Arquivos da categoria: Fruta do conde

Fruta – Fruta-do-conde ou Pinha

Nome da fruta: Fruta-do-conde ou Pinha

Nome científico: Annona squamosa L.

Família botânica: Anonaceae

Categoria: Semiácida

Origem: América tropical

Características da planta: Árvore de 5 a 8 metros de altura, tronco ramificado desde a base, casca castanho-acinzentada. Folhas verde-escuras, lisas na parte superior e com pêlos na parte inferior. Flores creme-amareladas, isoladas ou em grupos de quatro.

Fruto: Tipo baga, quase esférico ou cordiforme, até 12 cm de diâmetro, recoberto por escamas carnosas, esverdeado enquanto jovem e verde-amarelado quando maduro. Polpa branco-amarelada, carnosa, macia, adocicada, aromática, envolvendo numerosas sementes.

Frutificação: Verão e durante o ano todo nas áreas irrigadas do Nordeste brasileiro.

Propagação: Vegetativa ou por semente

Assim que aportaram no Novo Mundo, no fim do século XV e início do XVI, os europeus depararam com uma grande variedade de plantas e frutos que antes lhe eram totalmente desconhecidos. Era costume dos povos que habitavam  o continente recepcionar os visitantes com o oferecimento de alimentos e objetos considerados especiais, como as frutas nativas, de delicado sabor e notórias qualidades nutritivas.

Segundo Clara Inés Olaya, foi assim que os espanhóis puderam provar, pela primeira vez, os frutos das Anonáceas americanas. E, provavelmente, essa descoberta ocorreu em alguma ilha paradisíaca do mar do Caribe.


De acordo com os registros dos viajantes, foi ali, também, que eles aprenderam a identificar esses frutos pelo nome de “anón“. Essa palavra, originária da língua indígena taína, era usada para designar uma determinada variedade de fruta nativa que, mais tarde, ficou conhecida como “el manjar blanco de los espanoles”.

O “anón” descrito pelos navegantes do século XVI nasce em arvoretas, tem cor verde-escura, textura escamosa e verrugosa. Quando maduro, ao contrário do que sua aparência agressiva pode fazer crer, a fruta abre-se em gomos facilmente, bastando, para isso, um leve aperto. Aberta, ela oferece uma polpa branca como nata, suave e cremosa que se desmancha na boca. Essa polpa envolve várias sementes negras, compridas e duras, lisas e brilhantes. Verdadeiro manjar branco!

Essa descrição corresponde, precisamente, à do fruto da Annona squamosa.

Hoje, de acordo com a região do Brasil, esse “anón” espanhol tem vários nomes em português: pode ser ata, no Norte e no Nordeste do país, no interior de São Paulo e em parte de Minas Gerais; pode ser araticum, no Rio Grande do Sul e também  em Minas Gerais; ou, então, na Bahia, pode ser fruta-do-conde ou pinha.


Embora não seja nativa do país, de todas as Anonáceas esta é a mais conhecida e a mais facilmente encontrada nas feiras livres e supermercados brasileiros.

De fato, a introdução dessa fruta no Brasil tem datas históricas precisas: segundo Pio Corrêa, na Bahia corria o ano de 1626, quando o conde de Miranda plantou a primeira árvore dessa variedade; e já em 1811 quando um agrônomo francês a introduziu no Rio de Janeiro, a pedido do rei D. João VI.

Estima-se, no entanto, que algumas variedades silvestres da fruta, originárias das Antilhas, deslocaram-se também até atingir a região amazônica, transformando-se em espécies subsespontâneas antes mesmo da chegada dos europeus.

Atualmente, também em virtude de tantas andanças, seja como ata, pinha ou fruta-do conde, ela é cultivada em todo o Brasil em pomares comerciais e domésticos, desde o Norte até as regiões mais altas do estado de São Paulo. Porém, as frutas à venda nos grandes centros do país são, em geral, provenientes de plantações nas áreas irrigadas do São Francisco, na Bahia, em especial na região de irecê, sendo possível encontrá-las durante todo ano.


A polpa, doce e quase sem acidez, é macia e saborosamente perfumada, além  de conter boa quantidade de açúcares e vitaminas C e B, importantes no metabolismo das proteínas, carboidratos e gorduras. De sabor delicioso, a fruta-do-conde é basicamente consumida ao natural, mas sua polpa presta-se muito bem como ingrediente no preparo de refrescos e sucos, cremes doces, sorvetes e musses.

A fruta-do-conde possui as vitaminas B1, B2, B5 e C. Sais minerais: cálcio, ferro e fósforo.

A fruta é uma boa fonte de proteínas. Quando está madura é recomendada para pessoas com anemia, desnutridas e com deficiência intelectual (ou mental). 100 gramas da fruta possuem 128 mg de vitamina C.

Medicina popular, indicações para a fruta-do-conde

Câibras

Preparar um chá das folhas sob a forma de infusão e aplicar no local afetado.

Convulsões

Fazer chá das folhas sob a forma de infusão e tomar de 1 a 2 xícaras por dia.

Tônico para fortalecer o intestino e o estômago e evitar a desnutrição

Tomar duas xícaras  (chá) das folhas da fruta-do-conde por dia, ou ingerir o fruto maduro de 1 a 2 vezes ao dia.

Fontes: Livros Frutas Brasil Frutas e As 50 Frutas e seus Benefícios Medicinais