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A história do pêssego

Nome da fruta – Pêssego

Nome científico – Prunus persica (L.) Batsch

Família botânica – Rosaceae

Categoria – Doce

Origem – China

Características do pessegueiro – Árvore geralmente de até 8 metros de altura. Folhas simples, alternas, lanceoladas, serreadas, glabras. Flores vistosas, arroxeadas.

Fruto do pessegueiro – O pêssego é um fruto tipo drupa, globoso, casca recoberta por uma pilosidade esbranquiçada, de coloração amarelo-avermelhada. Polpa comestível, suculenta, carnosa, adocicada, envolvendo uma semente.

Frutificação do pessegueiro – Primavera e verão

Propagação do pessegueiro – Enxertia

O pêssego, com sua pele aveludada e coloração pálido-cremosa sombreada em vermelho, tem uma beleza sincera: não decepciona aquele que decide degustá-lo. Aspecto e sabor, aliás, dividem os louros na história dessa fruta.

Por um lado, fruta predileta histórica da nobreza, perfilam-se reis, rainhas, imperadores e duques encantados pelo sabor suave e sumarento de sua polpa, igualmente aveludada no julgamento das papilas gustativas. Por longo tempo, na Europa, o pêssego foi vendido como especiaria rara a preços altíssimos.

Por outro, também na história da arte o pêssego teve lugar de destaque: o pintor impressionista Auguste Renoir, no século 19, com frequência o utilizava como modelo para exercitar-se na pintura de seios femininos, copiando-lhes as formas harmônicas e perfeitas, assim como as cores, que se assemelham às das pele feminina jovem. E ensinava o truque a seus alunos, dizendo que, se quisessem pintar seios como ele os fazia, deviam, primeiro, dedicar-se a naturezas-mortas que incluíssem conjuntos de pêssegos. Para agregar beleza a esses exercícios, podiam incluir também as flores roxas e brancas do pessegueiro.

Mas a história da fruta remonta tempos mais remotos. Na China, país de onde é originário e, ainda hoje, seu principal produtor mundial, o pêssego é cultivado há pelo menos 4 mil anos. Saindo de lá, realizou grandes trajetos e expandiu-se pelo mundo, fazendo uma primeira escala na Pérsia, atual Irã.

Plantação com frutos em saquinhos

Por sua delicadeza, o cultivo do pêssego reivindica diversos cuidados especiais. Ainda na árvore, antes da completa maturação, cada fruta precisa ser cuidadosamente envolta em saquinhos protetores contra o ataque de insetos e pássaros. Na colheita do pêssego, também cuidadosa, as frutas devem ser retiradas do pé, para que não se machuquem. Se não forem consumidos ao natural em pouco tempo, ou se não forem congelados, convém transformá-los em polpa ou compota. Aliás, o pêssego é muito mais consumido em conserva do que ao natural.

No Brasil, o pessegueiro, essa pequena árvore que poucas vezes alcança os 8 metros de altura, chegou em torno do ano 1530, para se estabelecer com graça e discrição na capitania de São Vicente, a partir de mudas provenientes da Ilha da Madeira. Foi só na década de 1970, entretanto, que o pêssego passou a ser cultivado em escala comercial.

Atualmente, a fruta encontra-se difundida com força por toda a região Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul, mas também em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, embora em menor quantidade.

Praticamente toda a produção brasileira destina-se ao mercado interno e, embora em 2002 a safra tenha alcançado a cifra de 220 mil toneladas, o Brasil continua tendo necessidade de importar a fruta. Ocupando o 13° posto na lista entre os maiores produtores mundiais da fruta, na América Latina o Brasil só compete com a Argentina e o Chile (oitavo e nono colocados, respectivamente), segundo informações da Embrapa. Atualmente, a China é o maior produtor mundial de pêssegos e nectarinas, sendo seguida pela Itália, Estados Unidos e por alguns países da União Européia (Espanha, Grécia e França).

Não é difícil, portanto, deduzir quais as condições climáticas que essa fruta prefere para produzir bem. Cultivado, sobretudo em locais altos, como serras e planaltos, são os ares mais frios, ao menos durante boa parte do ano, que mais agradam ao delicado pêssego.

São vários os produtos derivados do pêssego, tais como geleias, polpas para a aromatização de sorvetes e iogurtes, doces (em pasta, em calda, secos, cristalizados ou de cortar, a famosa pessegada) e sucos, estes últimos industrializados em larga escala. Todos eles apresentam como excelentes opções para a preservação de suas qualidades nutricionais, quando não é mais possível o consumo ao natural.

Do pêssego, existem inúmeros cultivares utilizados de acordo com as condições climáticas e de solo dos locais de plantio. Quanto às variações na aparência, os pêssegos podem ser separados entre aqueles que têm polpa mais esbranquiçada e os que têm polpa amarelada. Ambos podem, ainda, ser subdivididos entre aqueles que têm o caroço solto e os que têm caroço preso à polpa.

Mais ou menos suculentas, todas as variedades têm, contudo, o mesmo sabor peculiar que faz do pêssego uma das frutas mais procuradas e valorizadas em todo o mundo.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

A história do cupuaçu

Nome da fruta – Cupuaçu

Nome científico – Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng.) K. Schum.

Família botânica – Sterculaceae

Categoria – Ácida

Origem – Brasil – região amazônica

Características do cupuaçuzeiro – Árvore geralmente com 15 metros de altura, ramos flexíveis. Folhas longas, de coloração ferrugínea na face interior e verde na face superior. Flores vistosas, alvas, reunidas em inflorescências presas diretamente ao tronco.

Fruto do cupuaçuzeiro – O cupuaçu é um fruto tipo baga, oval ou alongado, geralmente com cerca de 25 cm de comprimento. Casca dura, lisa, lenhosa, revestida de indumento ferrugíneo. Sementes envoltas por polpa abundante, branca, levemente fibrosa, ácida e muito aromática.

Frutificação do cupuaçuzeiro – Dezembro a abril

Propagação do cupuaçuzeiro – Semente

O cupuaçu é uma fruta exagerada: grande, pesada, perfumadíssima. As folhas de sua árvore são compridas; as sementes são muitas e também grandes, envoltas em uma polpa branca, ácida e de aroma bastante forte e agradável. Para o olfato de alguns, o cheiro do cupuaçu é tão forte que chega a ser um pouco enjoativo.

Quando maduro, o que ocorre nos meses chuvosos entre dezembro e abril, o cupuaçu simplesmente cai. Nos cultivos comerciais, a coleta tem de ser feita no momento certo, um pouco antes dessa maturação; caso contrário, ao despencar da árvore, a fruta estraga.

Com a polpa refrescante do cupuaçu fazem-se doces de variados tipos, uma verdadeira confeitaria composta por mais de uma centena de receitas diferentes: sucos, refrescos e sorvetes; licores e aguardentes temperados; cremes, gelatinas, espumas, musses e pudins; tortas, bolos, pavês, biscoitos e coberturas para outros doces; compotas e geleias; doces de colher, de cortar e cristalizados. Mas talvez o doce mais famoso seja o bombom de cupuaçu: o doce consistente, em ponto de enrolar, é recoberto por uma camada de chocolate feita de massa de brigadeiro e, depois, é passado por uma calda, também de chocolate.

Polpa do cupuaçu

A polpa do cupuaçu, carnuda e forte, por sua acidez não se presta ao consumo ao natural. Do fruto, partido ao meio, normalmente removo-se toda a polpa que envolve as sementes com auxílio de uma tesoura. Os resíduos que ficam nas sementes também são aproveitados, quando as sementes são lavadas. Depois de processada, batida ou em pedaços, a polpa do cupuaçu é congelada, podendo ser comercializada a longas distâncias.

Muito próximo do cacau, o cupuaçu carrega, como ele, o nome “Theobroma” que significa manjar dos deuses. Se, externamente, ele é muito diferente do cacau, hoje em dia já se sabe que, das gordurosas sementes ou amêndoas que carrega dentro de si, é possível extrair uma pasta semelhante àquela com que se produz o chocolate e a manteiga de cacau. Para isso é preciso, primeiro, deixar fermentar, secar, torrar e, por fim, quebrar as sementes do cupuaçu, o que pode ser feito em processos industriais ou artesanais.

Hoje, o chocolate de cupuaçu, também chamado de “cupulate”, pode ser encontrado em diversas capitais do país e no exterior, onde tem tido excelente aceitação e procura. Trata-se, na verdade, de um produto que se enquadra perfeitamente na onda internacional pela busca de produtos naturais amazônicos, ainda mais quando produzidos em sistemas orientados para o desenvolvimento socioambiental auto-sustentável. Como reflexo, ampliou-se o número de pessoas animadas com o seu cultivo, e, em algumas regiões, o cupuaçu está sendo tratado como o verdadeiro “chocolate branco”.

O sucesso e o potencial comercial da fruta e de suas sementes são tão grandes que empresas japonesas e norte-americanas já estão atuando em concorrência com os produtores nacionais. Além disso, a exploração do cupuaçu e do cupulate, assim como a de outros produtos amazônicos nativos do Brasil, vem sendo alvo de uma disputa internacional de patentes, tanto de nomes como de processos de beneficiamento, envolvendo diferentes países.

O cupuaçuzeiro

A árvore onde nasce o cupuaçu pode ser encontrada espontaneamente nas partes sul e nordeste da Amazônia e, em particular, na região nordeste do Maranhão, estando atualmente disseminada por toda a bacia amazônica do Brasil e dos países vizinhos.

Quando silvestre, o cupuaçuzeiro prefere as florestas de terra firme, onde chega a ultrapassar 20 metros de altura. Uma modificação importante introduzida no pomares voltados para a produção em escala comercial é a condução do crescimento da árvore, ou sua domesticação. O objetivo é não permitir que a árvore do cupuaçu cresça para cima, criando galhos e ramos mais baixos e esparramados para os lados, facilitando a colheita.

No Japão, por exemplo, esse chocolate está sendo produzido e comercializado a partir de sementes de cupuaçu exportadas da Amazônia. O ideal, no entanto, para obter melhores preços, é continuar produzindo o cupulate em terras brasileiras para, depois, exportá-lo.

Em Nova Califórnia e Extrema, no limites entre os estados do Acre e Rondônia, um grupo de agricultores organizou-se para cultivar cupuaçu em escala comercial. Plantando em consórcio com a pupunha – palmeira que, além de dar sombra de que o cupuaçu necessita, ainda fornece o coco e o palmito para alimentação humana, gordura para sabão, farinha e ração para a criação – o cupuaçu está sustentando inúmeras famílias.

Em toda a região, capitais, cidades ou vilarejos, é raro encontrar uma residência que não possua um ou mais pés de cupuaçu em seu pomar.

Sendo árvore de fácil adaptação, pode ser encontrada em cultivo até mesmo no Espírito Santo e em São Paulo, onde alcança, porém, um tamanho reduzido. Entre as frutas tropicais nativas da Amazônia, certamente o cupuaçu é a que reúne as melhores condições para o cultivo comercial tendo em vista os lucros obtidos com seu subprodutos – polpa e semente.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

A história do açaí

 

Nome da fruta – Açaí

Nome científico – Euterpe oleracea Mart.

Família botânica – Arecaceae (Palmae)

Categoria

Origem do açaizeiro – Brasil – Região Amazônica, Colômbia, Venezuela, Equador e Guianas.

Características do açaizeiro – Palmeira de estipe  delgado e elegante, geralmente com até 25 metros de altura. O açaizeiro forma touceiras, o que a difere do palmito-doce, Euterpe edulis Mart., da Mata Atlântica, que apresenta estipe simples. Folhas finamente recortadas, de coloração verde-escura, atingindo cerca de dois metros de comprimento. Flores pequenas, amareladas, agrupadas em cachos pendentes.

Fruto do açaizeiro – O açaí é um fruto tipo baga, arredondado ou oval, de coloração violácea quase negra, quando maduro, reunidos em cachos. O açaí tem uma polpa comestível, envolvendo a semente.

Frutificação do açaizeiro – Praticamente o ano inteiro, mais intensamente de outubro a janeiro.

Propagação do açaizeiro – Semente

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A história do açaí

As populações ribeirinhas do baixo Amazonas, desde Santarém até a ilha de Marajó, sabem que podem contar com essa palmeira alta e  esguia para o sustento e a nutrição de suas famílias praticamente ao longo de todo o ano, rareando apenas entre dezembro e janeiro, no auge do verão.

Do açaizeiro tudo se aproveita: frutos, folhas, raízes, palmito, tronco e cachos frutíferos. As folhas do açaizeiro são usados na cobertura das casas; suas fibras, na arte de tecer chapéus, esteiras, sacolas e rasas – cestas usadas como medida padrão na atividade extrativista em praticamente toda a Amazônia. A madeira de seu estipe, quando seca, transforma-se em toras bastante duráveis e resistentes às pragas e aos insetos, sendo muito utilizada na construção de casas, pontes e trapiches. Até mesmo os cachos secos do açaizeiro, após a extração dos frutos, são aproveitados como vassouras.

A coleta do açaí

Apesar do açaizeiro frutificar praticamente o ano todo, sabe o nativo que, quando a cigarra – “a mãe do Sol” – canta na boca do verão anunciando a estação seca, começa a melhor safra do açaí. E é ele quem vai subir no alto das delgadas palmeiras, que chegam a 20 metros de altura, para extrair os cachos maduros inteiros e carregados dos coquinhos negros.

Com muita destreza, força e equilíbrio, o apanhador escala a palmeira do açaí até atingir o alto, auxiliado apenas pela peconha – espécie de alça feita com palhas do próprio açaizeiro – que lhe prende os pés e lhe serve de apoio na subida. Lá em cima, após cortar apenas os cachos no ponto ideal – fala-se tuirá, quando as frutas estão pretinhas com a casca esbranquiçada -, o coletador começa a balançar o fino estipe em pêndulo até alcançar outra palmeira próxima. Ali mesmo ou na embarcação à espera na beira do Igarapé, os cachos são esbagoados e os frutos armazenados em cestos denominados rasas e paneiros, cuidadosamente fechados com as folhas da própria palmeira.

O açaizeiro é também fonte generosa na medicina popular: os frutos novos são utilizados no combate aos distúrbios intestinais; as raízes, empregadas como vermífugos; o palmito, em forma de pasta, atua como anti-hemorrágico quando aplicado após extrações dentárias.

Mas do açaizeiro aproveita-se, especialmente, o açaí, um coquinho arroxeado, quase negro quando maduro. É desse pequeno coco que se extrai, por maceração, o tradicional e bastante apreciado “vinho ou suco de açaí”. Transformado em suco ou vinho, o coco do açaizeiro, o açaí, possui um grande mercado em toda a região amazônica, alcançando uma cifra de consumo fabulosa, estimada entre 200 toneladas de açaí por dia apenas no Estado do Pará.

Touceiras ou reboladas de açaí

O açaizeiro, palmeira típica da região tropical brasileira, é parte indissociável da paisagem florestal amazônica.

O açaí desenvolve-se bem tanto em terras firmes como em várzeas sujeitas a inundações periódicas, desde que haja renovação constante das águas. Cultura perene e ribeirinha, o açaizeiro torna-se importante, também, na proteção do solo em condições tropicais de grande pluviosidade.

Uma das características principais da palmeira açaí é o fato de seu crescimento ocorrer em touceiras ou reboladas, na linguagem popular, que podem chegar a agrupar na mesma moita uma média de 20 palmeiras de idades e vigor diversos.

O açaí tem de ser processado diariamente em virtude de sua rápida fermentação, uma vez que não resiste mais do que 48 horas mesmo quando bem refrigerado. Assim, todos os dias, sete dias por semana, antes de clarear completamente  a manhã, os calçadões próximos ao Mercado Ver-o-Peso, na capital paraense, ficam tomados por cestos, sacos e latas repletos de açaí, provenientes das regiões interioranas. É a Feira do Açaí.

Depois de vendido no mercado, o açaí vai ser transformado em suco. Postos em água morna para amolecer e desgrudar a polpa dos caroços, os frutos são amassados à mão ou em máquinas apropriadas.

Polpa do açaí

Então, como bem descreve Câmara Cascudo, “da massa sanguineo-arroxeada, passada em peneira, se amassada à mão, dissolvida em várias águas, forma-se o vinho – a bebida chamada açaí”. Além do processamento comercial, é costume de inúmeras famílias do Pará produzir o “vinho de açaí” para seu consumo diário, vendendo o excedente na própria residência, que é identificada por uma pequena bandeirola vermelha colocada à porta de entrada.

Tradição provavelmente herdada dos grupos indígenas amazônicos, o açaí ocupa, atualmente, um papel básico na alimentação da população regional. O açaí é consumido a qualquer hora, sob a forma de refrescos e sorvetes, com ou sem açúcar, pela manhã, em substituição ao leite, sendo, inclusive, oferecido às crianças pequenas; em todas as refeições, engrossado com farinha-d’água ou tapioca, acompanhando peixes e camarão seco, carnes e arroz com feijão, ou ainda puro, quando não há outra mistura.

Se na região Norte o açaí é usado no dia-a-dia da população não como sobremesa, mas como prato principal, nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, e também no exterior, o uso da polpa de açaí tornou-se um hábito de grupos de jovens, da chamada “geração saúde”, que preferem consumir o suco de açaí misturado com outras frutas e cereais, entre as refeições, antes ou depois de práticas esportivas, como fonte de reposição de energia.

Paneiros com açaí

De fato, sabe-se que o açaí é alimento essencialmente energético, com elevado valor calórico, apresentando 2,37% de teor de proteína e 5,96% de gordura.

Apesar de tudo isso e da inegável importância na dieta alimentar amazônica, os açaizais nativos quase foram dizimados, a partir dos anos 1980, com a sua exploração para a extração de palmito, cuja produção era basicamente voltada para o mercado externo.

Nessa década e na seguinte, cerca de 95% de toda a produção nacional de palmito chegou a ser obtida através da derrubada dos açaizais, uma vez que praticamente se esgotaram as reservas nativas do palmito-doce da palmeira juçara, nativa da Mata Atlântica. A destruição dos açaizais de forma sistemática, ilegal, desordenada e clandestina provocou sérios danos ao meio ambiente, comprometendo a sobrevivência das populações extrativistas.

A partir de experiências realizadas por técnicos da Embrapa de Belém do Pará, desenvolveram-se novas técnicas de manejo para açaizais nativos. O desbaste racional das touceiras e brotações, bem como a seleção das plantas mais adequadas para a produção de frutos ou de palmito, tem permitido a duplicação da produção de açaí e o aumento da produtividade das palmeiras, tornando o aproveitamento comercial da planta bastante lucrativo.

Plantação de açaí – Açaizeiros

Segundo Maria Lúcia Bahia Lopes, da Universidade da Amazônia (UNAMA), estima-se que as áreas voltadas para a produção de açaí que estão sendo tratadas de acordo com as técnicas de manejo sustentáveis já alcançam 12 mil hectares, podendo ser expandidas para toda a região do estuário amazônico (Pará e Amapá), onde existe uma área de açaizais nativos de cerca de 1 milhão de hectares.

A partir dos anos 1990, com a expansão do consumo da polpa do açaí em outras regiões do país e também no exterior, ocorreu um crescente interesse dos frutos em detrimento do palmito. Assim, os extratores passaram a buscar alternativas de manejo para a exploração sustentável da palmeira, evitando a sua derrubada. O mesmo estudo da Unama informa que, até pouco tempo atrás, os frutos do açaizeiro eram destinados apenas ao consumo de subsistência, passando no início do século 21 a representar 80% da renda dos caboclos que se dedicam a essa ocupação.

Atualmente, o Pará exporta cerca de 80% da polpa de açaí comercializada no país – por volta de 500 toneladas por mês – para todas as regiões do Brasil e para o exterior (Japão, Estados Unidos, Itália, Argentina, entre outros).

Trata-se, certamente, de um mercado em franca expansão, que está beneficiando desde os pequenos coletadores e produtores locais até as grandes empresas exportadoras.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas