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Cítricos para doce

Cítricos para doce

Algumas das frutas da família das Rutáceas, especificamente entre aquelas do gênero Citrus, apresentam características que as deixam particularmente mais apropriadas para a produção de doces, ao invés do consumo natural.

Em geral, os cítricos próprios para doce são frutas mais azedas do que as que se prestam ao consumo ao natural, apresentando uma relação entre polpa e suco inferior a estas. Talvez seja justamente o azedo do caldo, associado à qualidade da polpa e à casca porosa repleta de sumo, o que faz com que essas frutas combinem muito bem com o açúcar, que realça o seu sabor ácido. Dessa forma, tornam-se frutos excelentes para o fabrico de doces em calda, cristalizados, compotas, conservas, gelatinas, geléias, cremes, pudins, musses, bons-bocados, bolos, biscoitos, tortas, coberturas, recheios, entre tantos outros.

Um doce de laranja, por exemplo, não costuma ser feito com aquelas mesmas laranjas de mesa tão comuns que se comem diretamente: a doce, a baía ou a seleta. Na verdade, esses doces são feitos com outras frutas popularmente menos conhecidas, como a laranja-da-terra, a cidra ou a kinkan. Uma fruta emprestando as suas qualidades em nome de outras.

Nos cítricos próprios para doce, a parte branca que se encontra entre a casca e os gomos de polpa sucosa é mais espessa, podendo ser mais fina ou grossa, dependendo da variedade da fruta.

Em geral, é a partir dessa casca grossa, cuidadosamente separada da polpa com uma lâmina afiadíssima, que os doces são preparados, sobretudo os de compota ou em calda. Também é a partir daí que se fazem os doces em massa ou de corte, ainda que neles se aproveite uma parte da polpa, dando-lhes mais sabor. Em todos eles, o bagaço não costuma se usado, o que seria um desperdício no caso das frutas de mesa, que têm no suco o seu melhor aproveitamento.

Fruta – Limão-cravo

Nome da fruta: Limão-cravo

Nome científico: Citrus bigaradia Loisel.

Família botânica: Rutaceae

Categoria:

Características da planta: Árvore de pequeno porte, chegando a cerca de 5 metros de altura, copa arredondada. Folhas de coloração verde intenso e pecíolo alargado, fortemente aromáticas quando maceradas. Flores pequenas, alvas, aromáticas e melíferas.

Fruto: Tipo esperídio, globoso, ligeiramente achatado, casca de coloração verde-amarelada, amarela ou amarelo-avermelhada na maturação. Polpa ácida, amarga, envolvendo muitas sementes.

Frutificação: Inverno

Propagação: Enxertia

Entre os cítricos, não há árvore mais resistente do que a do limão-cravo. Não foi à toa, portanto, que ela difundiu-se com mais facilidade e velocidade por todos os recantos da América, assim que a família dos frutos cítricos foi trazida da Europa.

Agora, quase não há rincão, quintal ou km silvestre deste continente em que não haja – ou em que não tenha havido um dia – pelo menos um limoeiro-cravo. Proveniente da Ásia, talvez seja a árvore exótica que melhor tenha se adaptado a estas terras que se denominam Brasil, podendo ser encontrado em qualquer beira de praia ou pasto pelo interior.

Pequeno, rústico, de folhas muito verdes, quando frutifica o limoeiro-cravo fica pontilhado de frutos feios, porque manchados e irregulares, quase disformes, de forte cor alaranjada, por fora e por dentro. No entanto, se a casca do limão-cravo, de aparência grosseira e agreste, é suscetível ao ataque de agentes externos como fungos e doenças, por dentro ele costuma permanecer sempre são e com bastante sumo.

Também conhecido por limão-francês ou limão-vinagre, a fruta, em si, não apetece a vista, mas vale o fechar dos olhos: a polpa azedíssima, já não tão laranja, desfaz-se em um saborosíssimo suco, ainda mais rico em vitamina C do que o de seus parentes mais conhecidos. Com tantas excelentes qualidades, o limão-cravo tem fiéis consumidores entre aqueles que o encontram nos fundos de quintais e pomares.

O principal uso do limoeiro-cravo, entretanto, talvez seja um pouco menos nobre do que o consumo do suave e ácido suco de seu fruto. Uma das características mais apreciadas da planta é justamente a resistência e a rusticidade da árvore, e não particularmente a riqueza e o sabor da fruta: no Brasil, essa árvore costuma ser o cavalo preferido para enxertia dos demais cítricos, sobretudo da laranja e do limão-taiti.

Embora, dessa forma, o limoeiro-cravo continue prestando um importante serviço, certamente não deixa de ser um pena a pouca ou nenhuma produção comercial de seu fruto, o próprio limão-cravo.