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Pupunha

Nome do fruto: Pupunha

Nome científico: Bactris gasipaes Kunth

Família botânica: Arecaceae (Palmae)

Categoria:

Origem: Brasil – região amazônica

Características da planta: Palmeira geralmente com 20 metros de altura, inicialmente isolada, com o tempo forma touceiras. Estipe recoberto por anéis de espinhos negros que também podem ocorrer nas bainhas, nervuras das folhas e ráquis da inflorescência. Folhas longas, flores de sexos separados, de coloração e tamanho semelhantes, que aparecem num mesmo cacho.

Fruto: Tipo drupa, cônico, de coloração amarela ou vermelha quando maduro, de casca fina, aderente ou não à polpa de coloração amarelada ou alaranjada.

Frutificação: Quase o ano todo

Propagação: Semente

Diz-se que, como fonte de alimento e comida, a pupunha teve, para civilizações de tempos pré-colombianos, a mesma importância do arroz para os asiáticos e do trigo para os povos mediterrâneos. Até hoje, para diversas tribos indígenas amazônicas ela ainda conserva essa importância.

A fruta – na verdade o fruto de uma palmeira – era considerada pelos incas um dos presentes da natureza mais valiosos para a sobrevivência humana, tanto nas cordilheiras como na floresta. Conta Clara Inés Olaya que, nos idos do século 16, chegados os espanhóis ao continente americano, uma das estratégias para subjugar os povos indígenas era justamente destruir as palmeiras de pupunha, privando os nativos de seu principal alimento.

Para os povos daquela época, pelas zonas florestais chuvosas desde a região da atual Costa Rica até a Bolívia, alcançando o Centro-Oeste brasileiro, ainda segundo Olaya, a pupunha era sua comida, sua bebida, sua morada. Com ela constríam armas de defesa e de caça; era também a referência de seu calendário, um dos símbolos máximos de sua relação com a natureza. Alimento quase exclusivo de setembro a dezembro, a pupunha ainda era utilizada como farinha para a sobrevivência em meses de escassez.

Segundo historiadores, os nativos celebravam festivamente a época de colheita da pupunha e faziam dela uma bebida alcoólica ainda hoje apreciada: a “chicha”.

Mas os indígenas não se limitavam à exploração do fruto e aproveitavam à exaustão também as outras partes da palmeira: o estipe de madeira negra e dura era material para todo tipo de instrumento e artefato; e, de seu broto terminal, aproveitava-se o palmito.

Hoje, a julgar pela importância comercial relativa que a planta alcança na região amazônica, esse aproveitamento completo se mantém, mas, de forma diferente. Além do fruto e do palmito, a palmeira como um todo é bastante usada em paisagismo. Sua raiz constitui um bom vermicida e a madeira continua sendo utilizada na construção de casas e objetos. As largas folhas ainda cobrem habitações rústicas e servem como material para a tecedura de cestas e balaios.

A pupunha é um dos frutos tropicais mais balanceados e nutritivos conhecidos e seu consumo é hábito regional. Atualmente, na Amazônia os cachos coloridos de verde, amarelo e vermelho são facilmente encontrados à venda por toda a região. E, assim como no passado, os frutos da pupunheira continuam sendo consumidos de diferentes formas.

As “linhas” presas que compõem os cachos dos frutos são mergulhadas na água fervente com sal, estando boas para consumo quando se soltam sozinhas. Assim, diretamente após o cozimento, as pupunhas são apreciadas pelas populações locais para o consumo com café pela manhã ou na hora do lanche, substituindo o pão. É frequente, pelas ruas e feiras das cidades amazônicas, a presença de vendedores ambulantes que oferecem a pupunha cozida: enquanto aguardam a condução ou caminham, os paraenses gostam de ir se deliciando com a pupunha, cuja casca é facilmente rasgada pelos dentes.

Além disso, como matéria-prima culinária, a pupunha gera uma série de subprodutos, como doces, vinhos e sorvetes, sendo a farinha de pupunha especialmente utilizada no preparo de bolos e pães. O líquido que escorre pode ser convertido em um apreciado azeite, semelhante ao de oliva, e a polpa pode ser usada como ração animal, substituindo o milho.

Palmito da pupunha

Bastante comercializado, sobretudo no Brasil, o palmito de pupunha vem ganhando espaço no mercado, tornando-se produto de grande demanda e potencial de crescimento, nacional e internacional. Nas últimas décadas, o cultivo da pupunheira para extração de palmito tem alcançado força nos estados do Pará, Acre, Rondônia e Mato Grosso, onde a palmeira já é produzida em escalas consideráveis. Seu cultivo para tal finalidade foi introduzido nos estados da Bahia, Espírito Santo e em várias zonas do estado de São Paulo, sobretudo em locais que abrigam remanescentes da Mata Atlântica, onde tem apresentado excelente desempenho produtivo. Isso porque, embora seja resistente a situações climáticas adversas, como falta de água e pouco sol, a pupunheira cresce e frutifica melhor em locais com alta pluviosidade, tornando-se cultivo rápido e rentável. Na sua região de origem, no Norte do Brasil, crescem os plantios consorciados de pupunha com cupuaçu, castanha-do-brasil e arroz. Por tudo isso, estudos técnicos consideram a pupunheira espécie indicada para compor sistemas de produção estratégicos na recuperação e no fortalecimento econômico de áreas degradadas e desmatadas.

Duas variedades, usos distintos

A pupunheira é encontrada em estado silvestre por toda a Amazônia. Caracteriza-se por apresentar uma série de variedades distintas, das quais se destacam duas principais: com espinhos e sem espinhos, sendo a primeira considerada a original e a segunda, bem mais rara. Acredita-se que essa palmeira inerme seja resultado de um trabalho cuidadoso de seleção artificial feito pelo povo inca, empírica e instintivamente, o que justificaria o fato de essa variedade ser encontrada com mais frequência no Peru. De ambas retiram-se os frutos, que, quando maduros, têm tons que variam entre o amarelo e o vermelho, podendo ser também completamente verdes. Além de carregarem altas doses de proteínas – mais do que o abacate e duas vezes o valor proteíco da banana -, os pequenos frutos são ricos em carboidratos e em vários elementos minerais, como cálcio, ferro e fósforo, tendo também elevado teor de vitamina A. Da árvore sem espinhos, que facilita em muito a colheita dos frutos, retira-se uma pupunha com menos óleo, menos saborosa, porém mais adequado para se fazer farinha.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

A história do murici

Fruta murici cerrado

Nome da fruta: Murici

Nome científico: Byrsonima crassifolia (L.) Rich.

Família botânica: Malpighiaceae

Categoria:

Origem do murici –  Brasil – regiões Norte e Nordeste

Características do murici –  Árvore geralmente com 5 metro de altura, tronco cilíndrico, casca escura, áspera e copa estreita. Folhas verdes e rígidas. Flores de coloração alaranjada, aparecendo de janeiro a março.

Fruto do murici –  Tipo drupa, arredondado, de coloração alaranjada. Polpa carnosa e translúcida e sementes de coloração creme.

Frutificação do murici –  Outono

Propagação do murici – Semente

Os muricis do Brasil são muitos e variados, sendo plantas da família botânica das Malpiguiáceas, à qual também pertence a reputada e vitaminada acerola. Originárias das terras americanas, essas plantas podem ser encontradas por todo o continente e são designadas popularmente, em suas regiões, pelo mesmo nome genérico de murici.

Para demonstrar a grande dispersão dessa frutinha no Brasil, basta verificar a quantidade de localidades batizadas com o seu nome de Murici uma ponta a outra do território nacional. Apenas como exemplo, elas podem ser encontradas desde o Paraná, onde se localiza a Colônia Murici no município de São José dos Pinhais, até Alagoas, onde fica a Estação Ecológica de Murici, no município do mesmo nome, passando pelo município de Murici dos Portelas, no sertão do Piauí.

Grande parte dos muricis é espontânea em praticamente toda a Amazônia e nas áreas remanescentes de Mata Atlântica, onde espécies de porte arbustivo ou arbóreo podem ser encontrados em abundância. Na época da frutificação, a mata verde fica salpicada pelo amarelo da fruta. Mas os muricis não são exclusivos da floresta, sendo, alguns deles, frequentes nas regiões serranas do Sudeste, nos sertões nordestinos, nos cerrados de Mato Grosso e Goiás e no litoral das regiões Norte e Nordeste do país.

Em suas diferentes variedades, os muricis distinguem-se, também, pela coloração das flores e pelos locais onde preferem nascer. Entre tantos outros, podem ser listados: o murici-amarelo, o murici-branco, o murici-vermelho, o murici-de-flor-branca, o murici-de-flor-vermelha, o murici-de-flor-amarela, o murici-da-chapada, o murici-da-mata, o murici-da-serra, o murici-das-capoeiras, o murici-do-campo, o murici-do-brejo e o murici-da-praia.

Conhecido e muito utilizado pelos indígenas nativos desde bem antes da chegada dos europeus à América, tudo leva a crer que foi esse murici mais comum que o viajante Gabriel Soares de Souza encontrou pela primeira vez na Bahia, ainda na metade do século 16. Em sua descrição, ele informa que se tratava de árvore pequena e muito seca que, nascendo em terras fracas, fornecia frutos amarelos e moles, menores do que as cerejas, comestíveis e de sabor e cheiro semelhantes aos do “queijo de Alentejo”.

Entre as frutas regionais brasileiras que costumam aparecer nos pregões matinais dos vendedores ambulantes – em especial, nas capitais da região nordeste – este murici, certamente, tem um lugar de destaque. E, na época da frutificação, ele ocupa espaço equivalente ao destinado à venda de frutas tão importantes como a graviola, o jambo, o caju e a pitomba.

Renato Braga, citado por Pimentel  Gomes, faz uma referência as variadas utilidades que o brasileiro aprendeu a dar ao fruto do murici, muitas delas comuns desde tempos bastante remotos. De acordo com ele, no Nordeste, um dos usos mais comuns para o fruto do murici é o preparo de uma “gororoba muito rica em gorduras e de alto teor nutritivo conhecida como cambica de murici“. O fruto, quando amassado em água, desprende facilmente “a massa carnosa que, dissolvida, é misturada com farinha, adoçada ou não, constituindo-se em um dos recursos alimentares mais importantes para a pobreza dos tabuleiros praieiros“. Além disso, esse primeiro amassado, um pouco mais diluído em água e sem farinha, transofrma-se em gostoso refresco, sendo ingrediente para excelentes sorvetes e doces requintados.

A casca do fruto do murici é, em geral, rica em tanino, sendo costume utilizá-la em curtumes e com adstringente na medicina popular. Além do uso alimentar, os frutos carnosos são também usados no auxílio ao combate de diarréias e na aromatização de aguardentes de cana.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

A história do Veludo

Nome da fruta – Veludo

Nome científico – Chomélia martiana Muell Arg.

Família botânica – Rubiaceae

Categoria

Origem – Brasil

Características da planta – arbusto armado de espinhos com até 6 metros de altura e ramos flexíveis. Tronco de casca fina e lisa. Folhas com pilosidade na parte inferior. Flores pequenas de coloração creme, aromáticas. Comestíveis também para a avifauna.

Fruto – Tipo drupa, globosa, superfície aveludada preta, polpa aquosa, adocicada envolvendo uma semente.

Frutificação – Verão

Propagação – Semente

A história do veludo

O veludo é fruto que se reveste de pêlos e de modéstia. Árvore simples e pequena, que raramente alcança mais de 8 metros de altura, tem na precisão do nome sua maior peculiaridade. As folhas, de um verde pálido, são aveludadas. Os frutos, de um verde que vai ganhando uma coloração creme ou então vermelha e depois negra, à medida que amadurecem, também são completamente cobertos de finos pêlos. Docinho, porém de pouca polpa, são comidos avidamente pelas aves, que disseminam com afinco sua única semente, de fácil germinação.

Os homens pouco se interessam pelo veludo, a não ser para utilização da madeira fácil de trabalhar de seu tronco curto e fino: os caules são tão finos que dobram sobre o próprio peso.

A planta, no conjunto, tem também qualidades ornamentais. Mas, mesmo nisso, a modéstia permanece como sua principal característica. Pelo tamanho reduzido do veludo, serve para arborizar ruas e canteiros no lugar de árvores mais frondosas, sendo também apropriada para locais nas proximidades de redes elétricas.

Frequente à beira dos rios, nas matas ciliares, encontra-se principalmente nas zonas de transição entre Mata Atlântica e o Cerrado. Da família das Rubiáceas, o veludo é parente esquecido de um fruto muito famoso e cobiçado: o café.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas