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Fruta – Bacuri

Nome da fruta: Bacuri

Nome científico: Platonia insignis Mart.

Família botânica: Clusiaceae (Guttiferae)

Categoria:

Origem: Região amazônica, Nordeste do Brasil e Norte da América do Sul.

Características da planta: Árvore geralmente com até 35 metros de altura. Folhas grandes, rígidas, verdes, lisas e brilhantes. Flores róseas, quando jovens, que se tornam vermelhas posteriormente, cobrindo toda a copa.

Fruto: Tipo baga de forma oval, casca grossa, de coloração amarela quando maduro. Polpa comestível, muito saborosa, de coloração alva passando a amarelada, macia, aromática e de sabor agradável, envolvendo de uma a duas sementes. Junta a elas, encontra-se o “filho” ou “falsa semente”, formada por uma polpa concentrada.

Frutificação: Dezembro a abril

Propagação: Semente

Conta uma certa lenda amazônica que certo dia, há muitos anos e muitos anos, apareceu a cabeça de um índio kaxinauá, decepada sem motivo por um de seus companheiros. Trazia a cabeça rolante teimosas exigências, como recompensa pela morte não merecida: que os índios de sua tribo saíssem pela floresta colhendo todos os exemplares de um fruto amarelo-escuro manchado, de casca grossa e dura, de polpa deliciosamente aromática, caídos de uma árvore poderosa ponteada de flores rosas e vermelhas. Os índios não conheciam aquele fruto, mas a cabeça os instruiu: tratava-se do bacuri, que de então em diante haveria de ser só dela.

Por bastante tempo, os kaxinauás devotaram-se ao cumprimento da obrigação, observando a indicação de colhê-los exclusivamente do chão, nunca da árvore, porque só assim o fruto mantinha suas melhores propriedades: o aroma inconfundível e a doçura da polpa esbranquiçada e macia. Dentro do fruto – delícia maior! – uma parte sem sementes, que ficou conhecida como o “filho do bacuri”.

A cabeça recebia aqueles frutos de bom grado, mas nunca se saciava. E os bacuris, em todas as suas variedades – o vermelho, o de folha-larga, o peito-de-moça – nunca terminavam. Cansado, um dos índios resolveu desobedecer à ordem e provar do fruto. Apanhou-o e penou mais do que imaginava para romper a sua casca. Poderia tê-lo martelado com um pedra ou algum outro instrumento, mas conseguiu a proeza atirando o bacuri ao chão com toda a força que podia. E é assim, até hoje, que fazem as crianças quando querem comer os bacuris diretamente do pé, no meio da mata.

O índio encantou-se pelo fruto de imediato e conseguiu convencer seus companheiros a prová-lo também. Todos se encantaram, como ainda hoje ocorre com todos que o experimentam. Então, reconhecendo o valor daquele fruto tão cativante, os kaxinauás rebelaram-se contra a cabeça e negaram-lhe as oferendas, guardando para si mesmos os bacuris. A cabeça, furiosa e contrariada, mas ciente dos infortúnios por que já fizera aquele povo passar, retirou-se aos céus, convertendo-se na Lua.

Desde então diz-se àqueles que provam o bacuri que convém dar as costas à Lua, para que ela não se zangue, reclamando a safra inteira da fruta.

Na região amazônica, além do consumo da gorda polpa da fruta e da fina camada que envolve suas grandes sementes, o bacuri é aproveitado em uma infinidade de receitas muito apreciadas: compotas, bombons, sorvetes, cremes, musses, produzidos pelas quituteiras locais ou por pequenas indústrias do Pará. Dependendo da acidez do fruto, quando degustada ao natural, a polpa do “filho” ou das sementes pode ser ou não passada por uma mistura de farinha de mandioca com açúcar, tornando-a ainda mais nutritiva.

Na época da safra, entre dezembro e abril, os bacuris são vendidos aos montes nas feiras da região Norte do país, em especial no mercado do Ver-o-Peso, em Belém do Pará, região de onde parece ser nativo. Acredita-se que o bacuri, que prefere habitar a beira da água, tenha se originado no estuário da grande bacia amazônica, ocorrendo em abundância desde a ilha de Marajó, nos limites austrais da floresta amazônica, alcançando os mais ermos espaços da floresta, nos entremeios do Pará. A árvore do bacuri não é tão alta considerando-se o tamanho da árvores da floresta, mas parece gigantesca em virtude da grossura de seu tronco. Generosa e longeva, ela produz frutos fartamente por mais de cem anos.

Bosque de bacuris

A rapidez da multiplicação do bacuri é notável. Suas sementes germinam mesmo em solos pouco férteis e arenosos. De suas raízes profundas e aéreas surgem novas árvores com uma facilidade incrível: delas renascem continuamente novas brotações por um processo de regeneração natural que garante a sobrevivência da planta. Em algumas localidades paraenses – como Bragança, São Caetano de Odivelas, Marapanin, Curuçá e Maracanã – encontram-se bosques inteiros constituídos só de bacuris, dominando grandes áreas.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

Fruta – Araçá

Nome da fruta: Araçá

Nome científico: Psidium araca Raddi

Família botânica: Myrtaceae

Categoria:

Origem: Brasil

Características da planta: Árvore geralmente com 10 metros de altura, tronco com casca lisa que se descama em placas. Folhas geralmente avermelhadas quando jovens. Flores pequenas alvo-esverdeadas.

Fruto: Tipo baga, globoso, de coloração verde, amarela ou avermelhada. Polpa comestível, adocicada, branco-amarelada ou avermelhada, mucilaginosa, aromática, contendo muitas sementes.

Frutificação: Primavera e verão

Propagação: Semente e enxertia

Um dos primeiros relatos existentes sobre as terras americanas e brasileiras foi escrito por Gabriel Soares de Souza, em 1587, no texto Notícia do Brasil. Ali se encontra descrita e registrada uma grande variedade de frutas e plantas que, na ocasião, já eram conhecidas e utilizadas pelos indígenas nativos e pelos colonizadores europeus que começavam a se instalar nas novas terras. Entre eles encontravam-se os araçazeiros.

O relato do século 16 informa-nos que as pequenas árvores onde nasciam os araçás preferiam “terras fracas na vizinhança do mar” e que sua flor branca cheirava muito bem. Para descrever o fruto, “a que os nativos chamam araçazes”, o viajante dizia que eram “da feição das nêsperas”, sendo, alguns, porém, muito maiores. Sobre o seu sabor, dizia que era fruta para se comer inteira, “tendo uma ponta azeda mui saboroso”. Nota também que os araçás eram próprios para se fazer “muito boa marmelada”.

Porém, fica uma dúvida: falava o viajante sobre qual deles, entre os muitos araçás do Brasil? Estava ele, propriamente, fazendo referência a algum araçá ou a alguma goiaba silvestre? Ou não seria um araçá-goiaba, como é até hoje conhecida a goiaba em algumas regiões da Bahia?

O fato é que os araçás e goiabas, em estado silvestre, assim como as feijoas, são bastante semelhantes e pertencem à mesma família das Mirtáceas.

O araçá é, em geral, fruta mais ácida do que a goiaba; tem, também como a goiaba, a polpa macia e cheia de sementes, sendo, porém, a maioria de suas variedades comuns menos carnuda e menos valiosa economicamente. Paulo Cavalcante afirma que o araçazeiro tem variedades dispersas pelo país, podendo ser encontrado “tanto cultivado como silvestre, em áreas campestres ou de vegetação rala e baixa, variando extremamente no porte, desde um arbustinho de 70 cm até uma pequena árvore de 4 a 6 metros de altura”.

Algumas espécies de araçazeiros dão frutas muito saborosas e apreciadas para se comer “no pé e no tempo”, logo quando amadurecem. Outras, de frutos adstringentes ou ácidos demais, apenas se prestam ao fabrico de doces que, justamente por concentrarem um sabor azedinho ou agridoce especial, são ótimos ao paladar.

Além disso, dependendo da variedade, os araçás prestam-se à produção de sucos, refrescos, licores, sorvetes, geléias e doces. Destacam-se como especialidades produzidas com a fruta os doces em calda, de pasta e de corte – este último, também chamado de “marmelada de araçá” -, que são de sabor semelhante aos doces de goiaba e as goiabadas.

Araçá-boi

Nome científico: Eugenia stipitata Mc Vaugh

Origem: Peru – região amazônica

Entre os araçás, umas das espécies que mais se destacam é o araçá-boi. Apesar de ser fruta típica da Amazônia peruana, onde é muito conhecida e utilizada pela população regional, a sua distribuição alcança também o Acre, no Brasil. O araçá-boi ocorre em árvores pequenas, quase arbustivas, que atingem no máximo 3 metros de altura. Seus frutos, de cor amarelo-canário, podem ter dimensões variáveis, mas são sempre grandes, maiores do que as goiabas cultivadas, chegando a pesar até 400 gramas. A polpa é suculente e saborosa, apesar de bastante ácida e, por esse motivo, presta-se bem mais ao consumo na forma de sorvetes, doces ou bebidas do que ao natural.

Variedades de araçás

Existem araçás de quase tantos tipos quanto são as praias do Brasil. São de cores, aspectos, formas e tamanhos variados, mas são todos araçás: araçá-branco, araçá-cinzento, araçá-rosa, araçá-vermelho, araçá-verde, araçá-amarelo; araçá-do-mato, araçá-da-praia, araçá-do-campo, araçá-de-festa; araçá-de-minas, araçá-de-pernambuco, araçá-do-pará; araçá-de-coroa, araçá-pêra, araçá-manteiga; araçá de folha grande, araçá de flor grande, araçá-miúdo, araçá-mirim; araçá-guaçu, araçá-boi, araçá-peba, araçá-piranga, araçanduba, araçá-sete-capote; araçá-comum, araçá-verdadeiro ou, simplesmente, araçá. Esses muitos araçás encontram-se espalhados por todo o Brasil, dos campos sulinos até a floresta amazônica, de preferência onde haja umidade e calor.

Araçá-do-campo

Nome científico: Campomanesia pubescens (D.C.) O. Berg

Origem: Brasil

Araçá-do cerrado

Nome científico: Campomanesia rufa (O. Berg.) Nied.

Origem: Brasil

Araçá-da-amazônia

Nome científico: Campomanesia lineatifolia (Ruiz & Pav.) Pers.

Origem: Brasil – região amazônica

Araçá-sete-capote

Nome científico: Campomanesia guazumifolia (Cambess.) O. Berg

Origem: Brasil

Araçá-do-pará

Nome científico: Psidium littoral Raddi

Origem: Brasil

Araçá-do-mato

Nome científico: Myrcianthes gigantea (D. Legrand) D. Legrand

Origem: Brasil

Araçá-da-praia

Nome científico: Psidium acutangulum DC.

Origem: Brasil

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas