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Frutas – Família das Mirtáceas

Frutas – Família das Mirtáceas

Aromáticas e saborosas

Da família das Mirtáceas provêm algumas das mais brasileiras e saborosas entre todas as frutas dessa terra pródiga de aromas e frutos: jabuticabas, cambucis, pitangas, cambucás, gabirobas, cambuís, araçás, goiabas, grumixamas, guabijus, jambos, uvaias, entre tantas outras.

Nativas das regiões tropicais e subtropicais, apenas algumas delas ocorrem em áreas temperadas, como é o caso do eucalipto, nativo da Austrália. As Mirtáceas constituem mais de 4600 espécies de árvores e arbustos de grande variedade, sendo a maioria encontrada em terras brasileiras. São poucas, no entanto, as que produzem frutos aproveitados comercialmente.

As Mirtáceas são plantas especialmente importantes em toda a região da Mata Atlântica, tanto nas matas de altitude e nas Serras como nas Matas Pluviais e Costeiras que, originalmente, margeavam toda a Costa Atlântica brasileira. Em virtude da diversidade de espécies e variedades existentes e pelo grande número de exemplares ocorrentes, são também fundamentais na preservação das áreas remanescentes desse bioma.

As árvores pertencentes a família das Mirtáceas são plantas encontradas geralmente à sombra, mas que se adaptam bem ao sol, desde que nas proximidades da água.

Uma de suas principais características, importante elemento de reconhecimento da espécie, é a troca permanente da casca do tronco, quase sempre fina e delicada. Desprendendo-se em lascas e deixando grandes manchas claras por toda a extensão, seu tronco e galhos têm uma bela aparência mesclada de diferentes tonalidades de marrom e verde, o que confere às árvores bonito aspecto.

As folhas aromáticas guardam uma profunda fragrância da essência do fruto como em poucas outras plantas, e as flores, frequentemente hermafroditas e delicadas, são também muito perfumadas.

Em geral, são árvores muito ornamentais e bem formadas, de médio porte ou arbustivas, cujos frutos são também de tamanho singelo.

Mas é pela delícia, doçura e abundância dos frutos, no entanto, que as Mirtáceas atraem os humanos, aves, insetos e outros animais em profusão. Também por esses motivos elas nunca faltaram nos pomares daqueles que são apaixonados pelas frutas brasileiras, sempre presentes nos matos e nos quintais, matando a sede, a fome e a vontade de ter algo na boca.

Pode-se dizer, com segurança, que pertencem a família das Mirtáceas as frutas da memória da infância interiorana e antiga do Brasil, especialmente na região Sudeste e por toda a Costa Atlântica. Como observa Câmara Cascudo, saudoso de sua própria infância, “as crianças têm uma vocação descobridora das fruteiras em maturação: comem mais frutos do que os adultos. (…) “Certas frutas parecem privativas da meninice!”

As Mirtáceas sabem disso.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

Fruta – Laranja-da-terra

Nome da fruta: Laranja-da-terra

Nome científico: Citrus aurantium L.

Família botânica: Rutaceae

Categoria:

Origem: Sudoeste Asiático

Características da planta: Árvore geralmente de até 5 metros de altura, copa densa. Folhas podendo atingir até 14 cm de comprimento, verde-escuras e brilhantes. Flores grandes, alvas, isoladas ou agrupadas nas axilas das folhas, muito aromáticas.

Fruto: Tipo hesperídio, globoso, de 7 a 8 cm de diâmetro, coloração amarelo-avermelhada, casca rugosa. Polpa ácida, envolvendo numerosas sementes.

Frutificação: Inverno

Propagação: Semente

Presume-se que, com o limão, a laranja-da-terra ou laranja-amarga tenha sido um dos primeiros frutos levados para as margens do Mediterrâneo a partir do seu local de origem na Ásia.

A laranja-da-terra é a variedade de laranja oficial e perfeita para o preparo de todos os tipos de doces. É ela, justamente, que possui a camada branca entre a casca e a polpa mais espessa, sendo por isso mesmo carnuda e de sabor mais ácido, e perfeitamente adequada para o preparo das diferentes compotas.

O mais tradicional doce brasileiro de laranja, além da laranjada de cortar, é feito com a casca da fruta inteira, dividida em seis pedaços, colocados em fina calda de açúcar, depois de muitas águas trocadas para a retirada de seu amargo natural. Esses pedaços de doce, depois, também podem ser cristalizados.

Fruta – Limão-siciliano

Nome da fruta: Limão-siciliano

Nome científico: Citrus limon (L) Burn.F.

Família botânica: Rutaceae

Categoria:

Origem: Índia

Características da planta: Árvore de pequeno porte, chegando a cerca de 6 metros de altura, ramificada desde a base, ramos armados de espinhos, copa arredondada. Folhas de coloração verde intenso, fortemente aromáticas quando maceradas. Flores pequenas, alvas a rosadas.

Fruto: Tipo hesperídio, globoso, ligeiramente alongado, às vezes pontiagudo nas extremidades, casca lisa ou ligeiramente áspera, de coloração verde na maturação. Polpa clara, ácida, envolvendo muitas sementes.

Frutificação: Inverno

Propagação: Enxertia

Quem quiser teimar em discordar está certamente no seu direito, mas este fruto amarelo e grande é o único verdadeiro limão. O nome científico, Citrus limon, está aí para prová-lo. Talvez fosse mais preciso substituir o adjetivo “verdadeiro” por “original”, uma vez que, provavelmente, foi deste limão que derivou o fruto verde e pouco menor para o qual no Brasil se atribui o nome de limão-taiti. Este, na verdade, é uma lima-ácida, mais próxima da lima-da-pérsia – uma lima doce – do que o próprio limão-siciliano.

Mas, se o primeiro nome é verdadeiro, essa fruta também carrega uma falsidade, pois o limão-siciliano não provém exatamente da Sicília, uma ilha localizada ao sul da Itália. Como esse é o nome pelo qual a fruta se tornou mais conhecida apenas no Brasil, é possível que tenha chegado por aqui pelas mãos de imigrantes italianos que a conheciam em sua terra natal.

O que se sabe com certeza, no entanto, é que sua origem, como a de todos os demais cítricos, é asiática. Tudo indica que foi só no século 12, muito tempo após o início de seu cultivo e de seu consumo, que o limão-siciliano foi levado para a Europa. E foi lá, sobretudo nas regiões no entorno do mar Mediterrâneo, que seu uso adquiriu incrível importância, talvez incomparavelmente maior do que o de qualquer outra fruta conhecida.

Na Europa e em muitas outras regiões do planeta, sobretudo nas zonas temperadas, faz-se do limão-siciliano tudo o que se faz no Brasil com o limão-taiti, e muito mais. Exceto, talvez, a caipirinha, marca registrada nacional. Como protagonista ou coadjuvante, em receitas elaboradas ou prosaicas, utilizado por completo, em raspas da casca ou em módicas gotas de suco, o limão-siciliano ganhou a culinária mundial.

Comparado ao limão-taiti, o limão-siciliano pode ser descrito como mais profundo e delicado, sendo o primeiro mais forte, azedo e poderoso do que o siciliano. Assim, apesar de substitutos um do outro em quase tudo, nas receitas é preciso observar as quantidades, que costumam ser superiores quando se trata do limão-siciliano.

No Brasil, a produção de limão-siciliano é praticamente insignificante, se comparada à do limão-taiti, sendo, em geral, mais voltada para a indústria de bebidas. Ele pode ser encontrado até com alguma facilidade em feiras e supermercados das regiões Sul e Sudeste, mas sempre a preços relativamente altos. Uma realidade, todavia, que pode estar mudando, uma vez que a demanda do mercado e a produção têm crescido velozmente nos últimos anos.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas