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Fruta – Caraguatá

Nome da fruta: Caraguatá

Nome científico: Bromelia antiacantha Bertol.

Família Botânica: Bromeliaceae

Categoria: Ácida

Origem: Brasil

Características da planta: Herbácea, terrestre, que forma estolões. Folhas numerosas, acuminadas, com bordas providas de espinhos rijos. Flores com pétalas alvas e sépalas roxas.

Fruto: Tipo baga, grande, oval. Polpa comestível de coloração amarelada, ácida.

Frutificação: Quase o ano todo.

Propagação: Semente e propagação vegetativa.

Composição por 100 g de parte comestível: Calorias, nutrimentos e minerais:

Calorias 51, Proteínas 0,6(g), Lipídios 0,1(g), Glicídios 13,5(g), Fibra 1,3(g), Cálcio 18(mg), Fósforo 16(mg), Ferro 2,6(mg)

Composição por 100 g de parte comestível: Vitaminas:

Vitamina B1 0,04(mg), Vitamina B2 0,04(mg), Niacina 0,5(mg), Vitamina C 33(mg)

O caraguatá vislumbra-se um espetáculo único de transformação, em que, de cor em cor, lenta e pacientemente, a bromélia vai-se metamorfoseando para criar belas flores e, logo mais, frutos.

O processo inicia-se com a planta inteiramente verde, uma moita quase sem caule e cheia de espinhos. Como ela se reproduz em touceiras que vão se multiplicando uma ao lado da outra, em geral forma-se um aglomerado verde que se torna intransponível.

Então, a primeira surpresa para aqueles que pensam tratar-se apenas de uma moita espinhenta qualquer: as folhas internas da planta começam a alaranjar-se e, depois, a avermelhar-se. Nesse momento começam a dar as caras as belas flores do caraguatá. Aos poucos, elas vão se revelando brancas como flocos de neve, em pequenos cálices; em seguida, começam a surgir algumas pétalas roxas, que logo tomam todo o cacho. Em breve, tem-se um belíssimo buquê, localizado exatamente no centro da planta. Enquanto isso, as folhas avermelhan-se cada vez mais, atraindo nuvens de insetos polinizadores.

À medida que cada uma das florzinhas vai-se transformando em fruto, chegando a mais de 100 por cacho, que vão se inchando e se espremendo, a planta volta a ficar verde. O espectador pode pensar que o espetáculo está terminado, mas engana-se novamente.

O ato final, a maturação do fruto, ainda reserva mais uma surpresa: a sua casca, de verde que era vai se amarelando para dar seguimento à sua última transformação e chegar à coloração laranja, viva e brilhante dos caraguatás maduros.

Será praticamente impossível que o espectador não se sinta tentado a provar do fruto, o que, entretanto, será uma decepção. Ácido, ele queimará impiedosamente a boca incauta, como se avisasse que os prazeres chegaram ao fim. Talvez seja dessa característica que derive o nome “caruá-atã”, palavra que, em língua indígena tupi, significa duro, forte.

Mas não é preciso se render: com paciência e coragem para retirar os frutos do meio dos espinhos, o caraguatá poderá ser tranquilamente apreciado na forma de suco, doce ou licor. Também, por outros motivos, o esforço terá sido válido, pois o fruto é bastante prezado na medicina popular, sendo utilizado como base para xaropes contra tosse, asma e bronquite.

O caraguatá é apenas uma das cerca de 1,5 mil espécies de bromélias que, estima-se, existem no Brasil. Dessas, mais de mil são nativas, espalhando-se por toda a área de ocorrência de Mata Atlântica, além de outras regiões de vegetação tropical semelhante.

Seu parente mais famoso talvez seja o abacaxi, que provém de uma moita muito semelhante à do caraguatá, porém sem apresentar o espetáculo festivo das cores em transformação.

Os espinhos existentes nas folhas de caraguatá, assim como em outras plantas da mesma família, têm também outros usos. Os indígenas nativos costumavam utilizá-los como agulhas ou alfinetes, Com os quais costuravam redes, bolsas e vestes.

Hoje em dia, dando-se mais valor à beleza da planta aproveitando-se da força de seus espinhos, utilizam-se conjuntos de caraguatá alinhados no paisagismo de jardins e parques, com o objetivo de formar cercas vivas.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas