Category Archives: Famílias botânicas

Frutas – Família das Passifloráceas

Frutas – Família das Passifloráceas

Os frutos das flores-da-paixão

A maioria das plantas da grande e variada família das Passifloráceas, que abarca 17 gêneros e 575 espécies diferentes, são originárias das regiões de climas tropicais e subtropicais temperados. Os maracujazeiros sãos os mais conhecidos frutos pertencentes à essa família.

Trata-se de plantas nativas das regiões da América tropical, do quente e úmido útero amazônico. Assim como os seu frutos e flores, eles já eram muito conhecidos e utilizados no continente, antes da chegada dos primeiros europeus. Estes, como não poderia deixar de ser, desde logo se encantaram com a exuberância da planta, com a beleza de suas flores e com as propriedades e o sabor de seus frutos.

Curiosa é a história que acompanha o nome dado pelos europeus a essa planta trepadeira nativa: “passifloras“, “flores-da-paixão” ou “passion fruits” em inglês, como são mais conhecidas essas frutas na maior parte do mundo.

Segundo Clara Inés Olaya, os missionários estrangeiros, em seu afã religioso de conquista, viram nessas flores e em seus frutos muito mais do que beleza e perfume. Na formação complexa e admirável daquelas flores, os religiosos teriam visto um verdadeiro presente de Deus para iluminar o árduo trabalho de catequese das populações locais: as cores e as formas exóticas das flores daquela planta tornaram-se a metáfora perfeita para explicar aos “infiéis indígenas a truculenta história da Paixão de Cristo”.

Em primeiro lugar, as cores com que a natureza premiou as belas flores do maracujá foram associadas ao vermelho e ao roxo das vestimentas sacras usadas nos rituais cristãos da Semana Santa. Além das cores, a coroa floral, completamente filigranada dos maracujás, transformou-se na própria imagem da coroa de espinhos com que Cristo foi crucificado: os três estigmas da flor passaram a ser os cravos que prenderam o filho de Deus na cruz; as cinco anteras estariam representando as cinco chagas de Cristo; e as gavinhas eram vistas como os açoites que o martirizaram. Para finalizar, culminando com a bela transformação da flor, simbolicamente descrita, a forma arredondada do fruto passou a ser a perfeita representação do mundo que o Cristo veio redimir.

Desde então, as flores dos maracujazeiros e de outras plantas trepadeiras da mesma família comeram a ser chamadas de flores-da-paixão e seus frutos, por extensão, de frutos-da-paixão: da Paixão de Cristo.

Como flores ou frutos-da-paixão, os maracujás – o nome com que foi batizado em língua indígena – são também objeto de grandes paixões pessoais. Contam-se casos de colecionadores capazes de estudá-las, obsessivamente e de cultivá-las mesmo nas condições climáticas mais adversas, mantenfo estufas e complicados equipamentos, só para preservar o prazer proporcionado pela abertura suave e delicada das flores, exóticas e únicas.

Além das espécies de maracujá cultivadas comercialmente, existem centenas de outras espécies silvestre da fruta, dispersa por ambiente, climas e solos extremamente diversificados, por todo o continente. No Brasil, em tal condição, podem ser encontradas diferentes variedades de plantas da família das Passifloráceas espalhadas por florestas e matas, de norte a sul, desde a Amazônia até o Cerrado, passando pelas áreas de florestas e restingas de toda a Costa Atlântica.

Algumas dessas variedades, desconhecidas dos mercados internacionais e das grandes cidades, são cultivadas exclusivamente em pomares caseiros e em estações experimentais, apresentando uma imensa variedade e delicadeza de sabores e aromas.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

Frutas – Família das Palmáceas

Frutas – Família das Palmáceas

A grande família das palmeiras

As palmeiras são plantas carregadas de graça e beleza: um único estipe lenhoso ou falso tronco, em geral retilíneo, às vezes liso e às vezes repleto de espinhos, é finalizado por palmas e folhas abertas em leque, espalmadas ou espalhadas, mas sempre orientadas para o alto. Elas têm o céu como sentido e guardam uma aparência altiva.

Algumas variedades de palmeiras nascem em touceiras – como o açaí – que nada mais são do que ramificações que ocorrem na base da planta, gerando distintas palmeiras.

O Brasil é pródigo em palmeiras, possuindo um ambiente nativo repleto de vasta variedade de exemplares da família das Palmáceas. São milhares de palmeiras com suas folhagens em leque, a maioria delas descrita pelo cientista botânico F. C. Hoehne no capítulo denominado “Da inocência das palmeiras” , parte da obra Plantas e Substâncias Vegetais Tóxicas e Medicinas.

Para o cientista é fácil explicar por que, para os nativos, esta é a terra das palmeiras ou Pindorama, em língua indígena. “O nome Pindorama fica bem a um país onde os palmares abundam. O aborígene assim apelidava o nordeste e o norte do Brasil, porque é nessa parte que sorriem as carnaubeiras, babaçus, coqueiros, piaçavas, licurizeiros.”

Para muitos outros, no entanto, fica difícil opinar se as maiores qualidades das palmeiras consistem na exuberância e na beleza da estrutura de porte elegante e ornamental, ou na importância das infinitas utilidades que oferecem para a vida da humanidade.

As palmeiras estão por toda a parte. De maneira geral, são rapidamente reconhecidas em meio à mata fechada das florestas tropicais, seja na Amazônia, seja nas áreas remanescentes da Mata Atlântica; e, mais ainda, quando despontam pelas planícies das regiões abertas do Cerrado. Podem ser encontradas nas praias e nos terrenos brejosos, nas beiras dos rios, lagoas e igarapés, isoladas ou em agrupamentos, confundindo-se umas com as outras. Destacam-se, também, nas paisagens secas do semi-árido nordestino, na Caatinga.

Embora sejam nativas das regiões tropicais e subtropicais, “no decorrer de milhões de anos as palmeiras adaptaram-se às condições as mais variadas do clima e do solo“, como afirma Gregório Bondar no seu elogio às palmeiras. Essa adaptabilidade das palmeiras faz com que possam ser encontradas, hoje, em todas as regiões do globo.

Lembra o botânico, também, que, embora “a maioria delas tenha prosperado no clima equatorial quente e úmido (…) várias outras suportam prolongados estios dando-se bem no clima árido, semidesértico; e outras ainda saíram do cinturão tropical, suportando temperatura abaixo de zero“.

Quanto ao solo, ainda segundo o autor, as palmeiras também demonstram grande flexibilidade e adaptabilidade, crescendo tanto em solos bons, próprios para agricultura, como em “solos ácidos, silicosos, estéreis, nos quais nenhuma planta econômica cultivada poderia medrar” e “nos brejos ou nos rochedos secos, sem solo decomposto algum”.

Entre as 2650 espécies de plantas da família das Palmáceas existentes, distribuídas entre cerca de 200 gêneros distintos, mais de 400 ocorrem no Brasil e menos de 100 produzem frutos comestíveis. E apenas algumas delas são apreciadas por tais frutos, alcançando alguma importância econômica. Apesar disso, em geral os frutos das palmeiras, ou melhor, suas amêndoas, fazem parte da dieta alimentar das populações nativas onde quer que ocorram.

Entre as numerosas palmeiras utilíssimas ao homem brasileiro, umas são, de fato, mais importante do que outras – tais como o coqueiro-da-baía, o buriti, o dendê, a carnaúba, a juçara e o açaí, por exemplo – que superam em qualidades as demais. Porém, pode-se dizer com segurança que, na maioria das vezes, entre todas as plantas da família das Palmáceas, quase nada se perde.

Fonte: Livro frutas Brasil Frutas

Frutas – Família das Mirtáceas

Frutas – Família das Mirtáceas

Aromáticas e saborosas

Da família das Mirtáceas provêm algumas das mais brasileiras e saborosas entre todas as frutas dessa terra pródiga de aromas e frutos: jabuticabas, cambucis, pitangas, cambucás, gabirobas, cambuís, araçás, goiabas, grumixamas, guabijus, jambos, uvaias, entre tantas outras.

Nativas das regiões tropicais e subtropicais, apenas algumas delas ocorrem em áreas temperadas, como é o caso do eucalipto, nativo da Austrália. As Mirtáceas constituem mais de 4600 espécies de árvores e arbustos de grande variedade, sendo a maioria encontrada em terras brasileiras. São poucas, no entanto, as que produzem frutos aproveitados comercialmente.

As Mirtáceas são plantas especialmente importantes em toda a região da Mata Atlântica, tanto nas matas de altitude e nas Serras como nas Matas Pluviais e Costeiras que, originalmente, margeavam toda a Costa Atlântica brasileira. Em virtude da diversidade de espécies e variedades existentes e pelo grande número de exemplares ocorrentes, são também fundamentais na preservação das áreas remanescentes desse bioma.

As árvores pertencentes a família das Mirtáceas são plantas encontradas geralmente à sombra, mas que se adaptam bem ao sol, desde que nas proximidades da água.

Uma de suas principais características, importante elemento de reconhecimento da espécie, é a troca permanente da casca do tronco, quase sempre fina e delicada. Desprendendo-se em lascas e deixando grandes manchas claras por toda a extensão, seu tronco e galhos têm uma bela aparência mesclada de diferentes tonalidades de marrom e verde, o que confere às árvores bonito aspecto.

As folhas aromáticas guardam uma profunda fragrância da essência do fruto como em poucas outras plantas, e as flores, frequentemente hermafroditas e delicadas, são também muito perfumadas.

Em geral, são árvores muito ornamentais e bem formadas, de médio porte ou arbustivas, cujos frutos são também de tamanho singelo.

Mas é pela delícia, doçura e abundância dos frutos, no entanto, que as Mirtáceas atraem os humanos, aves, insetos e outros animais em profusão. Também por esses motivos elas nunca faltaram nos pomares daqueles que são apaixonados pelas frutas brasileiras, sempre presentes nos matos e nos quintais, matando a sede, a fome e a vontade de ter algo na boca.

Pode-se dizer, com segurança, que pertencem a família das Mirtáceas as frutas da memória da infância interiorana e antiga do Brasil, especialmente na região Sudeste e por toda a Costa Atlântica. Como observa Câmara Cascudo, saudoso de sua própria infância, “as crianças têm uma vocação descobridora das fruteiras em maturação: comem mais frutos do que os adultos. (…) “Certas frutas parecem privativas da meninice!”

As Mirtáceas sabem disso.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas