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A história do caju

Nome da fruta – Caju

Nome científico – Anacardium occidentale L.

Família botânica – Anacardiaceae

Categoria

Origem – Brasil – regiões costeiras do Norte e Nordeste

Características do cajueiro – O cajueiro é uma árvore que pode atingir até 10 metros de altura, com copa proporcional ao tamanho, arredondada, chegando a atingir o solo. Tronco tortuoso e ramificado. Folhas róseas quando jovens e verdes posteriormente. Flores pequenas, alvo-rosadas, perfumadas.

Fruto do cajueiro – O caju é um pseudofruto. A parte de coloração amarela, alaranjada ou vermelha, é formada pelo pedúnculo (“cabinho” do fruto) que se desenvolve e contém a polpa carnosa e suculenta. O verdadeiro fruto é a conhecida “castanha de caju”, pequeno, de coloração escura e consistência dura.

Frutificação do cajueiro – Primavera e verão

Propagação do cajueiro – Semente

Ao que tudo indica, a Amazônia parece ter sido o útero de onde diferentes espécies do gênero Anacardium irradiaram-se para o resto do mundo. E o cajueiro, seu representante mais conhecido, árvore rústica, espontânea e nativa do Brasil, mais precisamente na zona arenosa litorânea de campos e dunas que vai do Nordeste até o baixo Amazonas, está hoje disseminado por todas as regiões tropicais do globo.

Os indígenas de fala tupi, habitantes do Nordeste do Brasil, já conheciam muito bem o caju e faziam dele um de seus mais completos e importantes alimentos. Deve-se aos indígenas, inclusive, o nome pelo qual é conhecido em português: a palavra “acaiu”, de origem tupi, quer dizer “noz que se reproduz”.

Ficaram conhecidas como “guerras do caju” as lutas pelo domínio temporário dos cajuais litorâneos, travadas entre as tribos indígenas que desciam do interior na época da frutificação do caju e aquelas que viviam no litoral brasileiro. E supõe-se que foi assim, através das castanhas levadas pelas mãos dos indígenas, que o caju se espalhou por vastas regiões do interior seco e árido nordestino. Pouco exigente enquanto a solos, com o tempo o cajueiro adaptou-se às terras para onde foi levado. Floresceu e frutificou ano após ano, formando extensos cajuais.

No século das grandes navegações, quando aqui chegaram, os primeiros europeus encontraram uma terra promissora de gentes e frutos exóticos, que se confundia com a visão do paraíso terrestre, onde o cajueiro era a verdadeira árvore proibida. Datam da metade do século 16 as primeiras e maravilhadas descrições da árvore do caju, dos cajuais sem fim do litoral, bem como de seus frutos e usos.

Foi a partir de então que o caju iniciou a sua viagem pelo mundo: embarcado nas naus portuguesas, aportou em Moçambique, Angola, no Quênia e em Madagascar, na África, e em Goa, na Índia. Ali, os cajueiros começaram a crescer em profusão em terrenos onde antes nada havia, tendo sido incorporados à vida e à economia locais.

Enquanto isso, em sua terra de origem, as árvores de caju foram sendo substituídas, primeiro por plantações de cana-de-açúcar e, muito tempo depois, por casas e edifícios luxuosos à beira-mar. Por muitos anos, as possibilidades de exploração econômica rentável do caju foram desconsideradas nas terras brasileiras.

A Índia é, hoje em dia, o principal produtor e exportador mundial, da castanha-de-caju e do óleo da castanha, seguida pelo Vietnã, pelo Brasil e por alguns países africanos, como Moçambique, Tanzânia e Guiné Bissau, e pela Indonésia. Segundo dados da ONU (Food and Agriculture Organization/FAO), esses países, em conjunto, são responsáveis por cerca de 80% da produção mundial, – estando à produção brasileira, em relação a mundial, perto dos 20%.

Embora sejam grandes as oscilações ano a ano, tanto da quantidade produzida como da área plantada, o Brasil é um importante produtor e exportador da castanha-de-caju, destacando-se os estados do Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, segundo o IBGE, responsáveis por quase 90% da área de cultivo do país.

O Ceará vem se mantendo, nos últimos 10 anos, como o principal exportador da castanha-de-caju do país, com grandes áreas cultivadas. Boa parte dessa produção volta-se, agora, para a agricultura orgânica do caju, uma exigência cada vez mais presente nos mercados estrangeiros.

De maneira geral, a cajucultura é, hoje, uma atividade de grande relevância econômica para o Nordeste do Brasil, graças às pesquisas e técnicas de cultivo desenvolvidos pela Embrapa do Ceará, destacando-se as experiências com o caju-anão e a substituição de copa.

Com a forma de um pequeno “rim” animal, a castanha é o principal produto do complexo econômico do caju. Quando madura, a castanha do caju apresenta uma casca bastante dura e cheia de um óleo viscoso, cáustico e inflamável que abriga a amêndoa. A partir da II Guerra Mundial, esse óleo transformou-se em um produto estratégico para a indústria, por suas qualidades isolantes e protetoras. Atualmente, existem mais de 200 patentes industriais que o utilizam como componente.

Os indígenas, no entanto, sabiam que a melhor forma de aproveitar como alimenta essa amêndoa abrigada na castanha do caju era torrando-a ao fogo. Assim, sua casca e o forte óleo que desprende são consumidos, restando a apreciadíssima e internacional “cashew nut”. A castanha-de-caju, como é conhecida pelos brasileiros, transformou-se em especiaria cara e de luxo, muito consumida torrada e salgada, como tira-gosto, e ao natural, na produção de doces e confeitos. Além disso, da amêndoa da castanha-de-caju – rica em proteínas, calorias, lipídios, carboidratos, fósforo e ferro – é extraído um óleo comestível que pode ser utilizado em substituição ao azeite de oliva.

Para o pesquisador Mario Motta, nunca houve árvore e fruto de tamanha importância e alcance na vida social e na economia regional de uma população. O caju está presente na literatura, na poesia, nos ditados populares, na fala, nos jogos infantis, nas crendices, nos costumes, no folclore, na medicina e no mobiliário e, é claro, na dieta alimentar, na culinária e na doçaria brasileira, especialmente, a nordestina.

No Brasil, os usos culinários do caju e da sua castanha multiplicam-se. Da amêndoa torrada é costume fazer-se uma farinha muito especial que é misturada com farinha de mandioca, adoçada e vendida em pequenos cones de papel: guloseima de crianças. Essa mistura é também muito apreciada para ser degustada após a adição de suco de caju ou água, a gosto.

A parte suculenta e refrescante, o pseudofruto do cajueiro – que contém vitamina C em quantidade nove vezes superior à da laranja, perdendo apenas das campeãs acerola e camu-camu – tem incontáveis usos e, embora alcance pouco valor no mercado externo, é muito apreciada no Brasil.

No Nordeste, o caju é consumido como fruta fresca, sob os pés carregados ou adquiridos de ambulantes nas ruas e na praias. Particularmente, é comum servir de acompanhamento ou tira-gosto para uma boa aguardente de cana, sendo consumido aos pedaços ou por inteiro, entre um gole e outro. Este é um hábito tão arraigado na vida nordestina que é costume dizer-se que “o caju está casado com a cachaça”.

Mais consumido na forma líquida, o caju é matéria-prima para sucos, refrescos e cajuadas, quando o suco adoçado se adiciona água ou leite.

A cajuína, bastante apreciada e consumida gelada, é o suco filtrado, engarrafado e cozido em banho-maria. Esse suco, depois de cozido, quando misturado com álcool – se transforma em um “vinho de caju” que poder ser mais ou menos encorpado.

A doçaria nordestina é pródiga em receitas que levam a fruta, eficientes maneiras de conservá-la para os tempos de entressafra. Assim, o caju costuma ser transformado em doces de todo tipo, na forma de sorvetes, gelados, compotas, passas ou ameixas de caju, em calda, cristalizados ou rapaduras de caju.

Com tantas propriedades nutritivas e aproveitamentos culinários, no Ceará a “carne de caju” já está sendo usada mesmo como ingrediente em pratos salgados, substituindo a carne animal, em croquetes, quibes e refogados.

Desde os tempos coloniais, o caju vem sendo aproveitado através de processos domésticos e caseiros. Com o passar do tempo, tanto a polpa quanto a castanha passaram a ser beneficiados industrialmente, gerando uma diversificada gama de produtos.

Do pseudofruto obtêm-se: polpas, sucos, compotas, doces, desidratados, bebidas fermentadas e destiladas. Sem dúvida, comercialmente, os sucos são os mais importantes, embora se destinem quase na totalidade ao mercado interno. Os sucos obtidos a partir do caju variam bastante, podendo ser turvos, com mais ou menos sólidos em suspensão, chegando até mesmo à condição de “polpa”, ou ser límpido, filtrado, clarificado.

Os cajueiros, árvores que dão o caju, essa saborosa, múltipla e generosa fruta, em suas variadas espécies, podem durar até mais de 50 anos produzindo alimento, sombra e beleza.

O fruto do cajueiro

O caju é uma das frutas mais intrigantes. Comumente, acredita-se que a fruta é aquela parte carnosa cuja forma pode ser variadíssima, entre alongada a arredondada, apresentando coloração amarela, alaranjada, vermelha ou esverdeada. É aí que se encontra o gostoso sumo aromático e adstringente, que pode variar entre o azedo e o dulcíssimo, porém sempre refrescante. No entanto, esta é apenas a haste, o pedúnculo inchado que sustenta a sua castanha, o verdadeiro fruto da planta.

Castanha verde ou maturi

Quando ainda verde, a amêndoa da castanha-de-caju, tenra e volumosa, mais conhecida como maturi, é ingrediente especialíssimo da culinária nordestina, muitas vezes em substituição ao camarão. A famosa frigideira de maturi com camarões secos, por exemplo, é um prato baiano, raro e sensual, cuja receita ficou imortalizada em Tieta do Agreste do escritor Jorge Amado. Verdadeira especiaria, o maturi só pode ser encontrado na época que precede a abundante safra da fruta. No Ceará, denomina-se “chuvas de maturi” aquelas que caem no período em que os cajueiros florescem, entre os meses de agosto e setembro.

Cajuí

Nome científico – Anacardium humile A. St.-Hill

Origem – Brasil

Arbusto de no máximo 80 cm de altura, o cajuí, cajuzinho ou caju-do-serrado ocorre naturalmente, como o próprio nome já diz, na região do Cerrado do Brasil. A castanha apresenta as mesmas características e usos do cajueiro comum, sendo apenas seu pseudofruto uma miniatura perfeita do outro e um pouco mais ácido. Muitas vezes descrito como uma floresta de cabeça para baixo no Cerrado, as raízes das plantas, de aparência retorcida e ressecada na superfície, entrelaçam-se sob a terra, num intrincado sistema de raízes. Um bom exemplo disso é o arbusto em que nasce o cajuí:em grandes áreas abertas do Cerrado, encontram-se vários desses arbustos espalhados aqui e acolá, dando a impressão de que constituem plantas independentes. Na realidade, porém, trata-se de uma mesma planta totalmente interligada por suas raízes.

Cajuaçu

Nome científico – Anacardium giganteum W. Hancock ex Engl.

Origem – Brasil

Árvore de porte majestoso, de dimensões amazônicas, atingindo até a altura de 40 metros, o cajuaçu, caju-da-mata ou caju-da-amazônia apresenta os pseudofrutos carnosos pouco desenvolvidos. Ao contrário dos demais cajueiros, nesta árvore típica da floresta de terras firmes só nascem frutos de coloração avermelhada.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

 

Fruta – Baru

Nome da fruta: Baru

Nome científico: Dipteryx alata Vogel

Família botânica: Fabaceae (leguminosae-Papilionoiideae)

Categoria:

Origem: Brasil Central – Cerrado

Características da planta: Árvore geralmente com 25 metros de altura, copa densa e arredondada. Folhas de coloração verde intensa. Flores pequenas, de coloração alva e esverdeada.

Fruto: Tipo legume drupóide, de coloração castanha. Polpa comestível muito aromática, envolvendo as sementes também comestíveis.

Frutificação: Primavera e verão

Propagação: Semente

O baru, cumbaru ou cumaru é fruta nativa do Cerrado brasileiro. Sua região natural de ocorrência estende-se pelo Planalto Central, desde o norte de Minas Gerais, passando por Goiás e Mato Grosso, chegando a costa atlântica do Maranhão.

O Cerrado, bioma de abrange aproximadamente um quarto do território brasileiro, equivalente ao tamanho do México e a quatro vezes o tamanho da Espanha, está ameaçado. Até a década de 1960, o Cerrado era pouco habitado e a principal atividade econômica ali desenvolvida era a criação extensiva de gado em grandes propriedades praticamente sem benfeitorias.

Hoje, a situação mudou e, embora existam leis de proteção ambiental, boa parte das matas, dos cerrados, cerradões e campos cerrados na região, que abrigavam plantas e fruteiras nativas, como o baru, vem sendo derrubadas.

O corte indiscriminado de árvores para a instalação de grandes empreendimentos voltados para a cultura de grãos (soja, sorgo e milho) vem atingindo sem trégua o frondoso baruzeiro. Além disso, a madeira dessa árvore – que em algumas localidades chega a atingir 25 metros de altura – é bastante pesada e resistente a fungos e cupins, dando-lhe qualidades excelentes para o uso em marcenaria.

A árvore que dá o baru, no entanto, ainda resiste em sua majestade, continuando a proporcionar ótima sombra nos locais onde a deixam nascer e permanecer crescendo. Mantendo-se sempre verde até mesmo na estação seca, quando o Cerrado fica todo marrom-avermelhado, com sua copa larga, de bonita folhagem, de ramos fortes e resistentes ao vento, o baruzeiro é árvore bastante ornamental.

Leguminosa arbórea, o baruzeiro oferece um fruto de casca lenhosa, onde se esconde um amêndoa dura e comestível, o principal atrativo da árvore tanto para homens e animais. Quando maduros, os frutos caem com facilidade e são fartamente consumidos pelos rebanhos criados soltos no pasto e pelos animais silvestres, funcionando como excelente alimento para a fauna no período da estiagem.

O gosto da amêndoa do baru, parecido com o do amendoim, leva a população da região a atribuir-lhe propriedades afrodisíacas: diz-se que na safra do baru aumenta o número de mulheres que engravidam. O que ocorre, na verdade, é que o baru, por ser alimento calórico, fornece energia a quem o consome em boa quantidade!

A amêndoa do baru pode ser comida crua ou torrada e, nesse último caso, substitui com equivalência a castanha-de-caju, servindo como ingrediente em boa variedade de receitas de doces, como rapadura e paçoca, além de pé-de-moleque, uma especialidade na região de Pirenópolis, Goiás.

O Brasil é um verdadeiro reservatório de espécies florestais nativas, cujos frutos constituem boas fontes de nutrientes. Ano a ano, crescem as pesquisas relacionadas à ánalise da composição química desses frutos, bem como estudos voltados para a produção de espécies oleaginosas, destinados tanto para a indústria oleoquímica, como alimentícia e farmacêutica, que utilizam óleos obtidos de fontes naturais, como é o caso do baru.

O que já se sabe é que o baru tem um alto valor nutricional, com um nível relativamente elevado de gorduras e proteínas – sendo, portanto, bastante calórico -, além de valores significativos de fibras e de minerais.

Da amêndoa ou semente do baru pode-se, também, extrair um óleo semelhante ao óleo de amendoim, de excelente qualidade e com certas propriedades medicinais, que costuma ser utilizado pela população local como aromatizante para o fumo e como anti-reumático.

Apesar de todas as suas qualidades, o baru ainda não é plantado comercialmente, sendo muito raro encontrá-lo à venda nas feiras e cidades. Junto a outras espécies fruteiras nativas do Cerrado brasileiro, o baru vem sendo estudado e submetido a variados experimentos técnicos da Embrapa, desde o final da década de 1980. Seu objetivo é a produção de mudas selecionadas, tendo em vista o aproveitamento racional e comercial da planta e de seus frutos.

A história da castanha portuguesa

Nome da fruta: Castanha portuguesa

Nome científico: Castanea sativa Mill.

Família botânica: Fagaceae

Categoria:

Origem: Europa, norte da África e China

Características da planta: Árvore geralmente com 30 m de altura, tronco com casca apresentando pequenas fissuras, de coloração castanho-escura. Folhas grandes com bordos serreados, rígidas e brilhantes. Flores pequenas, agrupadas em uma longa haste, de coloração esbranquiçada.

Fruto: Tipo cápsula de casca armada de espinhos, firmes e pontiagudos, que se abre libertando uma semente grande, lisa, comestível, de coloração castanha e conteúdo macilento, adocicado.

Frutificação: Verão

Propagação: Semente

A castanheira, castanheira portuguesa, castanheira verdadeira ou, ainda, castanheira européia, como também é chamada em terras brasileiras, é uma árvore proveniente da Europa. De acordo com Eurico Teixeira, a castanha deve seu nome à cidade de Castana, localizada na antiga Tessália, na Grécia, onde até os nossos dias é cultivada em escala comercial.

Pimentel Gomes afirma que a castanha veio para o Brasil, provavelmente, da Península Ibérica ou Itálica, onde também é muito cultivada e apreciada. Ali, em tempos que já se perdem na história, pode ter sido introduzida a partir da Ásia e da própria Grécia.

Espinhos protetores

O fruto da castanheira contém uma amêndoa comestível e deliciosa, que fica coberta, externamente, por uma cápsula de aparência agressiva repleta de espinhos finos e penetrantes, uma espécie de ouriço. Quando o fruto amadurece, o ouriço abre-se, oferecendo a castanha; mas esta não se solta sozinha, demandando um certo cuidado na manipulação.

De acordo com o engenheiro agrônomo Takanoli Tokunaga, em entrevista concedida ao jornal digital ValeParaibano de dezembro de 2004, as primeiras mudas da castanheira foram trazidas do Japão apenas por volta de 1960, embora tenham sido desenvolvidas em Portugal.

A partir dessas plantas, segundo Tokunaga, iniciou-se a seleção e a melhoria das árvores e variedades com mais condições de se adaptar às características climáticas do país. E essas árvores deram-se muito bem quando começaram a ser plantadas na região do Vale do Paraíba, em São Paulo, no sul de Minas Gerais e nas altitudes da região serrana entre os dois estados, onde o clima é temperado-quente com verões suaves. Árvore de notáveis dimensões, a castanheira portuguesa possui grande longevidade. Segundo Pimentel Gomes, ela se desenvolve aceleradamente por volta dos 10 anos de idade, atingindo altura máxima em torno dos 60 anos para viver, em média, 150 anos.

Outra característica importante para quem se interessa pelo culitvo da castanheira – especialmente para os pequenos produtores de estrutura familiar – é o baixo custo da produção da castanha e sua alta produtividade. Isto sem falar no elevado preço que o fruto, ao natural, atinge nos mercados e casas especializadas das grandes cidades do Sudeste brasileiro durante as festas de final de ano, quando são mais procuradas, e das inúmeras possibilidades de aproveitamento industrial no fabrico de doces.

Transformação radical

As pequenas e claras flores da castanheira portuguesa ficam agrupadas em torno de uma longa e fina haste. Quem observa a sua interessante forma com cuidado, no entanto, costuma ficar intrigado pensando como será o processo engendrado pela natureza para transformar aquelas compridas e delicadas hastes nos ouriços, que são como bolas e cheios de espinhos.

Apesar do crescente interesse em sua produção, o Brasil ainda precisa importar a maior parte da castanha que consome.

Embora até bem pouco tempo atrás se atribuísse o nome científico de Castanea vesca à castanheira portuguesa, sabe-se hoje que a variedade comumente cultivada e que produz as tão famosas e apreciadas castanhas portuguesas é, na verdade, a Castanea sativa.

Com um ou outro nome, as castanhas portuguesas, abundantes na Europa, costumam ser consumidas cozidas, assadas, torradas ou reduzidas a uma nutritiva farinha. Ricas em amido e açúcares, por muitos séculos elas constituíram parte importante da dieta alimentar das classes populares e camponesas do continente europeu. São incontáveis as receitas de pratos salgados que levam castanhas como ingredientes: farofas, purês, recheios e molhos servidos como acompanhamento para carnes vermelhas, peixes e aves.

Mas, fundamentalmente, com a castanha inteira ou em pedaços desenvolveu-se, no Velho Mundo, uma série de receitas e de técnicas para a confecção de doces de fino paladar. Secas, açúcaradas, em calda, cristalizadas ou ainda na forma de purês, cremes e pudins, as castanhas, com seu nome francês de “marron”, transformaram-se em iguarias para apreciadores da boa mesa. Dizem, até mesmo, que o sabor do “marron-glacé” (doce feito com a castanha inteira, levemente açúcarada) é o mais delicado e melhor do mundo.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas