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Fruta – Laranja-da-terra

Nome da fruta: Laranja-da-terra

Nome científico: Citrus aurantium L.

Família botânica: Rutaceae

Categoria:

Origem: Sudoeste Asiático

Características da planta: Árvore geralmente de até 5 metros de altura, copa densa. Folhas podendo atingir até 14 cm de comprimento, verde-escuras e brilhantes. Flores grandes, alvas, isoladas ou agrupadas nas axilas das folhas, muito aromáticas.

Fruto: Tipo hesperídio, globoso, de 7 a 8 cm de diâmetro, coloração amarelo-avermelhada, casca rugosa. Polpa ácida, envolvendo numerosas sementes.

Frutificação: Inverno

Propagação: Semente

Presume-se que, com o limão, a laranja-da-terra ou laranja-amarga tenha sido um dos primeiros frutos levados para as margens do Mediterrâneo a partir do seu local de origem na Ásia.

A laranja-da-terra é a variedade de laranja oficial e perfeita para o preparo de todos os tipos de doces. É ela, justamente, que possui a camada branca entre a casca e a polpa mais espessa, sendo por isso mesmo carnuda e de sabor mais ácido, e perfeitamente adequada para o preparo das diferentes compotas.

O mais tradicional doce brasileiro de laranja, além da laranjada de cortar, é feito com a casca da fruta inteira, dividida em seis pedaços, colocados em fina calda de açúcar, depois de muitas águas trocadas para a retirada de seu amargo natural. Esses pedaços de doce, depois, também podem ser cristalizados.

Fruta – Cambuci

Nome da fruta: Cambuci

Nome científico: Campomanesia phaea (O. Berg.) Landrum

Família botânica: Myrtaceae

Categoria:

Origem: Brasil – Mata Atlântica

Características da planta: Árvore geralmente com 8 metros de altura. Folhas pequenas e um pouco rígidas. Flores grandes de coloração alva.

Fruto: Tipo baga que mantém os restos do cálice da flor. Casca fina e lisa, de coloração verde, mesmo quando o fruto está maduro. Polpa aquosa, de sabor agridoce.

Frutificação: Janeiro a março

Propagação: Semente

O cambuci deveria ser fruta-símbolo de São paulo, e não apenas do bairro que leva seu nome. No entanto, grande parte da população da própria cidade onde ele nascia em abundância nem sequer suspeita de que o nome do bairro deriva do nome da fruta.

Originária específica e quase exclusivamente dos domínios da Mata Atlântica, nos contrafortes da Serra do Mar que chega à capital paulista, o cambucizeiro, em época de frutificação, polvilha o chão todos os dias com discos verdes repletos de polpa suculenta. Na região chegaram a existir verdadeiras matas de cambucizais.

A fruta, de casca finíssima e verde, guarda uma polpa sumarenta de sabor agradável e suave, mistura de limão e melão, um pouco adstringente. Assim que despenca do chão, ela está boa para ser consumida, desde que antes não seja fruída pelos pássaros, seus principais admiradores.

Planta da família das Mirtáceas, parente de tantas outras fruteiras silvestres brasileiras, o cambucizeiro é árvore que alcança 8 metros de altura. Com uma copa piramidal de aspecto elegante, ele é ideal para arborização de cidades, sobretudo em vias estreitas, dado o seu pequeno porte. A folhagem verde e brilhante é muito bonita, de efeito ornamental muito interessante. Além disso, é ideal para reflorestamento de áreas de vegetação degradada.

O suco preparado com a fruta batida com a fina casca – na verdade pouco mais do que uma simples película – é bastante apreciado e refrescante. Mas seu principal subproduto ainda é o sorvete, uma unanimidade entre especialistas. Eurico Teixeira afirma que se trata do melhor sorvete derivado de fruta que existe. Pena que não seja aproveitado industrialmente.

O cambuci pode, também, ser perfeitamente congelado inteiro, mantendo-se em condições de aproveitamento por longos períodos, como o fazem os felizes proprietários de árvores em produção.

Além desses usos, no início do século 20, em São Paulo, nenhuma outra fruta era tão utilizada quanto o cambuci para aromatizar, com deliciosa delicadeza, a cachaça. Ainda hoje pode-se utilizá-la espremida com açúcar e cachaça em caipirinhas de cambuci, verdadeiro luxo daqueles que possuem a árvore em seus pomares.

Apesar de sua qualidades, pouca atenção tem sido dada à árvore e a seu fruto. Antigamente tão frequente nas cidades do Sudeste e conhecido por todos os habitantes da região, o cambuci está se tornando cada vez mais um ilustre desconhecido. Ano após ano, o futuro do cambucizeiro funde-se mais ao da floresta que o abrigava: definham, tristemente, não mais povoando de frutos e folhas verdes um chão cada dia mais sem vida.

Mas ainda resta uma esperança: por suas qualidades e por seu sabor excepcionalmente ecléticos, o cambuci começa a ser utilizado na alta gastronomia. Recém-descoberta pelo chef de cozinha mineiro Matusalém Gonzaga, a fruta foi utilizada na confecção de um molho servido como acompanhamento para a delicada carne de tilápia, cuja receita foi vencedora do Ora-pro-Nobis – Festival Internacional da Gastronomia Mineira de Ouro Preto em 2004.

A forma da fruta

O formato de disco voador, em nada semelhante a qualquer outra fruta conhecida, é sua principal marca registrada. É razão também de seu nome: “cambuci”, para os indígenas da região, significava “recipiente” ou “vaso”, sendo o fruto uma perfeita reprodução dos vasilhames que eles utilizavam para guardar água.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

Fruta – Limão-cravo

Nome da fruta: Limão-cravo

Nome científico: Citrus bigaradia Loisel.

Família botânica: Rutaceae

Categoria:

Características da planta: Árvore de pequeno porte, chegando a cerca de 5 metros de altura, copa arredondada. Folhas de coloração verde intenso e pecíolo alargado, fortemente aromáticas quando maceradas. Flores pequenas, alvas, aromáticas e melíferas.

Fruto: Tipo esperídio, globoso, ligeiramente achatado, casca de coloração verde-amarelada, amarela ou amarelo-avermelhada na maturação. Polpa ácida, amarga, envolvendo muitas sementes.

Frutificação: Inverno

Propagação: Enxertia

Entre os cítricos, não há árvore mais resistente do que a do limão-cravo. Não foi à toa, portanto, que ela difundiu-se com mais facilidade e velocidade por todos os recantos da América, assim que a família dos frutos cítricos foi trazida da Europa.

Agora, quase não há rincão, quintal ou km silvestre deste continente em que não haja – ou em que não tenha havido um dia – pelo menos um limoeiro-cravo. Proveniente da Ásia, talvez seja a árvore exótica que melhor tenha se adaptado a estas terras que se denominam Brasil, podendo ser encontrado em qualquer beira de praia ou pasto pelo interior.

Pequeno, rústico, de folhas muito verdes, quando frutifica o limoeiro-cravo fica pontilhado de frutos feios, porque manchados e irregulares, quase disformes, de forte cor alaranjada, por fora e por dentro. No entanto, se a casca do limão-cravo, de aparência grosseira e agreste, é suscetível ao ataque de agentes externos como fungos e doenças, por dentro ele costuma permanecer sempre são e com bastante sumo.

Também conhecido por limão-francês ou limão-vinagre, a fruta, em si, não apetece a vista, mas vale o fechar dos olhos: a polpa azedíssima, já não tão laranja, desfaz-se em um saborosíssimo suco, ainda mais rico em vitamina C do que o de seus parentes mais conhecidos. Com tantas excelentes qualidades, o limão-cravo tem fiéis consumidores entre aqueles que o encontram nos fundos de quintais e pomares.

O principal uso do limoeiro-cravo, entretanto, talvez seja um pouco menos nobre do que o consumo do suave e ácido suco de seu fruto. Uma das características mais apreciadas da planta é justamente a resistência e a rusticidade da árvore, e não particularmente a riqueza e o sabor da fruta: no Brasil, essa árvore costuma ser o cavalo preferido para enxertia dos demais cítricos, sobretudo da laranja e do limão-taiti.

Embora, dessa forma, o limoeiro-cravo continue prestando um importante serviço, certamente não deixa de ser um pena a pouca ou nenhuma produção comercial de seu fruto, o próprio limão-cravo.