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A história da banana

 

Nome da fruta – Banana

Nome científico – Musa paradisiaca L.

Família botânica – Musaceae

Categoria – Doce

Origem – Ásia

Características da planta – A bananeira é uma planta com caule suculento e subterrâneo, cujo “falso” tronco é formado pelas bases superpostas das folhas grandes de coloração verde-clara, brilhante. Flores reunidas em inflorescência do tipo cacho, que surgem em séries a partir do chamado “coração” da bananeira.

Fruto da bananeira – A banana é um fruto alongado, de casca mole, com polpa carnosa de coloração creme-esbranquiçada a amarela de acordo com a variedade.

Frutificação da bananeira – O ano todo.

Propagação da bananeira – Não forma semente e propagação por rizomas.

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A história da banana

As bananas, fruto das bananeiras, são o que todo mundo sabe e já provou. Possivelmente, as bananas que conhecemos hoje são oriundas do quente e úmido Sudeste Asiático, de onde provêm os mais antigos registros de seu cultivo e as mais antigas lendas construídas ao seu redor. Para muitos, inclusive, a antiguidade e a origem asiática da banana são fatos incontestáveis.

Cacho de banana

Supõe-se que, no decorrer de sua longa existência, a bananeira foi perdendo a capacidade de se multiplicar por sementes. De acordo com Paulo Cavalcante, este fato é ainda outro indício de que o homem aprendeu a cultivar a bananeira em épocas remotas, “desde os tempos primordiais da origem da humanidade”.

O “coração” da bananeira

A banana é, na verdade, o fruto de uma planta que pode ser botanicamente descrita como uma “erva gigante”, como afirma Paulo Cavalcante. Esta é, aliás, uma das principais características de todas as Musáceas. As flores da bananeira são pequenas e nascem em pencas, permanecendo protegidas por uma bráctea arroxeada, quando jovens. As pencas de flores viram pencas de frutos e vão surgindo, uma a uma, a partir do chamado “coração” da bananeira.

Os frutos das bananeiras, que podem ser apanhados quando ainda completamente verdes, constituem grandes cachos com várias pencas. De aspecto e forma característicos, surgem uma única e abundante vez. Além disso, uma outra característica dessas plantas é o fato de que as pencas de bananas nascem inclinadas para baixo e, à medida que vão crescendo, voltam-se para cima.

Bráctea

Hoje, excetuando-se algumas espécies silvestres, a bananeira só pode se multiplicar por processos vegetativos, ou seja, através de rebentos nascidos de outras plantas ou mudas. Se o processo de propagação não for controlado e houver espaço, a bananeira pode dar a impressão de que caminha de um lado para outro, uma vez que os rebentos vão de distanciando pouco a pouco da matriz originária.

Assim, caminhando lentamente, a banana vem se espalhando por todas as regiões tropicais e subtropicais do globo, sendo certamente, nestas localidades, a fruta mais conhecida, consumida e cultivada. O Anuário Brasileiro de Fruticultura de 2004, por exemplo, informa que, no início do século 21, a banana é o quarto alimento vegetal mais consumido em todo o mundo, ficando atrás apenas do arroz, do trigo e do milho.

Bananas de mesa

Bananas de mesa são, por exemplo, as variedades maçã, ouro, prata e nanica ou caturra, como é mais conhecida no Sul do Brasil. O nome, no entanto, refere-se à baixa altura da planta em que nasce essa banana, na verdade uma das maiores variedades comercializadas. Bananas para fritar são as variedades de banana-da-terra e figo; a nanica, por sua vez, deve ser preparada apenas à milanesa, porque, do contrário, se desmancha na fritura, ou assada. A “banana chips”, novidade deliciosa do Norte do Brasil, é feita com variedades de pacovas e também costuma ser assada. Banana para cozinhar é, especialmente, a variedade da terra. Banana para preparar a passa é a prata. Banana para compotas são as variedades figo e nanica. Bananas para bananadas, doces de colher e de cortar, são de preferência a prata, mas também a nanica. Bananas para farinha são quase todas, quando verdes.

Antes da chegada dos europeus à América, ao que tudo indica, as bananas não constituíam parte principal da dieta das populações nativas. Sabe-se que por aqui existiam algumas espécies de bananeiras nativas, cujos frutos, porém, não eram comidos crus, necessitando de preparo ou de cozimento prévio.

Bananeiras

Presume-se que foi apenas no início do século 15, portanto, que a banana, seu cultivo e seus usos foram introduzidos no continente americano, a partir da ilha de São Domingos. Mas foi apenas na segunda metade do século 19 que a fruta ganhou expressão no comércio mundial com o estabelecimento de grandes produções no Caribe e nos países da América Central.

Atualmente, no Brasil, encontram-se bananas em qualquer parte, destacando-se as regiões Sudeste (São Paulo e Minas Gerais) e Nordeste (Bahia, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte) como as maiores produtoras nacionais da fruta, onde se encontram extensos bananais. Dados do IBGE de 2002 indicam que esses estados foram responsáveis por quase 60% da produção de cerca de 6 milhões de toneladas de bananas, seguidos ainda pelos estados do Pará e de Santa Catarina.

O Brasil é o segundo maior produtor de bananas do mundo, perdendo apenas para a Índia e, embora seja uma das principais frutas brasileiras destinadas a exportação, superada apenas pela laranja, a banana brasileira ainda não satisfaz plenamente as fortes exigências dos mercados externos. Assim, a maior parte da enorme produção brasileira destina-se ao mercado interno, sendo o país o maior consumidor mundial da fruta.

Folha de bananeira

O conhecimento desse fato, aliás, prescinde da análise de tabelas e estatísticas, bastando observar as incontáveis formas de aproveitamento que o brasileiro inventou para a banana. Parte importante da dieta alimentar da população em geral, a fruta predileta do Brasil é ingrediente de uma grande quantidade de pratos típicos das culinárias regionais de todo o país.

Bananas existem muitas. As comestíveis são agrupadas em variedades de acordo com a consistência e a coloração da casca e da polpa. Mas, para cada função ou uso, uma é melhor do que a outra, respeitando-se as preferências regionais e pessoais.

Antes de amadurecerem, as bananas são, em geral, de cor verde. Nesse caso, o sabor é adstringente e intragável: diz-se que quando a banana está verde, ela “pega” na boca. Isto porque, antes da maturação, as bananas compõem-se, basicamente, de amido e água. Tanto é assim que, com a maioria das bananas verdes, pode-se produzir uma farinha extremamente nutritiva, que tem inúmeras aplicações na alimentação, desde o preparo de mingaus até biscoitos. No processo de amadurecimento, a maior parte do amido contido nas bananas transforma-se em frutose, glicose e sacarose. E é por isso que, de maneira geral, a banana é uma das mais doces entre todas as frutas.

Mudas de banana

Fonte natural de energia, a banana é um alimento bastante indicado para a reposição energética após a realização de esforços físicos intensos. Além dos açúcares e do amido – este último responsável pela sensação de saciedade prolongada que o consumo da fruta propícia -, a banana contém grandes quantidades de carboidratos. Apesar de todos esses componentes, ao contrário do que muitos pensam, a banana tem baixas calorias – cerca de 100 gramas equivalem a 96 calorias – e baixíssima porcentagem de gordura, além de carregar grandes quantidades de vitaminas dos grupos E, C e B, ácido fólico e sais minerais (ferro, cobre, cálcio, potássio, magnésio e fósforo).

Considerada por muitos a fruta perfeita, a banana destaca-se por suas muitas qualidades: amadurece aos poucos, fora do pé, facilitando a colheita, o transporte e o aproveitamento; a banana é fácil de mastigar, nem muito dura, nem muito mole; não dá trabalho para descascar; é fácil de comer e não suja as mãos com sucos ou caldos; tem um gosto bom, nem doce demais, nem azeda; não é enjoativa ou indigesta; a banana é altamente nutritiva, bastando umas poucas para matar a fome; é totalmente aproveitável e sem caroços; não tem espinhos, nem fiapos, nem bichos; nasce em todo tipo de solo e pode ser encontrada durante o ano inteiro.

Artesanato com fibras de folha de bananeira

O elogio à banana não tem fim: Câmara Cascudo, por exemplo, afirma que ela tem ainda mais uma utilidade, desta vez para a ciência antropológica. Sendo planta cuja propagação se dá, por excelência, através do cultivo, a existência ou não de bananas na dieta alimentar de um grupo indígena ou comunidade seriam, para ele, indicadores seguros do seu grau de isolamento. E cita como exemplo o geólogo Karl von den Steinen, que, quando esteve na área xinguana, no Planalto Central do Brasil, no final do século 19, espantou-se ao descobrir que as populações que ali viviam não conheciam uma das melhores e mais lindas frutas existentes. Dizia o viajante sobre a cultura daqueles povos: “Não há metais, nem cães, nem bebidas embriagadoras, nem bananas! Eis aqui uma verdadeira idade da pedra…”.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

Fruto – Guaraná

Fonte da foto: Blog Montan Produtos Naturais

Nome do fruto: Guaraná

Nome científico: Paullinia cupana Kunth

Família botânica: Sapindaceae

Categoria:

Origem: Brasil – região amazônica

Características da planta: Trepadeira de caule sulcado, casca escura, que pode atingir grande porte. Folhas compostas. Flores alvas agrupadas ao longo do caule.

Fruto: Tipo drupa, de coloração avermelhada, apresenta-se entreaberto quando maduro, exibindo sementes negras com arilo branco e espesso, que lembram pequenos “olhos”.

Frutificação: Outubro a dezembro

Propagação: Semente

O guaraná é fruto de uma trepadeira. Quando cresce no interior da mata, dependendo das condições de luz, permanece associado às grandes árvores, convivendo num intrincado mundo de cipós, galhos e folhas para subir bem alto, nos estratos superiores da floresta. Por outro lado, quando cresce em local aberto e ensolarado, o guaraná permanece rasteiro. Tanto num caso como no outro, as folhas características da trepadeira do guaraná são acentuadamente verdes e seus muitos frutinhos aglomeram-se em compridos cachos.

Nativo da floresta amazônica, é ali que ele pode ser encontrado em estado silvestre e em grande concentração na região compreendida pelos rios Amazonas, Maués, Paraná dos Ramos e Negro, e na bacia do rio Orinoco (Venezuela). Ali, por toda parte, em cada beira de rio, encontram-se grandes quantidades de guaranazeiros frutificando, para serem colhidos em festa todo mês de novembro, ano após ano.

Segundo a pesquisadora Sônia Lorenz, toda essa região coincide com o território tradicional dos sateré-maués, localizado a cerca de 356 km de Manaus. E foram os antepassados desse índios que inventaram a cultura do guaraná, ou seja, foram eles que transformaram a trepadeira silvestre em planta cultivada, descobrindo técnicas necessárias para o seu beneficiamento.

A partir da literatura produzida pelos viajantes europeus e de relatos de escritores amazonenses, sabe-se que a produção e o comércio do guaraná sempre foram muito intensos na região de Maués, interessando nativos e colonizadores. E, desde muito tempo, a grande procura pelo produto esteve sempre relacionada com suas propriedades e efeitos medicinais: de acordo com as teorias populares, o guaraná, quando aplicado ao organismo humano, atua como estimulante, regulador intestinal, antiblenorrágico, sudorífero, tônico cardiovascular, retardador da fadiga e, até mesmo, afrodisíaco. É muito empregado na cura de enxaquecas e nos estados de convalescênça.

Muitas dessas propriedades ainda não foram testadas ou comprovadas. No entanto, o que já se sabe é que o guaraná é um forte estimulante, chegando a conter, depois de beneficiado, altos teores de cafeína, às vezes superiores aos chá e do café. A cafeína constitui droga de inúmeras utilidades na farmacopéia. Porém, quando administrada sem controle pode ter sérias contra-indicações e produzir efeitos colaterais indesejáveis.

Os frutos do guaraná são vermelhos como sangue e, quando amadurecem, suas cascas rompem-se, deixando aparecer a semente negra envolvida por uma capa branca, o arilo, cujo conjunto faz lembrar a imagem de um olho humano esbugalhado. A impressão é que, em cada cacho da planta, nasceram dezenas de olhinhos. Mas os índios sabem que, quando o guaraná amadurece no , já passou o tempo da colheita. E não se limita apenas nesse ponto a sua sabedoria.

Até hoje existe uma grande distinção regional entre o guaraná beneficiado pelos sateré-maués – considerado de melhor qualidade – e o guaraná beneficiado pelas populações não indígenas da região de Maués. Isto porque os processos de produção utilizados nem sempre incluem os conhecimentos e as práticas tradicionais dos indígenas, desenvolvidas e apuradas ao longo do tempo.

Trata-se de um demorado processo que se inicia com a escolha das mudas na mata, que, depois, são transportadas para um terreno adequado onde serão cultivadas. Dois ou três anos após o plantio, quando o guaraná começa a produzir, os cachos são colhidos “no tempo certo”, os frutos descascados e as sementes lavadas para eliminar o arilo ou “remela”.

Depois de secas, as sementes são torradas lentamente por várias horas. Em seguida, os grãos torrados são batidos dentro de sacos, para que as cascas comecem a se soltar, podendo então ser descascados manualmente e pilados com água.

Depois de pilados por bastante tempo, obtém-se uma massa que é sovada e modelada em forma de bastão, rolo ou barra: são os “pães de guaraná”. Por fim, esses “pães” são bem-lavados pelas mulheres e defumados, durante dois longos meses, em jiraus montados sobre fogueiras de fogo brando, até que possam ser considerados bons para o consumo. Para se obter o pó de guaraná, os bastões são ralados; para ser consumido, o pó de guaraná é misturado com água, podendo ser bebido a qualquer hora do dia.

Além da forma tradicional em bastão para ralar, o guaraná natural semi-industrializado pode ser encontrado à venda já na forma de pó (acondicionado em frascos, cápsulas gelatinosas ou sachês) ou de xarope concentrado. Ambos podem ser consumidos diretamente como bebida energética (misturados com água), ma a principal utilização do xarope ainda é na produção industrial de bebidas refrigerantes, em pequena, média ou grande escala. Estima-se que 70% da produção nacional atual de ramas de guaraná ou sementes torradas – que gira em torno de 4300 toneladas por ano – seja absorvida pelas indústrias de refrigerantes, enquanto o restante permanece voltado para o consumo interno e exportação.

Muito apreciado por suas qualidades energéticas e gastrônomicas, o guaraná é um produto exclusivamente brasileiro, típico da região amazônica, e um dos mais conhecidos no exterior. O Brasil é, também, praticamente o único produtor de guaraná do mundo.

Apesar de sua incontestável origem amazônica, em particular no município de Maués, no Estado do Amazonas, há algum tempo a região deixou de ser a principal produtora de guaraná em virtude do ataque de doenças e do envelhecimento natural dos guaranizais. Atualmente, A Embrapa trabalha no desenvolvimento de cultivares mais resistentes e produtivos para substituir as árvores nativas doentes e muito velhas.

Desde a década de 1980, a planta adaptou-se muito bem a outras localidades, passando a ser cultivada em grandes empreendimentos privados, especialmente nos minicípios de Apuí e Presidente Figueiredo (AM), no norte do Estado de Mato Grosso e no sul da Bahia, onde se concentram as maiores e mais produtivas plantações do Brasil. A Bahia, hoje, produz seis vezes mais do que o Amazonas.

Mas, no município de Maués, cerca de 2600 pequenos produtores familiares continuam produzindo guaraná com base nos sistemas tradicionais de cultivo, os quais, em 2001 segundo dados do IBGE, resultaram em mais de 200 toneladas comercializadas.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas