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Palmeira Juçara

Nome: Juçara

Nome científico: Euterpe edulis Mart.

Família botânica: Arecaceae (Palmae)

Categoria:

Origem: Brasil – Mata Atlântica

Características da planta: Palmeira de estipe simples, delgado e elegante, atingindo até 20 metros de altura. O estipe isolado difere a juçara do açaí (Euterpe oleracea Mart.), que forma touceiras. Folhas de coloração verde-escura, com até 1,5 de comprimento. Flores alvas, pequenas, agrupadas em cachos pendentes.

Fruto: Tipo baga, infrutescência em cachos que portam os frutos de forma globosa, de coloração verde-amarelada quando jovem e preta na maturação. Apresentam polpa comestível, para a avifauna, que envolve uma semente. Desta palmeira obtém-se o “palmito doce”, de consistência mole e sabor adocicado. O “palmito” é a parte de crescimento mais tenra e jovem, localizada na porção central do ápice da planta.

Frutificação: Quase o ano todo

Propagação: Semente. De crescimento lento, desenvolve-se bem em vários tipos de solo e clima, em locais sombreados.

Confia-se no pequeno fruto da juçara, negro como o seu primo açaí e muito parecido com ele, para salvar o futuro dessa espécie de Pálmacea nativa da Mata Atlântica e, atualmente, em risco de extinção. O motivo: é dessa planta que se retira o famoso palmito doce e, para cada pedaço de palmito aproveitado, é preciso abater a palmeira inteira.

Liso, de consistência mole e levemente adocicado, delícia de sabor suave e sofisticado, o palmito vem sendo extraído da natureza em grandes quantidades desde a primeira metade do século 20. E o Brasil sempre foi o mais importante fornecedor de palmito para o mundo.

Em pouco tempo, o palmito tornou-se o principal produto não madeirável explorado na Mata Atlântica. E, nas últimas décadas, a corrida para obtê-lo acabou acarretando uma extração predatória de uma velocidade jamais vista em outras espécies vegetais.

Em 1990, alarmada com a situação, a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo determinou a proibição da exploração não-sustentada do palmito doce. Embora essa ação tenha amenizado o problema, não foi suficiente para extingui-lo.

Clandestinamente, sobretudo durante a noite, os palmiteiros – como são chamados aqueles que fazem a coleta do palmito – continuam suas incursões nas matas preservadas, derrubando até 70 palmeiras de juçara em uma só jornada. Os feixes do caule são transportados para fábricas também clandestinas, onde os palmitos são descascados e cozidos, até o produto estar pronto para ser envasilhado.

Além de tudo, a extração predatória, como se pode presumir, é realizada em condições precárias, sem nenhum controle ou fiscalização sanitária.

Cada uma das belas palmeiras de juçara, que podem chegar a 20 metros de altura, prezadas também por suas qualidades ornamentais, gera em média 300 gramas de palmito, o equivalente a um vidro médio de conserva, desses mais habitualmente encontrados à venda.

Uma parte do palmito assim extraído é, também, vendido diretamente para restaurantes ou para os consumidores, na beira das estradas da região Sudeste. Muitas vezes, parte dessa coleta termina nas fábricas regularizadas, que agregam esses produtos mais baratos ao estoque colhido em áreas plantadas ou de manejo sustentável.

E de que forma o pequeno fruto da juçara poderia ajudar a remediar essa triste situação? Funcionando como fonte alternativa de renda para a população das regiões de ocorrência da palmeira, assim como acontece com o açaí para os cablocos amazônicos.

Nascendo em cachos abundantes e sendo extraído sem a necessidade de derrubar a palmeira, o pequeno fruto tem praticamente as mesmas propriedades do açaí e é, inclusive, ainda mais energético que seu parente amazônico. Quanto ao sabor, há quem diga que o suco dos coquinhos da juçara é melhor do que o seu parente amazônico. E com um rendimento excelente: cada 4 kg de fruto podem render 5 litros de suco, e cada palmeira produz mais de 10 kg por frutificação.

Assim, muito em breve sucos, sorvetes e compotas feitas com os cocos da juçara podem se tornar realidade no mercado brasileiro, ajudando, desse modo, a salvar a bela palmeira.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

Fruta – Sorva

Nome da fruta: Sorva

Nome científico: Couma utilis (Mart) Mull. Arg.

Família botânica: Apocynaceae

Categoria:

Origem: Região amazônica

Características da planta: Árvore geralmente com 20 metros de altura, copa ampla e densa. Possui látex abundante, leitoso e potável ao longo de toda a planta. Folhas rígidas, de coloração verde  e brilhante. Flores pequenas, reunidas em inflorescência, de coloração rósea.

Fruto: Tipo baga, globoso de coloração verde, passando a castanho-escura quando maduro, casca fina contendo suco leitoso e viscoso. Polpa mucilaginosa e coloração amarelada.

Frutificação: Dezembro a março

Propagação: Semente

As sorveiras são diversas e bastante comuns em toda a região amazônica, onde são frequentes, especialmente em terras dos estados do Amazonas, do Pará, do Amapá e de Rondônia, chegando até às Guianas, à Colômbia e ao Peru.

Encontram-se sorvas silvestres em meio à floresta densa de matas virgens, em terrenos alagados ou de terras firmes. Algumas variedades são espontâneas nos campos e campinas e em matas secundárias, sendo também cultivadas nos arredores de Manaus, Amazonas.

Os frutos das sorveiras, em todas as suas variedades, são do tamanho de limões e, no princípio, verdes, passando a uma cor parda e escura. Apesar de apresentarem um sabor adocicado e de se constituírem em alimento para as populações regionais, sendo consumidos ao natural ou como bebida refrigerante, os frutos da soveira não são os produtos que mais se aproveitam dessa árvore.

Retirado do pé por um processo semelhante ao da extração da seringueira, o látex da sorveira tem grande utilidade como matéria-prima industrial, em especial na fabricação de goma de mascar. Segundo Paulo Cavalcante, a exploração da sorva com essa finalidade e o seu comércio já foram muito intensos na floresta, tendo se reduzido bastante nas últimas décadas do século 20.

O látex da soveira pode, ainda, ser utilizado industrialmente na produção de outras gomas e de vernizes. Desde tempos longínquos, os povos indígenas da Amazônia sabem que, além das utilidades alimentícias, o látex da sorveira tem propriedades isolantes, sendo bastante resistente ao tempo e à umidade. Coagulado e misturado com outras substâncias, por exemplo, esse látex é muito empregado na calafetação das embarcações e caiação das paredes das habitações locais.

Leite vegetal

Do tronco das sorveiras é possível extrair boas quantidades de um látex espesso, branco e viscoso, que é comestível e de paladar adocicado. Esse látex pode ser ingerido puro ou misturado à farinha de mandioca. É costume, porém, utilizá-lo sempre diluído em água. Dessa forma, é usado como bebida em substituição ao leite da vaca, acrescido de café ou, ainda, como ingrediente no preparo de mingaus. Na floresta, por exemplo, o caboclo ou o seringueiro saem para a jornada de trabalho sem precisar levar qualquer alimento: sabem que ali encontraram as sorveiras com seu látex consistente, fornecendo alimento puro e natural. E é ali que o trabalhador local, habitante da terra, encontra parte importante de seu sustento diário.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

A história do achachairu

Nome da fruta: Achachairu

Nome científico: Garcinia intermedia (Pittier) Hammel

Família botânica: Clusiaceae (Guttiferae)

Categoria:

Origem: México e América Central

Características da planta: Árvore geralmente de até 6 metros de altura, com látex amarelo. Flores alvas, reunidas na axila das folhas.

Fruto: Tipo baga, globoso, amarelo-alaranjado. Polpa adocicada, muito aromática, envolvendo uma a duas sementes.

Frutificação: Duas a três vezes ao ano

Propagação: Semente

O achachairu é fruto humilde. Discreto em sua miudeza, permanece em pequenos grupos próximos à folhas verde-escuras da árvore de florzinhas brancas, mirradas, que quase não alcançam meio centímetro. O fruto, um pouco maior, chega no máximo a 2,5 cm de diâmetro. Ali, no meio da mata, o achachairu aguarda até que algum habitante da floresta, carente de alimento, o apanhe para se saciar com sua polpa esbranquiçada, de sabor agridoce e aroma agradável, mas de aspecto pouco atraente.

Mas, se o achachairu não for colhido por homem, mulher ou criança de passagem, não há problema, pois seus principais consumidores, na verdade, são outros. Talvez menos exigentes quanto à necessidade de atrativos e menos avessos ao líquido branco que a planta exsuda quando cortada ou partida, são os macacos e os pássaros que mais fazem uso do achachairu. Daí ser a planta conhecida também pelo nome de fruto-de-macaco.

Originário do México e da América Central, com maior frequência nas proximidades do Canal do Panamá, o achachairu espalha-se discretamente pelas florestas brasileiras de clima e vegetação semelhantes aos da região de origem da planta. Por aqui, o achachairu possui parentes bem mais conhecidos e aproveitados comercialmente, como o bacuri e o bacupari, também da família das Gutíferas.

Embora o achachairu não receba grandes atenções daqueles que o encontram pelo caminho, a fruta esforça-se para isso, revestindo-se das cores nacionais. O fruto, quando verde, é bem verde, verde-escuro. Quando amadurece, vai-se amarelando, até quase exatamente a cor de ouro predominante na nossa bandeira. Depois, o achachairu, ainda abandonado, vai desistindo dessa possível estratégia de atração, alaranjando-se até apodrecer.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas