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A história do murici

Fruta murici cerrado

Nome da fruta: Murici

Nome científico: Byrsonima crassifolia (L.) Rich.

Família botânica: Malpighiaceae

Categoria:

Origem do murici –  Brasil – regiões Norte e Nordeste

Características do murici –  Árvore geralmente com 5 metro de altura, tronco cilíndrico, casca escura, áspera e copa estreita. Folhas verdes e rígidas. Flores de coloração alaranjada, aparecendo de janeiro a março.

Fruto do murici –  Tipo drupa, arredondado, de coloração alaranjada. Polpa carnosa e translúcida e sementes de coloração creme.

Frutificação do murici –  Outono

Propagação do murici – Semente

Os muricis do Brasil são muitos e variados, sendo plantas da família botânica das Malpiguiáceas, à qual também pertence a reputada e vitaminada acerola. Originárias das terras americanas, essas plantas podem ser encontradas por todo o continente e são designadas popularmente, em suas regiões, pelo mesmo nome genérico de murici.

Para demonstrar a grande dispersão dessa frutinha no Brasil, basta verificar a quantidade de localidades batizadas com o seu nome de Murici uma ponta a outra do território nacional. Apenas como exemplo, elas podem ser encontradas desde o Paraná, onde se localiza a Colônia Murici no município de São José dos Pinhais, até Alagoas, onde fica a Estação Ecológica de Murici, no município do mesmo nome, passando pelo município de Murici dos Portelas, no sertão do Piauí.

Grande parte dos muricis é espontânea em praticamente toda a Amazônia e nas áreas remanescentes de Mata Atlântica, onde espécies de porte arbustivo ou arbóreo podem ser encontrados em abundância. Na época da frutificação, a mata verde fica salpicada pelo amarelo da fruta. Mas os muricis não são exclusivos da floresta, sendo, alguns deles, frequentes nas regiões serranas do Sudeste, nos sertões nordestinos, nos cerrados de Mato Grosso e Goiás e no litoral das regiões Norte e Nordeste do país.

Em suas diferentes variedades, os muricis distinguem-se, também, pela coloração das flores e pelos locais onde preferem nascer. Entre tantos outros, podem ser listados: o murici-amarelo, o murici-branco, o murici-vermelho, o murici-de-flor-branca, o murici-de-flor-vermelha, o murici-de-flor-amarela, o murici-da-chapada, o murici-da-mata, o murici-da-serra, o murici-das-capoeiras, o murici-do-campo, o murici-do-brejo e o murici-da-praia.

Conhecido e muito utilizado pelos indígenas nativos desde bem antes da chegada dos europeus à América, tudo leva a crer que foi esse murici mais comum que o viajante Gabriel Soares de Souza encontrou pela primeira vez na Bahia, ainda na metade do século 16. Em sua descrição, ele informa que se tratava de árvore pequena e muito seca que, nascendo em terras fracas, fornecia frutos amarelos e moles, menores do que as cerejas, comestíveis e de sabor e cheiro semelhantes aos do “queijo de Alentejo”.

Entre as frutas regionais brasileiras que costumam aparecer nos pregões matinais dos vendedores ambulantes – em especial, nas capitais da região nordeste – este murici, certamente, tem um lugar de destaque. E, na época da frutificação, ele ocupa espaço equivalente ao destinado à venda de frutas tão importantes como a graviola, o jambo, o caju e a pitomba.

Renato Braga, citado por Pimentel  Gomes, faz uma referência as variadas utilidades que o brasileiro aprendeu a dar ao fruto do murici, muitas delas comuns desde tempos bastante remotos. De acordo com ele, no Nordeste, um dos usos mais comuns para o fruto do murici é o preparo de uma “gororoba muito rica em gorduras e de alto teor nutritivo conhecida como cambica de murici“. O fruto, quando amassado em água, desprende facilmente “a massa carnosa que, dissolvida, é misturada com farinha, adoçada ou não, constituindo-se em um dos recursos alimentares mais importantes para a pobreza dos tabuleiros praieiros“. Além disso, esse primeiro amassado, um pouco mais diluído em água e sem farinha, transofrma-se em gostoso refresco, sendo ingrediente para excelentes sorvetes e doces requintados.

A casca do fruto do murici é, em geral, rica em tanino, sendo costume utilizá-la em curtumes e com adstringente na medicina popular. Além do uso alimentar, os frutos carnosos são também usados no auxílio ao combate de diarréias e na aromatização de aguardentes de cana.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

Fruta – Araticum-do-cerrado ou Marolo

Nome da fruta: Araticum-do-serrado ou Marolo

Nome científico: Annona crassiflora Achott

Família botânica: Annonaceae

Categoria:

Origem: Brasil

Características da planta: Árvore de tamanho variável, geralmente atingindo até 7 metros de altura, de acordo com a disponibilidade de água no solo. Folhas rígidas, dispostas caracteristicamente intercaladas na posição horizontal ao longo dos ramos. Flores frequentemente carnosas, de coloração esverdeada ou branco-amarelada.

Fruto: Tipo drupa, reunidos em infrutescências globosas ou alongadas, com as sementes presas a uma polpa branca, aquosa e mole.

Frutificação: Final do verão

Propagação: Semente

Em língua indígena guarani, segundo Maria do Carmo Sanchonete, araticum significa “fruto mole”. E é assim que ficam esses frutos, de aparência áspera e rude, ao amadurecer: desmancham-se facilmente, como quase todos os seus parentes da família das Anonáceas.

Araticum é, também, de fato, a denominação mais comum para as variedades silvestres das frutas dessa família botânica, que podem ser encontradas por todo o continente americano que fala português. Na américa espanhola, no entanto, a denominação genérica mais comum para esses frutos é “anone” ou “anona”.

Ainda no século 16, à medida que os europeus foram conquistando as novas terras e embrenhando-se pelo continente americano encontraram outras variedades de frutas similares. Muito parecidas entre si, essas frutas, segundo Clara Inés Olaya, foram todas designadas pelos conquistadores por um mesmo nome indígena – “ánon”, que, originalmente, era usado pelos nativos para a fruta-do-conde, ata ou pinha – sem reconhecer as diferentes denominações que os povos indígenas lhes atribuíam. É possível imaginar que fatos semelhantes tenham ocorrido com várias outras frutas e, particularmente, com os frutos que hoje conhecemos como “araticum” por todo o Brasil.

O araticum-do-cerrado é mais um deles. Com essa denominação ele é conhecido na região central do país, nos domínios do cerrado que ele carrega junto com o nome. Como marolo, ele é conhecido no sul de Minas Gerais e como cabeça-de-negro no norte do estado, onde é nativo e espontâneo nos enclaves de campos cerrados existentes na região.

Com um ou outro nome, esse fruto de grande tamanho é conhecido e consumido pelas populações locais, sendo comercializado nas feiras e, em especial, nas beiras das estradas na época da frutificação, cujo final coincide com o período da Páscoa católica.

Com relação à qualidade da polpa, basicamente distinguem-se dois tipos de frutos de aroma bastante forte e característico: o araricum de polpa rosada, mais doce e mais macio, e o de polpa amarelada, não muito macio e um pouco ácido. Em ambos os casos, pesquisas recentes da Embrapa, das universidades de Campinas (Unicamp) e Federal de Mato Grosso (UFMT) têm detectado altos teores de vitaminas A e C na polpa desses frutos.

A coleta e a cultura do araticum, assim como de inúmeras outras fruteiras nativas do país, são consideradas excelentes opções para a melhoria da saúde e da dieta alimentar da população brasileira, de algumas regiões, agregando valor aos recursos naturais especialmente ameaçados, como é o Cerrado.

O processo de obtenção da polpa, que pode ser congelada, no entanto, é lento, manual e de pouco rendimento. Entre as frutas nativas brasileiras que ainda não se transformaram em espécies cultivadas, o araticum-do-cerrado é uma das que apresentam o maior índice de aproveitamento culinário.

Além do consumo ao natural, são inúmeras as receitas de doces que levam o sabor perfumado e forte de sua polpa, como o pudim e a queijadinha, acrescidas também pelos sabores de outras frutas. São também consumidos na forma líquida, em batidas e refrescos; em bolos, sorvetes e cremes; em geléias e gelatinas; compotas, doces em pasta e em calda, docinhos, em geral feitos artesanalmente. Destacam-se, porém, o especial licor de araticum e o doce de leite cortado em losangos, aromatizado com seu característico perfume, receita de família guardada a sete chaves pelas quitandeiras mineiras.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas