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Fruta – Cajá

Nome da fruta: Cajá ou Taperebá

Nome científico: Spondias lutea L.

Família botânica: Anacardiaceae

Categoria:

Origem: África

Características da planta: Árvore geralmente com 20 metros de altura. Folhas grandes, compostas, aromáticas quando maceradas. Flores de coloração esbranquiçada, reunidas em inflorescências terminais.

Fruto: Tipo drupa, oval,  casca fina e lisa, amarela quando madura. Polpa comestível de coloração alaranjada, mole e sabor agridoce.

Frutificação: Quase o ano todo

Propagação: Semente

Discute-se, com frequência, a origem exata desta planta. Na região Norte do Brasil, onde a chamam de taperebá, acredita-se que seja originária da floresta amazônica. Já os nordestinos, que a conhecem por cajá, não a reinvindicam como nativa de suas terras, mas crêem que seja proveniente de alguma ilha do Oceano Pacífico. Na verdade, o cajá tem suas raízes na África, provavelmente tendo aqui chegado nos navios que também traziam as populações africanas escravizadas.

A partir de um ponto ou de outro, o certo é que a árvore se disseminou com facilidade pelo continente, estando hoje bem adaptada por quase todo o território brasileiro, norte da América do Sul, América Central, até o Sul da Flórida, e em regiões quentes de outros continentes, como a África e a Ásia.

Também conhecido como cajá-mirim no sul do Brasil, perente do umbu e da ciriguela, todos pertencentes à família das Anacardiáceas, o cajá é o fruto de uma árvore alta, que chega a ultrapassar os 20 metros de altura. Trata-se de uma árvore considerada de grande relevância na recuperação de áreas de vegetação degradada, por sua rusticidade, facilidade de disseminação e capacidade de atração da fauna.

A casca grossa de seu tronco, acinzentada e rugosa, permite-lhe aplicações em modelagem e xilogravuras.

Segundo Paloma Jorge Amado, outro nome da cajazeira é “ibametara”, nome indígena que significa “pau de fazer enfeite de beiço”. Isso porque ela era utlizada por certas tribos para fazer bodoques, aquelas rodelas usadas como adorno para o lábio inferior.

O fruto, de um amrelo que brilha a dourado – a verdadeira cor de oxum na definição de Zélia Gattai -, tem formato ovóide e varia bastante no tamanho. No sabor, talvez seja possível dizer que se aproxima ao da laranja, embora seja mais ácido.

São poucos, no Brasil, aqueles que nunca provaram o cajá em alguma de suas formas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.

Sua polpa ácida, saborosa e refrescante, costuma ser vendida já processada, ao natural ou congelada, sendo uma das mais procuradas para sucos em todo o país. O picolé de sabor cajá também é bastante prezado, sendo, inclusive, produzido e comercializado por grandes indústrias alimentícias.

Além de utilizada na aromatização da aguardente de cana, da fruta espremida e misturada com açúcar e cachaça e vodca, se obtém a caipirinha de cajá, bebida que tem alcançado cada dia mais apreciadores. Licores, geléias e compotas desfilam com igual valor em seu rol de derivados.

Diante dessa alta aprovação, surpreende que não haja no Brasil um produção comercial mais significativa de cajazeiras. Surpreende ainda mais se considerarmos que seu cultivo já é comum, desde tempos coloniais, e que a fruta é recebida com grande entusiasmo por consumidores estrangeiros, sobretudo europeus.

Fruta – Cambuci

Nome da fruta: Cambuci

Nome científico: Campomanesia phaea (O. Berg.) Landrum

Família botânica: Myrtaceae

Categoria:

Origem: Brasil – Mata Atlântica

Características da planta: Árvore geralmente com 8 metros de altura. Folhas pequenas e um pouco rígidas. Flores grandes de coloração alva.

Fruto: Tipo baga que mantém os restos do cálice da flor. Casca fina e lisa, de coloração verde, mesmo quando o fruto está maduro. Polpa aquosa, de sabor agridoce.

Frutificação: Janeiro a março

Propagação: Semente

O cambuci deveria ser fruta-símbolo de São paulo, e não apenas do bairro que leva seu nome. No entanto, grande parte da população da própria cidade onde ele nascia em abundância nem sequer suspeita de que o nome do bairro deriva do nome da fruta.

Originária específica e quase exclusivamente dos domínios da Mata Atlântica, nos contrafortes da Serra do Mar que chega à capital paulista, o cambucizeiro, em época de frutificação, polvilha o chão todos os dias com discos verdes repletos de polpa suculenta. Na região chegaram a existir verdadeiras matas de cambucizais.

A fruta, de casca finíssima e verde, guarda uma polpa sumarenta de sabor agradável e suave, mistura de limão e melão, um pouco adstringente. Assim que despenca do chão, ela está boa para ser consumida, desde que antes não seja fruída pelos pássaros, seus principais admiradores.

Planta da família das Mirtáceas, parente de tantas outras fruteiras silvestres brasileiras, o cambucizeiro é árvore que alcança 8 metros de altura. Com uma copa piramidal de aspecto elegante, ele é ideal para arborização de cidades, sobretudo em vias estreitas, dado o seu pequeno porte. A folhagem verde e brilhante é muito bonita, de efeito ornamental muito interessante. Além disso, é ideal para reflorestamento de áreas de vegetação degradada.

O suco preparado com a fruta batida com a fina casca – na verdade pouco mais do que uma simples película – é bastante apreciado e refrescante. Mas seu principal subproduto ainda é o sorvete, uma unanimidade entre especialistas. Eurico Teixeira afirma que se trata do melhor sorvete derivado de fruta que existe. Pena que não seja aproveitado industrialmente.

O cambuci pode, também, ser perfeitamente congelado inteiro, mantendo-se em condições de aproveitamento por longos períodos, como o fazem os felizes proprietários de árvores em produção.

Além desses usos, no início do século 20, em São Paulo, nenhuma outra fruta era tão utilizada quanto o cambuci para aromatizar, com deliciosa delicadeza, a cachaça. Ainda hoje pode-se utilizá-la espremida com açúcar e cachaça em caipirinhas de cambuci, verdadeiro luxo daqueles que possuem a árvore em seus pomares.

Apesar de sua qualidades, pouca atenção tem sido dada à árvore e a seu fruto. Antigamente tão frequente nas cidades do Sudeste e conhecido por todos os habitantes da região, o cambuci está se tornando cada vez mais um ilustre desconhecido. Ano após ano, o futuro do cambucizeiro funde-se mais ao da floresta que o abrigava: definham, tristemente, não mais povoando de frutos e folhas verdes um chão cada dia mais sem vida.

Mas ainda resta uma esperança: por suas qualidades e por seu sabor excepcionalmente ecléticos, o cambuci começa a ser utilizado na alta gastronomia. Recém-descoberta pelo chef de cozinha mineiro Matusalém Gonzaga, a fruta foi utilizada na confecção de um molho servido como acompanhamento para a delicada carne de tilápia, cuja receita foi vencedora do Ora-pro-Nobis – Festival Internacional da Gastronomia Mineira de Ouro Preto em 2004.

A forma da fruta

O formato de disco voador, em nada semelhante a qualquer outra fruta conhecida, é sua principal marca registrada. É razão também de seu nome: “cambuci”, para os indígenas da região, significava “recipiente” ou “vaso”, sendo o fruto uma perfeita reprodução dos vasilhames que eles utilizavam para guardar água.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas