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Sapucaia

Nome: Sapucaia

Nome científico: Lecythis pisonis Cambess

Família botânica: Lecythydaceae

Categoria:

Origem: Brasil – floresta pluvial atlântica

Características da planta: Árvore geralmente com 30 metros de altura, tronco que pode atingir até 1 metro de diâmetro, copa densa. Folhas caracteristicamente de coloração rósea quando jovens, verdes posteriormente. Flores grandes, vistosas, de coloração lilás-arroxeada.

Fruto: Tipo pixídio, arredondado, casca rígida e espessa, de coloração castanha. Quando maduros abrem-se na porção inferior, através de uma “tampa”, liberando as sementes (castanhas) comestíveis e saborosas.

Frutificação: Primavera

Propagação: Semente

Pelo nome de sapucaia é conhecido, no Brasil, um grande número de árvores que pertencem a família botânica das Lacitidáceas, a mesma da imponente castanheira-do-brasil ou castanheira-do-pará.

Em sua maioria, as sapucaias caracterizam-se pela forma peculiar de seus frutos: Tratam-se de urnas ou caçambas, de casca dura e de aparência lenhosa, que encerram uma boa quantidade de amêndoas comestíveis muito apreciadas. Aos poucos, à medida que os frutos amadurecem, seus opérculos desprendem-se e as amêndoas espalham-se pela mata espontaneamente. É frequente, em uma mesma árvore, em um mesmo galho, encontrarem-se sapucaias abertas e fechadas.

A sapucaia é árvore característica da floresta pluvial atlântica, ocorrendo desde o Ceará até o Rio de Janeiro.

Com o grande desmatamento que essas áreas sofreram no passado, as sapucaias foram bastante reduzidas. No entanto, em algumas localidades, protegidas em parques ou reservas, ainda se vêem verdadeiras matas de sapucaias nativas destacando-se no conjunto florestal. A árvore pode ser também encontrada na região amazônica, e, em alguns casos, na alta floresta, ela apresenta a magnetude da natureza que a gerou, alcançando mais de 30 metros.

As sapucaias e os seus frutos, nativos da terra brasileira, já eram bastante conhecidos e aproveitados pelas populações que habitavam o Brasil na época da chegada dos primeiros europeus, no século 16. Atraídos pelas qualidades das plantas útil, exótica e ornamental – e impressionados com as suas peculiaridades, logo nos relatos dos primeiros viajantes encontram-se descrições e detalhamentos de sua conformação.

De acordo com Eurico Teixeira, Pêro de Magalhães Gândavo descreveu os frutos das sapucaias como grandes cocos muito duros, repletos de castanhas doces e extremamente saborosas. Para ele, esses frutos não pareciam criados pela natureza e sim por algum artifício da indústria humana. Isso porque suas bocas, voltadas para baixo e cobertas por capas que caem sozinhas, permitem que também as castanhas possam cair e dissipar-se naturalmente.

A flor da sapucaia

Quando chega a época da floração, a sapucaia transforma-se: todo o verde da árvore fica encoberto por uma capa cor-de-rosa, um belo espetáculo propiciado pela conjunção das flores arroxeadas e intensamente aromáticas, que tomam a copa da árvore e mesclam-se com as folhas novas, que também nascem coloridas de rosa lilás. O chão fica coberto pelas cores das folhas e flores. Aos poucos, as folhas vão ficando esverdeadas e os frutos vão tomando a sua forma característica.

As amêndoas aromáticas e oleaginosas da sapucaia podem ser consumidas cruas, cozidas ou assadas, constituindo-se em excelente alimento. Estas podem substituir, em igualdade de condições, as nozes, amêndoas ou castanhas européias comuns, prestando-se como ingrediente para doces, confeitos e pratos salgados. Vazios, os receptáculos das amêndoas são transformados pelo homem em uma variedade de objetos de uso: cumbucas, caçambas, vasos, potes, pratos, marmitas e o que mais for preciso.

As amêndoas da sapucaia são muito apreciadas pelos animais silvestres, sendo especialmente aproveitadas pelos macacos, capazes como são de alcançar as amêndoas ainda dentro das cumbucas quando elas começam a se abrir lá no alto da árvore. Aliás, um fato curioso envolve esses animais e a fruta, que, por isso, é também conhecida como cumbuca-de-macaco ou marmita-de-macaco.

Segundo conta Pio Corrêa e vários outros estudiosos, o macaquinho novo, inexperiente, quando se depara com uma sapucaia aberta e cheia de saborosas amêndoas, vai com muita sede ao pote, enfiando a mão na cumbuca para pegar um punhado delas, de uma vez só. Assim, quando tenta retirar a mão lá de dentro, não consegue e se machuca, pois sua mão cheia de amêndoas, por menor que seja, não passa pela estreita abertura da sapucaia. O macaco velho não age assim. Com a sabedoria de quem aprendeu se machucando algumas vezes quando ainda era jovem, ele usa as pontas dos dedos para retirar as amêndoas uma a uma, enquanto vai comendo.

Ao que parece, foi a predileção dos macacos pelos frutos da sapucaia que deu origem ao provérbio: “Macaco velho não mete a mão em cumbuca!”

Fonte: Frutas Brasil Frutas

Frutas – Família das Mirtáceas

Frutas – Família das Mirtáceas

Aromáticas e saborosas

Da família das Mirtáceas provêm algumas das mais brasileiras e saborosas entre todas as frutas dessa terra pródiga de aromas e frutos: jabuticabas, cambucis, pitangas, cambucás, gabirobas, cambuís, araçás, goiabas, grumixamas, guabijus, jambos, uvaias, entre tantas outras.

Nativas das regiões tropicais e subtropicais, apenas algumas delas ocorrem em áreas temperadas, como é o caso do eucalipto, nativo da Austrália. As Mirtáceas constituem mais de 4600 espécies de árvores e arbustos de grande variedade, sendo a maioria encontrada em terras brasileiras. São poucas, no entanto, as que produzem frutos aproveitados comercialmente.

As Mirtáceas são plantas especialmente importantes em toda a região da Mata Atlântica, tanto nas matas de altitude e nas Serras como nas Matas Pluviais e Costeiras que, originalmente, margeavam toda a Costa Atlântica brasileira. Em virtude da diversidade de espécies e variedades existentes e pelo grande número de exemplares ocorrentes, são também fundamentais na preservação das áreas remanescentes desse bioma.

As árvores pertencentes a família das Mirtáceas são plantas encontradas geralmente à sombra, mas que se adaptam bem ao sol, desde que nas proximidades da água.

Uma de suas principais características, importante elemento de reconhecimento da espécie, é a troca permanente da casca do tronco, quase sempre fina e delicada. Desprendendo-se em lascas e deixando grandes manchas claras por toda a extensão, seu tronco e galhos têm uma bela aparência mesclada de diferentes tonalidades de marrom e verde, o que confere às árvores bonito aspecto.

As folhas aromáticas guardam uma profunda fragrância da essência do fruto como em poucas outras plantas, e as flores, frequentemente hermafroditas e delicadas, são também muito perfumadas.

Em geral, são árvores muito ornamentais e bem formadas, de médio porte ou arbustivas, cujos frutos são também de tamanho singelo.

Mas é pela delícia, doçura e abundância dos frutos, no entanto, que as Mirtáceas atraem os humanos, aves, insetos e outros animais em profusão. Também por esses motivos elas nunca faltaram nos pomares daqueles que são apaixonados pelas frutas brasileiras, sempre presentes nos matos e nos quintais, matando a sede, a fome e a vontade de ter algo na boca.

Pode-se dizer, com segurança, que pertencem a família das Mirtáceas as frutas da memória da infância interiorana e antiga do Brasil, especialmente na região Sudeste e por toda a Costa Atlântica. Como observa Câmara Cascudo, saudoso de sua própria infância, “as crianças têm uma vocação descobridora das fruteiras em maturação: comem mais frutos do que os adultos. (…) “Certas frutas parecem privativas da meninice!”

As Mirtáceas sabem disso.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

Fruta – Sorva

Nome da fruta: Sorva

Nome científico: Couma utilis (Mart) Mull. Arg.

Família botânica: Apocynaceae

Categoria:

Origem: Região amazônica

Características da planta: Árvore geralmente com 20 metros de altura, copa ampla e densa. Possui látex abundante, leitoso e potável ao longo de toda a planta. Folhas rígidas, de coloração verde  e brilhante. Flores pequenas, reunidas em inflorescência, de coloração rósea.

Fruto: Tipo baga, globoso de coloração verde, passando a castanho-escura quando maduro, casca fina contendo suco leitoso e viscoso. Polpa mucilaginosa e coloração amarelada.

Frutificação: Dezembro a março

Propagação: Semente

As sorveiras são diversas e bastante comuns em toda a região amazônica, onde são frequentes, especialmente em terras dos estados do Amazonas, do Pará, do Amapá e de Rondônia, chegando até às Guianas, à Colômbia e ao Peru.

Encontram-se sorvas silvestres em meio à floresta densa de matas virgens, em terrenos alagados ou de terras firmes. Algumas variedades são espontâneas nos campos e campinas e em matas secundárias, sendo também cultivadas nos arredores de Manaus, Amazonas.

Os frutos das sorveiras, em todas as suas variedades, são do tamanho de limões e, no princípio, verdes, passando a uma cor parda e escura. Apesar de apresentarem um sabor adocicado e de se constituírem em alimento para as populações regionais, sendo consumidos ao natural ou como bebida refrigerante, os frutos da soveira não são os produtos que mais se aproveitam dessa árvore.

Retirado do pé por um processo semelhante ao da extração da seringueira, o látex da sorveira tem grande utilidade como matéria-prima industrial, em especial na fabricação de goma de mascar. Segundo Paulo Cavalcante, a exploração da sorva com essa finalidade e o seu comércio já foram muito intensos na floresta, tendo se reduzido bastante nas últimas décadas do século 20.

O látex da soveira pode, ainda, ser utilizado industrialmente na produção de outras gomas e de vernizes. Desde tempos longínquos, os povos indígenas da Amazônia sabem que, além das utilidades alimentícias, o látex da sorveira tem propriedades isolantes, sendo bastante resistente ao tempo e à umidade. Coagulado e misturado com outras substâncias, por exemplo, esse látex é muito empregado na calafetação das embarcações e caiação das paredes das habitações locais.

Leite vegetal

Do tronco das sorveiras é possível extrair boas quantidades de um látex espesso, branco e viscoso, que é comestível e de paladar adocicado. Esse látex pode ser ingerido puro ou misturado à farinha de mandioca. É costume, porém, utilizá-lo sempre diluído em água. Dessa forma, é usado como bebida em substituição ao leite da vaca, acrescido de café ou, ainda, como ingrediente no preparo de mingaus. Na floresta, por exemplo, o caboclo ou o seringueiro saem para a jornada de trabalho sem precisar levar qualquer alimento: sabem que ali encontraram as sorveiras com seu látex consistente, fornecendo alimento puro e natural. E é ali que o trabalhador local, habitante da terra, encontra parte importante de seu sustento diário.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas