já está de olho nas propriedades vitamínicas da planta, cuja polpa de pura vitamina C natural pode ser utilizada na produção de suplementos alimentares em tabletes.