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Fruta – Jabuticaba-branca

Nome da fruta: Jabuticaba-branca

Nome científico: Myrciaria aureana Mattos

Família botânica: Myrtaceae

Categoria:

Origem: Brasil – Mata Atlântica

Características da planta: Árvore geralmente com 3 metros de altura, tronco com casca amarelada, ramos cilíndricos e terminais com pilosidade cinza-amarelada. Folhas lanceoladas, cartáceas, brilhantes, lisas na face superior e esparsamente pilosas na inferior. Flores de coloração alva, cálice esverdeado, aglomeradas nos caules e ramos.

Fruto: Tipo drupa, globosos, casca de coloração amarelo-esverdeada ou branco esverdeada, esparsamente pilosa, quando maduro. Polpa aquosa, ácida e adocicada que envolve as sementes levemente amareladas.

Frutificação: Verão

Propagação: Semente

A jabuticaba-branca não é branca, é verde; tão verde que sua árvore chega a ser conhecida como “aquela cujos frutos nunca amadurecem”. Amadurecem, sim, e tanto que já estão quase no final da vida, à beira da extinção. Não fosse o esforço de um grupo restrito de pessoas que decidiram dar nova chance à espécie, distribuindo centenas de mudas da planta para aqueles que se dispuseram a servir de guardiões dessa delícia quase esquecida.

Durante mais de dez anos, Silvestre Silva procurou exemplares dessa rara jabuticabeira para fotografar seus frutos. Encontradas com muito esforço nas proximidades da cidade de Guararema, no interior de São Paulo, junto com Flávio Carvalho Ferraz, Silvestre coletou boa quantidade da safra de três antigos pés da fruta ali existentes. Cuidadosamente preparadas por Dona Aparecida Ferraz, no sombreado pomar de sua residência no sul de Minas Gerais, as sementes se transformaram em disputadíssimas mudas, logo após a história ter sido divulgada no jornal Folha de S. Paulo, na metade da década de 1990.

Agora, para provar a fruta, é preciso esperar que as plantas espalhadas por diversos locais – desde cidades vizinhas à metrópole paulistana, a bairros centrais da cidade, até condomínios próximos a Belo Horizonte (MG), fazendas na Serra da Mantiqueira ou em quintais do litoral norte paulista – cresçam e reiniciem seu ciclo reprodutivo.

Por enquanto, quase só se pode falar da jabuticaba-branca como uma lembrança doce e remota do passado. Ainda no início do século 20, embora sempre em discreta quantidade, a jabuticaba-branca estava difundida por todo o Estado do Rio de Janeiro e em parte de São Paulo e de Minas Gerais, nos domínios da Mata Atlântica.

Costumava também habitar pomares e quintais caseiros, amedrontando meninos que, segundo relatos, a julgavam venenosa por seu aspecto exótico: ao contrário das demais frutas de pomar mais conhecidas, a misteriosa casca verde-clara levemente ondulada da jabuticaba-branca nunca mudava de cor.

Frutos sempre verdes

Assim como as jabuticabas e os cambucás, seus parentes da família das Mirtáceas, esses frutos encontram-se grudados aos trocos e galhos da pequena árvore, de belas folhas compridas e bem desenhadas. Juntas, aglomeradas como se estivessem se protegendo contra a devastação, as jabuticabas-brancas parecem ter mais força para lutar contra o esquecimento.

Mas aqueles que se atreviam a provar as jabuticabas-brancas davam-se com uma grata surpresa: a consistência mesma da polpa suculenta da jabuticaba, mas de um sabor mais suave e perfumado como de poucas frutas. Outros, entretanto, encontravam razões distintas para consumir a pequena fruta: nos tempos passados, era um santo remédio contra a asma e a diarréia, sendo também utilizada no tratamento auxiliar das afecções que acometiam os doentes em tempos de tuberculose. Segundo o escritor Hernâni Donato, para os cantores e românticos, a jabuticaba-branca era um conforto e um afago para a garganta, propícia companhia em noite de serenata.

Tudo isso muito antes de a planta ter sido batizada no Instituto de Botânica de São Paulo, em 1962, com o curioso nome de Myrciaria aureana. Mas, entre o branco e o áureo, a fruta permanece sempre verde, na eterna esperança de prosseguir existindo.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

Fruta – Cherimólia

Nome da fruta: Cherimólia

Nome científico: Annona cherimola Mill.

Família botânica: Annonaceae

Categoria:

Origem: Andes Equatorianos, Peru e Chile.

Características da planta: Árvore de pequeno porte. Folhas grandes, ovais que caem nos períodos mais secos do ano. Flores grandes, creme-esverdeadas.

Fruto: Tipo composto denominado pseudosoroses, constituído por bagas reunidas em torno da raque, formando um cone ou “pinha” muito característico das anonas. Coloração verde-esverdeada a verde-escura. Polpa comestível, adocicada, mucilaginosa, creme-amarelada, envolvendo muitas sementes.

Frutificação: Durante o ano todo, predominantemente no verão.

Propagação: Semente e enxertia

Não são poucos os que opinam ser a cherimólia a melhor de todas as frutas. Julgam-na incomparável, infinitamente superior aos seus parentes da família das Anonáceas. E não se trata de frutas pouco apreciadas: entre elas, estão a fruta-do-conde, a graviola e a pinha. Além do sabor, a cherimólia tem a vantagem de superá-las em outros quesitos como, por exemplo, o fato de ter menos sementes, de não rachar e de se conservar por mais tempo, suportando, inclusive, o transporte por longas distâncias.

Por entre as montanhas pedregosas da Cordilheira dos Andes, por entre cidades talhadas nas pedras e casas rústicas repousando nos vales, surgiu e proliferou-se a cherimólia. Desde muito cedo, foi apreciada e reverenciada. Segundo Clara Inés Olaya, povos pré-incaicos já eram encantados pela fruta, consumindo-a, cultivando-a e cultuando-a em esculturas. Facilmente encontram-se vasilhas de cerâmica que reproduzem a forma e a textura da cherimólia em museus que abrigam traços da cultura material de civilizações americanas nativas dos séculos 14 a 7 a.C. Certamente, a casca da fruta faz jus à beleza desses objetos: fina, verde e áspera, é toda marcada em alto-relevo por saliências bastante harmônicas.

Sabe-se, também, que seu nome vem da língua quéchua, onde “chirimuya” significa “sementes frias”, uma referência à polpa suculenta, branca, fibrosa, na qual ficam distribuídas algumas grandes sementes pretas. A sua grande qualidade é, inegavelmente, o aroma e o sabor adocicado da polpa abundante, que prescinde de qualquer complemento.

A fruta ainda reserva uma outra surpresa àqueles que a admiram e apreciam o seu sabor: trata-se de um alimento balanceado, rico em proteínas, vitaminas, minerais e fibras, e com baixo teor de gordura.

Depois da chegada dos espanhóis ao continente americano, a cherimólia foi levada para a Europa e disseminou-se pelo mundo. Por vias tortuosas, atingiu o Brasil, onde hoje é bastante cultivada para fins comerciais, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste, tendo como centro de produção o município de São Bento do Sapucaí, na Serra da Mantiqueira, entre São Paulo e Minas Gerais.

Trata-se, no entanto, de cultivo que requer paciência e muitos cuidados: a árvore leva tempo para frutificar, sendo necessário ensacar e refrigerar cada um dos frutos destinados a comercialização.

Espécies silvestres

A forma e o tamanho das diferentes espécies silvestres de cherimólia encontradas são bastante variáveis. Seu peso médio é de cerca de 600 gramas, mas há frutos que chegam aos 5 kg, tornando-se até mesmo desproporcionais em relação ao tamanho da árvore delicada, de pequeno porte.

Nome da fruta: Atemóia

Nome científico: Cultivar de Annona cherimola Mill X A. squamosa L.

Origem: Flórida (EUA)

A partir do seu alastramento pelo mundo e da disseminação do cultivo comercial, surgiram inúmeros cultivares e variedades da cherimólia. Uma delas vem ganhando destaque: trata-se de um fruto híbrido conhecido como atemóia, cruzamento da cherimólia com a fruta-do-conde. No Brasil, hoje, é mais comum encontrar a atemóia à venda em feiras e mercados. Esta distingue-se facilmente de seu parente silvestre pela aparência externa, pois suas escamas parecem esculpidas em baixo-relevo, ao contrário da outra. Se a original já fazia estrondoso sucesso desde tempos remotos, vale a pena voltarmos os olhos para a recente produção dessa variedade, que em pouco tempo pode arrebatar o mundo.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

A história do Veludo

Nome da fruta – Veludo

Nome científico – Chomélia martiana Muell Arg.

Família botânica – Rubiaceae

Categoria

Origem – Brasil

Características da planta – arbusto armado de espinhos com até 6 metros de altura e ramos flexíveis. Tronco de casca fina e lisa. Folhas com pilosidade na parte inferior. Flores pequenas de coloração creme, aromáticas. Comestíveis também para a avifauna.

Fruto – Tipo drupa, globosa, superfície aveludada preta, polpa aquosa, adocicada envolvendo uma semente.

Frutificação – Verão

Propagação – Semente

A história do veludo

O veludo é fruto que se reveste de pêlos e de modéstia. Árvore simples e pequena, que raramente alcança mais de 8 metros de altura, tem na precisão do nome sua maior peculiaridade. As folhas, de um verde pálido, são aveludadas. Os frutos, de um verde que vai ganhando uma coloração creme ou então vermelha e depois negra, à medida que amadurecem, também são completamente cobertos de finos pêlos. Docinho, porém de pouca polpa, são comidos avidamente pelas aves, que disseminam com afinco sua única semente, de fácil germinação.

Os homens pouco se interessam pelo veludo, a não ser para utilização da madeira fácil de trabalhar de seu tronco curto e fino: os caules são tão finos que dobram sobre o próprio peso.

A planta, no conjunto, tem também qualidades ornamentais. Mas, mesmo nisso, a modéstia permanece como sua principal característica. Pelo tamanho reduzido do veludo, serve para arborizar ruas e canteiros no lugar de árvores mais frondosas, sendo também apropriada para locais nas proximidades de redes elétricas.

Frequente à beira dos rios, nas matas ciliares, encontra-se principalmente nas zonas de transição entre Mata Atlântica e o Cerrado. Da família das Rubiáceas, o veludo é parente esquecido de um fruto muito famoso e cobiçado: o café.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas