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Fruta – Laranja-da-terra

Nome da fruta: Laranja-da-terra

Nome científico: Citrus aurantium L.

Família botânica: Rutaceae

Categoria:

Origem: Sudoeste Asiático

Características da planta: Árvore geralmente de até 5 metros de altura, copa densa. Folhas podendo atingir até 14 cm de comprimento, verde-escuras e brilhantes. Flores grandes, alvas, isoladas ou agrupadas nas axilas das folhas, muito aromáticas.

Fruto: Tipo hesperídio, globoso, de 7 a 8 cm de diâmetro, coloração amarelo-avermelhada, casca rugosa. Polpa ácida, envolvendo numerosas sementes.

Frutificação: Inverno

Propagação: Semente

Presume-se que, com o limão, a laranja-da-terra ou laranja-amarga tenha sido um dos primeiros frutos levados para as margens do Mediterrâneo a partir do seu local de origem na Ásia.

A laranja-da-terra é a variedade de laranja oficial e perfeita para o preparo de todos os tipos de doces. É ela, justamente, que possui a camada branca entre a casca e a polpa mais espessa, sendo por isso mesmo carnuda e de sabor mais ácido, e perfeitamente adequada para o preparo das diferentes compotas.

O mais tradicional doce brasileiro de laranja, além da laranjada de cortar, é feito com a casca da fruta inteira, dividida em seis pedaços, colocados em fina calda de açúcar, depois de muitas águas trocadas para a retirada de seu amargo natural. Esses pedaços de doce, depois, também podem ser cristalizados.

Cítricos para doce

Cítricos para doce

Algumas das frutas da família das Rutáceas, especificamente entre aquelas do gênero Citrus, apresentam características que as deixam particularmente mais apropriadas para a produção de doces, ao invés do consumo natural.

Em geral, os cítricos próprios para doce são frutas mais azedas do que as que se prestam ao consumo ao natural, apresentando uma relação entre polpa e suco inferior a estas. Talvez seja justamente o azedo do caldo, associado à qualidade da polpa e à casca porosa repleta de sumo, o que faz com que essas frutas combinem muito bem com o açúcar, que realça o seu sabor ácido. Dessa forma, tornam-se frutos excelentes para o fabrico de doces em calda, cristalizados, compotas, conservas, gelatinas, geléias, cremes, pudins, musses, bons-bocados, bolos, biscoitos, tortas, coberturas, recheios, entre tantos outros.

Um doce de laranja, por exemplo, não costuma ser feito com aquelas mesmas laranjas de mesa tão comuns que se comem diretamente: a doce, a baía ou a seleta. Na verdade, esses doces são feitos com outras frutas popularmente menos conhecidas, como a laranja-da-terra, a cidra ou a kinkan. Uma fruta emprestando as suas qualidades em nome de outras.

Nos cítricos próprios para doce, a parte branca que se encontra entre a casca e os gomos de polpa sucosa é mais espessa, podendo ser mais fina ou grossa, dependendo da variedade da fruta.

Em geral, é a partir dessa casca grossa, cuidadosamente separada da polpa com uma lâmina afiadíssima, que os doces são preparados, sobretudo os de compota ou em calda. Também é a partir daí que se fazem os doces em massa ou de corte, ainda que neles se aproveite uma parte da polpa, dando-lhes mais sabor. Em todos eles, o bagaço não costuma se usado, o que seria um desperdício no caso das frutas de mesa, que têm no suco o seu melhor aproveitamento.

Fruta – Camu-camu

Nome da fruta: Camu-camu

Nome científico: Myrciaria dubia (Kunth) McVaugh

Família botânica: Myrtaceae

Categoria:

Origem: Brasil – região amazônica

Características da planta: Arbusto geralmente com 3 metros de altura, caule de casca lisa. Folhas lisas, avermelhadas quando jovens e verdes posteriormente. Flores alvas, aromáticas, reunidas em inflorescências.

Fruto: Tipo baga, arredondado, de coloração avermelhada quando jovem  e roxo-escura quando maduro. Polpa aquosa envolvendo a semente de coloração esverdeada.

Frutificação: Janeiro a março

Propagação: Semente

Fruto de planta nativa da Amazônia, o camu-camu cresce em arbustos ou pequenas árvores, estando disperso por quase toda a região. Pode ser encontrado, invariavelmente, nas várzeas amazônicas, à beira dos igarapés, rios ou em regiões permanentemente alagadas, onde a parte inferior de seu caule pode ficar imersa.

A área de distribuição natural do camu-camu estende-se pelos estados do Pará, parte do Amazonas, Rondônia, Roraima e Maranhão. As maiores ocorrências da fruta, no entanto, encontram-se na Amazônia peruana.

Aliás, camu-camu é a denominação da fruta no Peru, enquanto nas proximidades de Manaus e na Amazônia brasileira ela é conhecida como caçari. Em Rondônia, é também chamada de araça-d’água e, no Maranhão, de crista-de-galo.

Os frutos do camu-camu são pequenas esferas do tamanho de cerejas, de casca mais resistente do que a da acerola, lembrando a jabuticaba, a cuja família também pertence. Sua casca, ao se romper na boca, deixa escapar o caldo da polpa ácida, que envolve as sementes. Os frutos do camu-camu têm uma cor avermelhada que, à medida que vão amadurecendo, passam a um roxo enegrecido.

Muitas vezes, as frutinhas são encontradas em tamanha quantidade que o colorido que dão à margem das águas amazônicas chama a atenção de qualquer pessoa. Em Roraima, onde ela pode ser encontrada em profusão, há até mesmo um bairro da cidade de Boa Vista que tomou emprestado da fruta o nome Caçari.

Desde 1980, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) vem estudando o camu-camu ou caçari. De acordo com os resultados obtidos nesses experimentos, a fruta apresenta grande valor nutritivo e, em especial, possui uma altíssima concentração de vitamina C, ou ácido ascórbico. Sua polpa posui vitamina C em quantidade 65 vezes maior que a polpa do limão, 13 vezes a do caju e 1 vez e meia a da acerola.

Atulmente, os estudas do INPA já apresentam resultados concretos que permitem orientar comercialmente o cultivo da planta, tornando-a mais produtiva e resistente.

Apesar de tanta abundância, o caboclo amazônico ainda não aprendeu a aproveitar toda generosidade do camu-camu. Quando muito, o camu-camu continua sendo utilizado como tira-gosto pelos pescadores nas longas horas em que permanecem à beira do rio, próximos aos arbustos repletos. Na pescaria, a fruta é também usada como isca para o tambaqui, um dos melhores e mais comuns peixes amazônicos. Consta, justamente, que são os peixes os principais dispersores das sementes do camu-camu.

Atualmente, ainda é na Amazônia peruana que a fruta é mais utilizada. Pouco consumido ao natural, por ser bastante ácido, apesar de doce, o camu-camu é a fruta preferida para o preparo de sucos, refrescos, sorvetes, picolés, geléias, doces ou licores, além de acrescentar sabor e cor a diferentes tipos de tortas e sobremesas à base de outras frutas.

Em todos os casos, a casca deve ser acrescentada com a polpa suculenta da fruta, pois é ela que concentra a maior parte de seus teores nutritivos e carrega sua bonita e atraente coloração vermelho-arroxeada. De fato, o suco do camu-camu tem a bonita cor vermelho-sanguíneo, bem mais encarnada e forte que de qualquer outra fruta.

O camu-camu é uma espécie tipicamente silvestre, mas com um grande potencial econômico capaz de colocá-lo no mesmo nível de importância de outras frutíferas tradicionais da região amazônica, tais como o açaí e o cupuaçu.

Mas não é apenas ali que o camu-camu tem futuro: em São Paulo, no Vale do Ribeira, região de mangues e de clima quente e úmido, semelhante ao da Amazônia, a planta já começou a ser cultivada com sucesso. O mercado consumidor externo também já está de olho nas propriedades vitamínicas da planta, cuja polpa de pura vitamina C natural pode ser utilizada na produção de suplementos alimentares em tabletes.