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Fruta – Pitomba

Nome da fruta: Pitomba

Nome científico: Talisia esculenta (A. St.-Hil.) Radlk

Família botânica: Sapindaceae

Categoria:

Origem: Brasil

Características da planta: Árvore com cerca de 13 metros de altura. Folhas compostas. Flores pequenas, de coloração alva, reunidas em inflorescências terminais.

Fruto: Tipo drupa, arredondada, casca subcoriácea, glabra, de coloração amarelo-esverdeada. Polpa comestível, saborosa, envolvendo uma ou duas sementes longas, recoberta por arilo carnoso, branco e de sabor agridoce.

Frutificação: Verão, podendo adiantar ou atrasar de acordo com as chuvas.

Propagação: Semente

Não é de hoje que a pitomba faz parte do imaginário e da cultura popular no Brasil. No Nordeste brasileiro, a pitomba é também conhecida como “chiclete de pobre”, segundo o folclorista Mário Souto Maior, por poder permanecer longo tempo girando pelo céu da boca. A esse respeito, no entanto, talvez o ditado que mais inspire a diversão do povo nordestino seja aquele que se refere a alguém que “sofre mais do que pitomba em boca de velho banguela”. Há também a expressão “olho de pitomba” para se referir a alguém com globo ocular saliente, e “olho de pitomba lambida”, para aquele que não tem pestana.

Tal é a exaltação popular da fruta que a sua apreciação no folclore já ganhou até festa formalizada: a antiga festa de Nossa Senhora dos Prazeres, que comemora a insurreição e a vitória dos pernambucanos contra os holandeses, no século 17, na Batalha dos Guararapes, hoje em dia é muito mais conhecida como a “Festa da Pitomba“.

Esse evento histórico e religioso coincide com a safra da pitomba em abril, o que tornou a fruta presença obrigatória e protagonista entre as comidas e bebidas típicas daquela comemoração.

Para completar seu alcance folclórico, tornou-se uma tradição no animado carnaval de rua de Olinda (PE) a saída de um bloco carnavalesco chamado Pitombeiras dos Quatro Cantos, um dos responsáveis pela animação da festa.

Fruta extremamente difundida por todo o Nordeste, onde é cultivada em pomares residenciais e quintais, a pitomba é encontrada com relativa facilidade nas ruas e em feiras nas regiões Nordeste e Norte em em alguns mercados de outras partes do país. Não existem, porém, pomares comerciais da fruta, que não tem importância econômica significativa.

O uso habitual que se faz da pitomba de sua abundante produção, ao menos em Pernambuco, é o de aluguel da árvore. O proprietário de uma pitombeira concede, por uma pequena quantia, o direito de se apanharem todas as pitombas disponíveis naquela árvore, em geral carregadíssima. Colhem-se tanto as que ainda não amadureceram por completo, as mais verdinhas que embora contenham mais polpa são mais azedas -, quanto aquelas efetivamente maduras, de casca amarronzada. Nesse caso, a polpa transparente é apreciada pelo sabor agridoce, doçura e pela gostosa sensação refrescante de se ter o que chupar sob o sol escaldante do Nordeste.

Por dentro de sua casca amarelo-acinzentada, rompida com os dentes, a pitomba oferece uma polpa relativamente escassa, adstringente (quando verde) e agridoce (quando madura), dividindo o interior com um caroço grande.

A fruta só se presta ao consumo ao natural, raramente sendo empregada na elaboração de sucos, doces ou sorvetes. Há quem diga, todavia, que este uso ampliaria as possibilidades de comercialização da pitomba, inclusive para o mercado internacional.

A pitombeira pertence a família das Sapindáceas, tendo como parente a chinesa lichia. Bonita árvore, de copa robusta e arredondada e tronco bastante ramificado, raramente ultrapassa os 13 metros de altura, o suficiente para dificultar a colheita. Suas flores pequenas e levemente alaranjadas, entremeadas às folhas bem verdes, pouco chamam a atenção. Ao menos quando comparadas às abundantes frutinhas, que revolvem como nenhuma outra fruta a curiosidade e o paladar do povo nordestino.

Fonte: Frutas Brasil Frutas

A história da cidra

Nome da fruta: Cidra

Nome científico: Citrus medica L.

Família botânica: Rutaceae

Categoria:

Origem: Sudoeste Asiático

Características da planta: Arbusto de até 4 metros de altura, ramos com espinhos rujos. Folhas alongadas, com bordas denteadas. Flores grandes, róseas.

Fruto: Tipo hesperídio, globoso a alongado, de 6 a 20 cm de comprimento, de coloração amarelo-esverdeada a amarelo intenso, casca grossa e rugosa. Polpa comestível, esverdeada, amarga, envolvendo sementes pequenas brancas.

Frutificação: Inverno

Propagação: Semente e enxertia

Acredita-se que a cidra não esteja entre os primeiros cítricos introduzidos na Europa, ponto a partir do qual todos eles ganharam o mundo. Quanto ao século, há divergências: a versão mais aceita é que a cidra tenha chegado ao chamado velho continente no século 12, levada pelos árabes muçulmanos à região do Mediterrâneo. A cidra, sem dúvida, presta-se com perfeição à feitura de variados doces, sobretudo quando em calda, em pasta ou cristalizada. Além disso, a cidra possui inúmeros usos medicinais, como bem indica o seu nome científico, Citrus medica.

O fruto, de coloração que varia de amarelo-esverdeado a intenso, tem casca grossa e rugosa e nasce em arbusto que chega a atingir os 4 metros de altura, cujos ramos apresentam muitos espinhos rijos.

Uma das variedades de cidra existentes é a chamada mão-de-buda, que recebe esse nome por ter o formato de mão, com quatro a sete gomos que se afastam do eixo principal do fruto como se fossem dedos. É maior do que a cidra comum, chegando a atingir quase 30 cm de diâmetro, mas os seus usos são praticamente iguais.

Fonte: Livro Frutas Brasil frutas

Fruta – Baru

Nome da fruta: Baru

Nome científico: Dipteryx alata Vogel

Família botânica: Fabaceae (leguminosae-Papilionoiideae)

Categoria:

Origem: Brasil Central – Cerrado

Características da planta: Árvore geralmente com 25 metros de altura, copa densa e arredondada. Folhas de coloração verde intensa. Flores pequenas, de coloração alva e esverdeada.

Fruto: Tipo legume drupóide, de coloração castanha. Polpa comestível muito aromática, envolvendo as sementes também comestíveis.

Frutificação: Primavera e verão

Propagação: Semente

O baru, cumbaru ou cumaru é fruta nativa do Cerrado brasileiro. Sua região natural de ocorrência estende-se pelo Planalto Central, desde o norte de Minas Gerais, passando por Goiás e Mato Grosso, chegando a costa atlântica do Maranhão.

O Cerrado, bioma de abrange aproximadamente um quarto do território brasileiro, equivalente ao tamanho do México e a quatro vezes o tamanho da Espanha, está ameaçado. Até a década de 1960, o Cerrado era pouco habitado e a principal atividade econômica ali desenvolvida era a criação extensiva de gado em grandes propriedades praticamente sem benfeitorias.

Hoje, a situação mudou e, embora existam leis de proteção ambiental, boa parte das matas, dos cerrados, cerradões e campos cerrados na região, que abrigavam plantas e fruteiras nativas, como o baru, vem sendo derrubadas.

O corte indiscriminado de árvores para a instalação de grandes empreendimentos voltados para a cultura de grãos (soja, sorgo e milho) vem atingindo sem trégua o frondoso baruzeiro. Além disso, a madeira dessa árvore – que em algumas localidades chega a atingir 25 metros de altura – é bastante pesada e resistente a fungos e cupins, dando-lhe qualidades excelentes para o uso em marcenaria.

A árvore que dá o baru, no entanto, ainda resiste em sua majestade, continuando a proporcionar ótima sombra nos locais onde a deixam nascer e permanecer crescendo. Mantendo-se sempre verde até mesmo na estação seca, quando o Cerrado fica todo marrom-avermelhado, com sua copa larga, de bonita folhagem, de ramos fortes e resistentes ao vento, o baruzeiro é árvore bastante ornamental.

Leguminosa arbórea, o baruzeiro oferece um fruto de casca lenhosa, onde se esconde um amêndoa dura e comestível, o principal atrativo da árvore tanto para homens e animais. Quando maduros, os frutos caem com facilidade e são fartamente consumidos pelos rebanhos criados soltos no pasto e pelos animais silvestres, funcionando como excelente alimento para a fauna no período da estiagem.

O gosto da amêndoa do baru, parecido com o do amendoim, leva a população da região a atribuir-lhe propriedades afrodisíacas: diz-se que na safra do baru aumenta o número de mulheres que engravidam. O que ocorre, na verdade, é que o baru, por ser alimento calórico, fornece energia a quem o consome em boa quantidade!

A amêndoa do baru pode ser comida crua ou torrada e, nesse último caso, substitui com equivalência a castanha-de-caju, servindo como ingrediente em boa variedade de receitas de doces, como rapadura e paçoca, além de pé-de-moleque, uma especialidade na região de Pirenópolis, Goiás.

O Brasil é um verdadeiro reservatório de espécies florestais nativas, cujos frutos constituem boas fontes de nutrientes. Ano a ano, crescem as pesquisas relacionadas à ánalise da composição química desses frutos, bem como estudos voltados para a produção de espécies oleaginosas, destinados tanto para a indústria oleoquímica, como alimentícia e farmacêutica, que utilizam óleos obtidos de fontes naturais, como é o caso do baru.

O que já se sabe é que o baru tem um alto valor nutricional, com um nível relativamente elevado de gorduras e proteínas – sendo, portanto, bastante calórico -, além de valores significativos de fibras e de minerais.

Da amêndoa ou semente do baru pode-se, também, extrair um óleo semelhante ao óleo de amendoim, de excelente qualidade e com certas propriedades medicinais, que costuma ser utilizado pela população local como aromatizante para o fumo e como anti-reumático.

Apesar de todas as suas qualidades, o baru ainda não é plantado comercialmente, sendo muito raro encontrá-lo à venda nas feiras e cidades. Junto a outras espécies fruteiras nativas do Cerrado brasileiro, o baru vem sendo estudado e submetido a variados experimentos técnicos da Embrapa, desde o final da década de 1980. Seu objetivo é a produção de mudas selecionadas, tendo em vista o aproveitamento racional e comercial da planta e de seus frutos.