Arquivo da tag: flor

A história do cacau

Nome da fruta – Cacau

Nome científico – Theobroma cacao L.

Família botânica – Sterculiaceae

Categoria

Origem – Brasil – região amazônica

Características do cacaueiro – Árvore geralmente com 6 metros de altura. Folhas grandes e pendentes. Flores pequenas, de coloração alva, amarela ou rósea, reunidas em inflorescências que surgem no caule.

Fruto do cacaueiro – O cacau é um fruto tipo cápsula, de forma alongada, com sulcos longitudinais, de coloração amarelo-esbranquiçada até vermelho-escura. Polpa mucilaginosa, de coloração alva ou rósea, envolvendo numerosas sementes.

Frutificação do cacaueiro – Duas vezes ao ano, sendo mais intenso no outono e primavera.

Propagação do cacaueiro – Semente

O cacau é fruto de origem e destino nobre. Seu nome vem de uma lenda asteca antiga que conta a história de Quetzalcoate, deus agricultor asteca que ensinou seu povo a cultivar e a utilizar o cacaueiro. Manjar dos deuses, ou “theobroma” em grego: foi esse o nome escolhido, em 1737, pelo botânico sueco Carl von Linneu, para denominar a espécie de frutos à qual pertence o cacau e que também incluiu seu parente amazônico, o famosos cupuaçu e outras tantas frutas silvestres.

Antes da chegada dos europeus à América, no final do século 15, apenas os povos maia e asteca, habitantes da zona compreendida entre o México e a América Central, utilizavam o cacau de maneira completa e sistemática.

Segundo Clara Inés Olaya, o processo utilizado por esses povos antigos consistia basicamente no seguinte: primeiro, as amêndoas do fruto maduro do cacau eram retiradas e colocadas para secar ao Sol por alguns dias. Após a secagem, as amêndoas eram torradas. Depois, eram moídas e remoídas seguidas vezes em moinhos manuais de pedra. Nesse processo, acrescentava-se água, pouco a pouco, até que se formasse uma pasta espessa da fruta. Essa pasta era ainda batida para se transformar numa espécie de bolo firme, que podia ser armazenado e transportado.

Assim, o cacau – puro ou misturado com outros ingredientes, aromas e temperos – transformava-se na bebida que ficou conhecida como chocolate. Com a adição do açúcar e das especiarias asiáticas, essa bebida encontrou ainda mais admiradores e ganhou o mundo.

O fruto do cacaueiro e os produtos dele obtidos estiveram sempre, nos últimos dois mil anos da história ocidental, intimamente ligados ao poderio econômico e à satisfação de prazeres sofisticados.

Para os povos maia e asteca, o cacau foi objeto de culto, riqueza e poder. Esses povos aprenderam a domesticar e a cultivar a planta, dando valor de moeda à sua amêndoa. E, com ela, inventaram o chocolate, bebida considerada afrodisíaca. Verdadeira árvore de frutos de ouro – ouro vegetal – o cacaueiro significou poder e riqueza para os espanhóis que chegaram à América. Introduzido por representantes da Igreja Católica na Europa, o chocolate foi objeto de desejo, intrigas e mistérios nas cortes europeias, já a partir do início do século 16. O cacau foi também, pouco mais tarde, objeto de contrabando e pirataria de navegadores holandeses e ingleses, sempre em busca de grandes lucros.

Na Europa do final do século 17, o consumo do chocolate como bebida generalizou-se, ampliando consideravelmente a demanda pela produção de cacau. No entanto, foi apenas no início deste século que o suíço Lindt desenvolveu as máquinas e as técnicas necessárias para a produção industrial da pasta sedosa, maleável, quase líquida, que endurece tomando a forma do recipiente em que é colocada. Daí em diante, o chocolate converte-se numa guloseima que movimenta uma das mais importantes e ricas indústrias do mundo moderno.

No Brasil, mais precisamente no sul da Bahia, as primeiras sementes de cacau para cultivo em larga escala foram introduzidas apenas no século 18. Logo descobriu-se que o clima e o solo da região eram excepcionais para a disseminação de grandes plantações de cacau.

Desde o século seguinte, por quase 150 anos, o cacau transformou-se em símbolo de poder e riqueza entre os “coronéis” que foram se instalando em ricas fazendas na região de Ilhéus e de Itabuna. Ali, a busca do ouro terminaria à sombra dos cacauais. Nesse período, o Brasil tornou-se o maior produtor e exportador de cacau do mundo, dominando praticamente todo o mercado internacional.

A saga do cacau transformou a paisagem da região: nasceram belíssimos cacauais, bem formados, limpos e sombreados, com árvores repletas de frutos amarelos e vermelhos; desenvolveram-se cidades e portos movimentados, de vida cultural e intensa e protagonistas de muitas histórias de amor e ódio. Por muito tempo, no sul da Bahia, o cultivo do cacau permaneceu como uma atividade bastante rentável.

Porém, as últimas décadas do milênio assistiram à decadência da produção cacaueira no sul da Bahia. Entre os principais motivos desse processo destacam-se: a queda e a oscilação do preço do cacau no mercado internacional, a concorrência com produtores dos países africanos, com destaque para Gana, a falta de investimentos em técnicas modernas de plantio e, principalmente, a praga conhecida como “vassoura-de-bruxa”, que infestou as plantações baianas. O conjunto desses problemas provocou um grande impacto social negativo, com o total desequilíbrio econômico e ambiental da região.

Embora a produção tenha se reduzido drasticamente, em virtude da falta de tecnologias para o controle da praga e do abandono das propriedades rurais, antigas produtoras de cacau, o Brasil continua na lista dos principais exportadores do mundo. Só que agora ele é produzido também em outras paisagens: na Amazônia, nos estados do Pará e de Rondônia e no Sudeste do país.

Subprodutos anteriores à produção do chocolate, tais como a manteiga e o óleo extraídos por pressão das amêndoas do cacau e os resíduos dessa extração, são também componentes muito importantes na industria cosmética e farmacêutica. Além disso, com a polpa  esbranquiçada que envolve as amêndoas do cacau, pode ser feito, industrializado e congelado um delicioso e nutritivo suco, sem prejuízo para o seu processamento posterior.

Dados do Ministério da Agricultura, informam que, no Brasil, as exportações de cacau e de seus derivados aumentaram mais de 50% em 2003, saltando de 206 milhões de dólares em 2002 para 321 milhões no ano seguinte.

Porém, nem bem o Brasil começa a se recuperar do baque da “vassoura-da-bruxa”, e todas as plantações do país já começam a se precaver do ataque de outra praga proveniente do estrangeiro: a ameaça da monília, cujos efeitos sobre os frutos do cacaueiro são ainda mais devastadores.

Variedades nativas e silvestres de cacau

Sabe-se hoje que o cacau é originário do continente americano, provavelmente das bacias dos rios Amazonas e Orenoco, de onde se espalhou. Especialmente na região amazônica, em meio às matas densas da floresta tropical, ainda se encontram variedades nativas da mesma espécie, em estado silvestre. Assim como seus parentes mais famosos, a maioria das sementes dos frutos do gênero theobroma dá excelente chocolate.

Nome da fruta – Cacaurana

Nome científico – Theobroma bicolor Humb. & Bompl.

Origem – México, América Central e América do Sul

A cacaurana floresce em árvores bem diferentes do cacaueiro comum. Bastante altas, elas chegam a mais de 20 metros de altura e produzem um fruto amarelo-esverdeado totalmente reticulado. A cacaurana oferece muito pouco o que comer, sendo raramente comercializada.

Nome da fruta – Cacauí

Nome científico – Theobroma speciosum Willd. ex Spreng.

Origem – Região amazônica até América Central

O cacauí, como a cacaurana, também é amarelo e sulcado. Nasce em árvores um pouco menores que ela, chegando a 10 metros de altura. Os frutos, no entanto, desenvolvem-se na parte mais baixa do tronco. Destaca-se, no cacauí, a beleza de suas flores, de um tom carmim avermelhado, muito vivo, que ficam compostas ao longo de todo o tronco da árvore, desde a base. Segundo Paulo Cavalcante, elas exalam um forte odor capim-santo, também conhecido como capim-de-cheiro, capim-limão ou capim-cidreira.

Nome da fruta – Cupuí

Nome científico – Theobroma subincanum Mart.

Origem – Brasil – região amazônica

O cupuí encontra-se por toda a Amazônia, geralmente habitando as margens dos igarapés em meio à mata virgem. É muito semelhante ao cupuaçu, apenas de tamanho menor, tendo herdado de seu parente mais famoso a casca resistente espessa. Apesar de terem pouca polpa, são os frutos prediletos dos macacos da floresta.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

A história da carambola

Nome da fruta – Carambola

Nome científico – Averrhoa carambola L.

Família botânica – Oxalidaceae

Categoria

Origem – Ásia

Características da caramboleira – Árvore de até 8 metros de altura, tronco tortuoso com ramos flexíveis. Folhas formam copa densa. Flores pequenas, pétalas alvas e púrpuras no centro.

Fruto da caramboleira – A carambola é uma fruta tipo baga, alongada e oval, com cinco gomos salientes, de coloração amarelo-ouro, translúcido na maturação. Polpa comestível, carnosa, ácida, que envolve duas sementes pequenas em cada gomo.

Frutificação da caramboleira – Primavera e verão

Propagação da caramboleira – Semente

A carambola é originária da Ásia Tropical, da região da Malásia e parte da Indonésia. Segundo Pio Corrêa, apesar de nunca ter sido encontrada em estado silvestre, sua pátria deve ser, provavelmente, a Índia.

Atualmente, a caramboleira é cultivada nos trópicos em ambos os hemisférios. De acordo com Ivo Manica, além do Brasil, onde se destacam alguns municípios do interior de São Paulo (como Mirandópolis, Cendral e Guaiçara) e estados nordestinos (do Vale do Rio São Francisco), constam como grandes produtores de carambola no mundo a Guiana, a Malásia e os Estados Unidos (nos estados da Califórnia, Flórida e Havaí).

No Brasil, a caramboleira parece ter sido introduzida em 1817, na região do Nordeste, mais precisamente em Pernambuco. Dali, a árvore teria se espalhado por todo o litoral brasileiro, podendo ser encontrada produzindo desde o Pará até o Rio Grande do Sul, em locais onde não ocorram geadas.

No Brasil, no entanto, de maneira geral, a carambola permanece sendo considerada como uma fruta de quintais e pomares caseiros.

Apesar do seu potencial comercial – tanto para o consumo ao natural como para a produção industrial de geleias e compotas -, o cultivo da carambola em grande escala ainda é bem menor do que poderia ser. O que é um desperdício, dadas as qualidades nutritivas e a generosidade da fruta e da fruteira.

Hoje, existem muitos cultivares de carambola em produção no mundo, gerando frutos de qualidades e tamanhos diferentes. Alguns deles, mais doces, são apropriados para o consumo ao natural e outros, mais ácidos, destinam-se à produção industrial, variando também de acordo com o mercado consumidor ao qual se destinam. Segundo Ivo manica, os mercados asiáticos (especialmente Hong Kong e Cingapura), que são os maiores consumidores de  carambola do mundo, preferem os frutos maiores e maduros, enquanto os europeus escolhem as carambolas pequenas e levemente verdes.

A carambola tem muitos apreciadores cativos. Além do consumo ao natural, sozinha ou associada a outras frutas, presta-se à confecção de deliciosas geleias, doces (desidratados ou compotas), sucos, sorvetes e como ingrediente para coquetéis de sabor tropical e refrescante, sendo também ingrediente para saladas e molhos. Quando verde, elas podem ser conservas salgadas, do tipo picles, o que lhes confere um sabor exótico e uma aparência decorativa.

A fruta é bastante rica em sais minerais (cálcio, fósforo e ferro), contendo ainda vitaminas A e C, além de ser, também, fonte natural de ácido oxálico. Por efeito desse ácido, o caldo da carambola é usado, popularmente, para eliminar ou atenuar manchas de ferrugem em panos e em objetos de metal.

Alimento em forma de flor

A caramboleira é árvore ornamental, sobretudo na época da floração e da frutificação. Tanto a árvore como as suas flores e frutos possuem o dom da beleza e do encantamento.

Quando a caramboleira cresce e ganha idade, ocorre, às vezes, de seus galhos – bastante flexíveis e de espessa folhagem – tocarem o chão, quase escondendo o tronco. Antes de se transformarem em belos frutos, as pequenas flores da caramboleira, de cor violeta no centro e esbranquiçadas nas bordas, cobrem toda a árvore, ajuntando-se aos montinhos. Essas flores, além de encantar os olhos, são também agradáveis ao paladar, sendo utilizadas, em alguns países, como ingredientes e tempero de saladas.

Carambola, a fruta estrela

A carambola é uma fruta bonita, curiosa e diferente. Desde muito pequenina, como miniatura de cera, ela mantém a forma delicada que lhe é peculiar. Sempre com cinco gomos longitudinais bastante pronunciados, o fruto da caramboleira, quando cortado no sentido transversal, adquire o aspecto de uma perfeita estrela de cinco pontas. A coloração da casca vai do verde-claro ao amarelo-gema, dependendo do grau de maturação da fruta, dando a impressão de que ela é translúcida. A polpa da carambola é, em geral, abundante e de consistência rígida. O sabor da carambola pode variar muito, de árvore para árvore e de fruto para fruto, mas costuma ser adocicado quando amadurece e um tanto ácido e adstringente quando ainda verde.

Bilimbi

Nome científico – Averrhoa bilimbi L.

Origem – Ásia

Bilimbi é uma fruta muito próxima da carambola, sendo fruto de plantas do mesmo gênero e família. Pouco menor do que a sua parente mais bonita e um pouco mais esverdeado, o bilimbi difere da outra basicamente pelo formato mais alongado e por não apresentar o conhecido aspecto de estrela tão definido.

Na verdade, tanto seu sabor como a aparência lembram os de um pequeno pepino. A polpa firme e o suco abundante do bilimbi contêm também altos teores de vitamina C e de ácido oxálico. Verde ou maduro, ao contrário da carambola, o bilimbi é muito ácido e amargo para ser comido cru. Processado, salgado ou doce, o bilimbi tem os mesmo usos que a carambola. Como a caramboleira, supõe-se que ele deva ser originário do Sudeste Asiático, das ilhas da região da Malásia, onde até hoje é bastante produzido e comercializado. O bilimbi se aclimatou-se muito bem na Amazônia. Acredita-se que tenha sido introduzido via Caiena, nas Guianas, explicando-se, por esse motivo, o nome “limão-de-caiena” pelo qual é conhecido por ali.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

Pupunha

Nome do fruto: Pupunha

Nome científico: Bactris gasipaes Kunth

Família botânica: Arecaceae (Palmae)

Categoria:

Origem: Brasil – região amazônica

Características da planta: Palmeira geralmente com 20 metros de altura, inicialmente isolada, com o tempo forma touceiras. Estipe recoberto por anéis de espinhos negros que também podem ocorrer nas bainhas, nervuras das folhas e ráquis da inflorescência. Folhas longas, flores de sexos separados, de coloração e tamanho semelhantes, que aparecem num mesmo cacho.

Fruto: Tipo drupa, cônico, de coloração amarela ou vermelha quando maduro, de casca fina, aderente ou não à polpa de coloração amarelada ou alaranjada.

Frutificação: Quase o ano todo

Propagação: Semente

Diz-se que, como fonte de alimento e comida, a pupunha teve, para civilizações de tempos pré-colombianos, a mesma importância do arroz para os asiáticos e do trigo para os povos mediterrâneos. Até hoje, para diversas tribos indígenas amazônicas ela ainda conserva essa importância.

A fruta – na verdade o fruto de uma palmeira – era considerada pelos incas um dos presentes da natureza mais valiosos para a sobrevivência humana, tanto nas cordilheiras como na floresta. Conta Clara Inés Olaya que, nos idos do século 16, chegados os espanhóis ao continente americano, uma das estratégias para subjugar os povos indígenas era justamente destruir as palmeiras de pupunha, privando os nativos de seu principal alimento.

Para os povos daquela época, pelas zonas florestais chuvosas desde a região da atual Costa Rica até a Bolívia, alcançando o Centro-Oeste brasileiro, ainda segundo Olaya, a pupunha era sua comida, sua bebida, sua morada. Com ela constríam armas de defesa e de caça; era também a referência de seu calendário, um dos símbolos máximos de sua relação com a natureza. Alimento quase exclusivo de setembro a dezembro, a pupunha ainda era utilizada como farinha para a sobrevivência em meses de escassez.

Segundo historiadores, os nativos celebravam festivamente a época de colheita da pupunha e faziam dela uma bebida alcoólica ainda hoje apreciada: a “chicha”.

Mas os indígenas não se limitavam à exploração do fruto e aproveitavam à exaustão também as outras partes da palmeira: o estipe de madeira negra e dura era material para todo tipo de instrumento e artefato; e, de seu broto terminal, aproveitava-se o palmito.

Hoje, a julgar pela importância comercial relativa que a planta alcança na região amazônica, esse aproveitamento completo se mantém, mas, de forma diferente. Além do fruto e do palmito, a palmeira como um todo é bastante usada em paisagismo. Sua raiz constitui um bom vermicida e a madeira continua sendo utilizada na construção de casas e objetos. As largas folhas ainda cobrem habitações rústicas e servem como material para a tecedura de cestas e balaios.

A pupunha é um dos frutos tropicais mais balanceados e nutritivos conhecidos e seu consumo é hábito regional. Atualmente, na Amazônia os cachos coloridos de verde, amarelo e vermelho são facilmente encontrados à venda por toda a região. E, assim como no passado, os frutos da pupunheira continuam sendo consumidos de diferentes formas.

As “linhas” presas que compõem os cachos dos frutos são mergulhadas na água fervente com sal, estando boas para consumo quando se soltam sozinhas. Assim, diretamente após o cozimento, as pupunhas são apreciadas pelas populações locais para o consumo com café pela manhã ou na hora do lanche, substituindo o pão. É frequente, pelas ruas e feiras das cidades amazônicas, a presença de vendedores ambulantes que oferecem a pupunha cozida: enquanto aguardam a condução ou caminham, os paraenses gostam de ir se deliciando com a pupunha, cuja casca é facilmente rasgada pelos dentes.

Além disso, como matéria-prima culinária, a pupunha gera uma série de subprodutos, como doces, vinhos e sorvetes, sendo a farinha de pupunha especialmente utilizada no preparo de bolos e pães. O líquido que escorre pode ser convertido em um apreciado azeite, semelhante ao de oliva, e a polpa pode ser usada como ração animal, substituindo o milho.

Palmito da pupunha

Bastante comercializado, sobretudo no Brasil, o palmito de pupunha vem ganhando espaço no mercado, tornando-se produto de grande demanda e potencial de crescimento, nacional e internacional. Nas últimas décadas, o cultivo da pupunheira para extração de palmito tem alcançado força nos estados do Pará, Acre, Rondônia e Mato Grosso, onde a palmeira já é produzida em escalas consideráveis. Seu cultivo para tal finalidade foi introduzido nos estados da Bahia, Espírito Santo e em várias zonas do estado de São Paulo, sobretudo em locais que abrigam remanescentes da Mata Atlântica, onde tem apresentado excelente desempenho produtivo. Isso porque, embora seja resistente a situações climáticas adversas, como falta de água e pouco sol, a pupunheira cresce e frutifica melhor em locais com alta pluviosidade, tornando-se cultivo rápido e rentável. Na sua região de origem, no Norte do Brasil, crescem os plantios consorciados de pupunha com cupuaçu, castanha-do-brasil e arroz. Por tudo isso, estudos técnicos consideram a pupunheira espécie indicada para compor sistemas de produção estratégicos na recuperação e no fortalecimento econômico de áreas degradadas e desmatadas.

Duas variedades, usos distintos

A pupunheira é encontrada em estado silvestre por toda a Amazônia. Caracteriza-se por apresentar uma série de variedades distintas, das quais se destacam duas principais: com espinhos e sem espinhos, sendo a primeira considerada a original e a segunda, bem mais rara. Acredita-se que essa palmeira inerme seja resultado de um trabalho cuidadoso de seleção artificial feito pelo povo inca, empírica e instintivamente, o que justificaria o fato de essa variedade ser encontrada com mais frequência no Peru. De ambas retiram-se os frutos, que, quando maduros, têm tons que variam entre o amarelo e o vermelho, podendo ser também completamente verdes. Além de carregarem altas doses de proteínas – mais do que o abacate e duas vezes o valor proteíco da banana -, os pequenos frutos são ricos em carboidratos e em vários elementos minerais, como cálcio, ferro e fósforo, tendo também elevado teor de vitamina A. Da árvore sem espinhos, que facilita em muito a colheita dos frutos, retira-se uma pupunha com menos óleo, menos saborosa, porém mais adequado para se fazer farinha.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas