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A história do açaí

 

Nome da fruta – Açaí

Nome científico – Euterpe oleracea Mart.

Família botânica – Arecaceae (Palmae)

Categoria

Origem do açaizeiro – Brasil – Região Amazônica, Colômbia, Venezuela, Equador e Guianas.

Características do açaizeiro – Palmeira de estipe  delgado e elegante, geralmente com até 25 metros de altura. O açaizeiro forma touceiras, o que a difere do palmito-doce, Euterpe edulis Mart., da Mata Atlântica, que apresenta estipe simples. Folhas finamente recortadas, de coloração verde-escura, atingindo cerca de dois metros de comprimento. Flores pequenas, amareladas, agrupadas em cachos pendentes.

Fruto do açaizeiro – O açaí é um fruto tipo baga, arredondado ou oval, de coloração violácea quase negra, quando maduro, reunidos em cachos. O açaí tem uma polpa comestível, envolvendo a semente.

Frutificação do açaizeiro – Praticamente o ano inteiro, mais intensamente de outubro a janeiro.

Propagação do açaizeiro – Semente

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A história do açaí

As populações ribeirinhas do baixo Amazonas, desde Santarém até a ilha de Marajó, sabem que podem contar com essa palmeira alta e  esguia para o sustento e a nutrição de suas famílias praticamente ao longo de todo o ano, rareando apenas entre dezembro e janeiro, no auge do verão.

Do açaizeiro tudo se aproveita: frutos, folhas, raízes, palmito, tronco e cachos frutíferos. As folhas do açaizeiro são usados na cobertura das casas; suas fibras, na arte de tecer chapéus, esteiras, sacolas e rasas – cestas usadas como medida padrão na atividade extrativista em praticamente toda a Amazônia. A madeira de seu estipe, quando seca, transforma-se em toras bastante duráveis e resistentes às pragas e aos insetos, sendo muito utilizada na construção de casas, pontes e trapiches. Até mesmo os cachos secos do açaizeiro, após a extração dos frutos, são aproveitados como vassouras.

A coleta do açaí

Apesar do açaizeiro frutificar praticamente o ano todo, sabe o nativo que, quando a cigarra – “a mãe do Sol” – canta na boca do verão anunciando a estação seca, começa a melhor safra do açaí. E é ele quem vai subir no alto das delgadas palmeiras, que chegam a 20 metros de altura, para extrair os cachos maduros inteiros e carregados dos coquinhos negros.

Com muita destreza, força e equilíbrio, o apanhador escala a palmeira do açaí até atingir o alto, auxiliado apenas pela peconha – espécie de alça feita com palhas do próprio açaizeiro – que lhe prende os pés e lhe serve de apoio na subida. Lá em cima, após cortar apenas os cachos no ponto ideal – fala-se tuirá, quando as frutas estão pretinhas com a casca esbranquiçada -, o coletador começa a balançar o fino estipe em pêndulo até alcançar outra palmeira próxima. Ali mesmo ou na embarcação à espera na beira do Igarapé, os cachos são esbagoados e os frutos armazenados em cestos denominados rasas e paneiros, cuidadosamente fechados com as folhas da própria palmeira.

O açaizeiro é também fonte generosa na medicina popular: os frutos novos são utilizados no combate aos distúrbios intestinais; as raízes, empregadas como vermífugos; o palmito, em forma de pasta, atua como anti-hemorrágico quando aplicado após extrações dentárias.

Mas do açaizeiro aproveita-se, especialmente, o açaí, um coquinho arroxeado, quase negro quando maduro. É desse pequeno coco que se extrai, por maceração, o tradicional e bastante apreciado “vinho ou suco de açaí”. Transformado em suco ou vinho, o coco do açaizeiro, o açaí, possui um grande mercado em toda a região amazônica, alcançando uma cifra de consumo fabulosa, estimada entre 200 toneladas de açaí por dia apenas no Estado do Pará.

Touceiras ou reboladas de açaí

O açaizeiro, palmeira típica da região tropical brasileira, é parte indissociável da paisagem florestal amazônica.

O açaí desenvolve-se bem tanto em terras firmes como em várzeas sujeitas a inundações periódicas, desde que haja renovação constante das águas. Cultura perene e ribeirinha, o açaizeiro torna-se importante, também, na proteção do solo em condições tropicais de grande pluviosidade.

Uma das características principais da palmeira açaí é o fato de seu crescimento ocorrer em touceiras ou reboladas, na linguagem popular, que podem chegar a agrupar na mesma moita uma média de 20 palmeiras de idades e vigor diversos.

O açaí tem de ser processado diariamente em virtude de sua rápida fermentação, uma vez que não resiste mais do que 48 horas mesmo quando bem refrigerado. Assim, todos os dias, sete dias por semana, antes de clarear completamente  a manhã, os calçadões próximos ao Mercado Ver-o-Peso, na capital paraense, ficam tomados por cestos, sacos e latas repletos de açaí, provenientes das regiões interioranas. É a Feira do Açaí.

Depois de vendido no mercado, o açaí vai ser transformado em suco. Postos em água morna para amolecer e desgrudar a polpa dos caroços, os frutos são amassados à mão ou em máquinas apropriadas.

Polpa do açaí

Então, como bem descreve Câmara Cascudo, “da massa sanguineo-arroxeada, passada em peneira, se amassada à mão, dissolvida em várias águas, forma-se o vinho – a bebida chamada açaí”. Além do processamento comercial, é costume de inúmeras famílias do Pará produzir o “vinho de açaí” para seu consumo diário, vendendo o excedente na própria residência, que é identificada por uma pequena bandeirola vermelha colocada à porta de entrada.

Tradição provavelmente herdada dos grupos indígenas amazônicos, o açaí ocupa, atualmente, um papel básico na alimentação da população regional. O açaí é consumido a qualquer hora, sob a forma de refrescos e sorvetes, com ou sem açúcar, pela manhã, em substituição ao leite, sendo, inclusive, oferecido às crianças pequenas; em todas as refeições, engrossado com farinha-d’água ou tapioca, acompanhando peixes e camarão seco, carnes e arroz com feijão, ou ainda puro, quando não há outra mistura.

Se na região Norte o açaí é usado no dia-a-dia da população não como sobremesa, mas como prato principal, nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, e também no exterior, o uso da polpa de açaí tornou-se um hábito de grupos de jovens, da chamada “geração saúde”, que preferem consumir o suco de açaí misturado com outras frutas e cereais, entre as refeições, antes ou depois de práticas esportivas, como fonte de reposição de energia.

Paneiros com açaí

De fato, sabe-se que o açaí é alimento essencialmente energético, com elevado valor calórico, apresentando 2,37% de teor de proteína e 5,96% de gordura.

Apesar de tudo isso e da inegável importância na dieta alimentar amazônica, os açaizais nativos quase foram dizimados, a partir dos anos 1980, com a sua exploração para a extração de palmito, cuja produção era basicamente voltada para o mercado externo.

Nessa década e na seguinte, cerca de 95% de toda a produção nacional de palmito chegou a ser obtida através da derrubada dos açaizais, uma vez que praticamente se esgotaram as reservas nativas do palmito-doce da palmeira juçara, nativa da Mata Atlântica. A destruição dos açaizais de forma sistemática, ilegal, desordenada e clandestina provocou sérios danos ao meio ambiente, comprometendo a sobrevivência das populações extrativistas.

A partir de experiências realizadas por técnicos da Embrapa de Belém do Pará, desenvolveram-se novas técnicas de manejo para açaizais nativos. O desbaste racional das touceiras e brotações, bem como a seleção das plantas mais adequadas para a produção de frutos ou de palmito, tem permitido a duplicação da produção de açaí e o aumento da produtividade das palmeiras, tornando o aproveitamento comercial da planta bastante lucrativo.

Plantação de açaí – Açaizeiros

Segundo Maria Lúcia Bahia Lopes, da Universidade da Amazônia (UNAMA), estima-se que as áreas voltadas para a produção de açaí que estão sendo tratadas de acordo com as técnicas de manejo sustentáveis já alcançam 12 mil hectares, podendo ser expandidas para toda a região do estuário amazônico (Pará e Amapá), onde existe uma área de açaizais nativos de cerca de 1 milhão de hectares.

A partir dos anos 1990, com a expansão do consumo da polpa do açaí em outras regiões do país e também no exterior, ocorreu um crescente interesse dos frutos em detrimento do palmito. Assim, os extratores passaram a buscar alternativas de manejo para a exploração sustentável da palmeira, evitando a sua derrubada. O mesmo estudo da Unama informa que, até pouco tempo atrás, os frutos do açaizeiro eram destinados apenas ao consumo de subsistência, passando no início do século 21 a representar 80% da renda dos caboclos que se dedicam a essa ocupação.

Atualmente, o Pará exporta cerca de 80% da polpa de açaí comercializada no país – por volta de 500 toneladas por mês – para todas as regiões do Brasil e para o exterior (Japão, Estados Unidos, Itália, Argentina, entre outros).

Trata-se, certamente, de um mercado em franca expansão, que está beneficiando desde os pequenos coletadores e produtores locais até as grandes empresas exportadoras.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

A história do kiwi

 

Nome da fruta – Kiwi

Nome científico – Actinidia chinensis Planch

Família botânica – Actinidiaceae

Categoria

Origem da fruta – China

Características do kiwizeiro – Trepadeira que necessita de tutoragem. Planta dióica, isto é, flores masculinas e femininas em indivíduos diferentes.

Fruto do kiwizeiro – O kiwi é um fruto tipo baga, alongado, com casca de coloração marrom, recoberta de pelos. O kiwi tem a polpa carnosa, verde, ácida, envolvendo muitas sementes pretas.

Frutificação do kiwizeiro – Durante o ano todo.

Propagação do kiwizeiro – Semente, estaca, mergulhia e enxertia.

A história do kiwi

Temos muito a agradecer à Nova Zelândia por ter apresentado o kiwi ao mundo, ainda que tardiamente, o que ocorreu apenas na década de 1970. Até então, planta e fruta permaneceram esquecidos em seu país de origem, a China. Por séculos, os chineses conviveram lado a lado com as trepadeiras onde nasciam os kiwis sem lhes dar nenhuma importância. Não se sabe exatamente porque, mas consta que nos livros tradicionais de culinária da China, mesmo nos de botânica, muito raramente a planta ou seu fruto são mencionados.

Foi preciso que um neozelandês fosse buscar a fruta, levando-a ao seu país. Ali, começou a tratar o kiwi, melhorando-o através de cruzamentos de diferentes variedades silvestres, até torná-la a fruta tão apreciada como merece. A Nova Zelândia ganhou, assim, o direito de nomeá-lo: kiwi é o nome de uma ave estranha, de plumagem do tipo penugem parecida com a casca do kiwi, simbolo daquele país.

Polpa do kiwi e suas sementes

Por baixo de sua casca fina e amarronzada, áspera e peluda, esconde-se uma polpa levemente ácida e também adocicada, de sabor bastante equilibrado. Seu aspecto é invejável: o resistente miolo central da fruta, que tem uma límpida coloração creme de desenho raiado, pontilhado de pequeninas sementes negras, é circundado por uma carne suculenta e verde, das mais refrescantes.

A partir de então, ocorreu uma trajetória de sucesso quase fulminante: a fruta vem encantando todos os povos onde se apresentou, disseminando-se pelos recantos do planeta. Rapidamente, o cultivo do kiwi assumiu importância comercial em vários países, tanto pelo movimento de importação e exportação como pelos altos lucros que tem proporcionado a  seus produtores. E foi justamente o aproveitamento culinário da fruta que comandou esse alastramento: de um dia para o outro, o kiwi tornou-se um requisitado ingrediente nos mais variados pratos, salgados ou doces, como protagonista ou coadjuvante, como elemento decorativo ou mesclado a outros ingredientes, dando-lhes refresco e sabor.

Kiwizeiros carregados

No Brasil, em particular, além de consumido ao natural, o kiwi vem ganhando tradição como fruta própria para a caipirinha – a bebida-símbolo nacional – e para a confecção de doces e tortas. Esse sucesso certamente não foi por acaso, pois a fruta de fato merece todos os louvores.

Equilíbrio em qualidade, eis o segredo do kiwi. A casca, apesar de não ser tão bonita quanto o interior da fruta, é fundamental para a manutenção desse equilíbrio: ela é responsável pela longa durabilidade do kiwi, que consegue manter as suas características por até oito semanas em local fresco e até por seis meses, se perfeitamente refrigerado e ensacado.

Símbolo da Nova Zelândia, o Kiwi deu nome a fruta

Certamente, essa enorme constância e a semelhança entre todos os kiwis – às vezes apenas um pouco mais arredondados ou mais alongados – são realmente surpreendentes. Mas nem sempre foi assim, o que talvez explique por que os chineses nunca se interessaram por seu cultivo. Quase todos os kiwis comercializados no mundo pertencem a uma única variedade e, mais surpreendentemente, a um único cultivar, conhecido como Haywards. Um monopólio raro de ser encontrado em outras frutas comerciais.

No Brasil, o kiwi geralmente é cultivado lado a lado com a uva, dividindo espaço com as parreiras. Sendo fruta que se adapta melhor a climas subtropicais e temperados, o kiwi vem ganhando cada vez mais espaço em plantios de pequenos proprietários da região Sul do país. Na pequena cidade de Farroupilha, no Rio Grande do Sul, inclusive, já se realiza anualmente a Festa Nacional do Kiwi.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

Fruto – Ingá-cipó

Nome do fruto: Ingá-cipó

Nome científico: Inga edulis Mart.

Família botânica: Fabaceaea (leguminosae – Mimosoideae)

Categoria:

Origem: Brasil

Características da planta: Árvore geralmente de até 15 metros de altura. Folhas compostas, divididas em folíolos presos a uma haste folhosa com pêlos de coloração ferrugíneo-tomentosa. Flores de coloração alvo-esverdeadas, reunidas em inflorescência.

Fruto: Tipo legume, linear, alongado, podendo atingir até 1 metro de comprimento, coloração castanho-esverdeada quando maduro. Polpa branca, fibrosa, envolvendo as sementes pretas.

Frutificação: Primavera e verão

Propagação: Semente

Perfumes inebriantes, magia e silêncios quebrados apenas pelas revoadas ruidosas dos pássaros: em meio à densa e rica floresta, por onde serpenteiam as águas dos riachos e igapós, nasce uma infinidade de árvores conhecidas como ingás.

E elas podem ser encontradas de norte a sul do Brasil, desde a floresta amazônica até as áreas remanescentes de Mata Atlântica, nas matas inundáveis ou nas terras firmes, em meio a árvores gigantescas habitadas por uma infinidade de pássaros, insetos e animais variados, intrincadas por um emaranhado de cipós e de raízes aparentes.

De acordo com Pio Corrêa, pelo nome de ingá são conhecidas mais de 200 espécies do gênero Inga, da família das leguminosas. Palavra de origem indígena, ingá significa “embebido, empapado, ensopado“, devido talvez à consistência da polpa aquosa que envolve as sementes do fruto do ingazeiro.

Nem todos eles são nativos das florestas amazônicas, como o ingá-cipó, que é também a espécie mais conhecida entre os muitos ingás do Brasil.

De crescimento rápido, assim como os demais, o ingá-cipó prefere nascer às margens dos igapós, embrenhando-se pelas matas marginais dos rios amazônicos. Árvore que prefere a proximidade com a água, quando ocorrem em outras regiões, os ingás também são característicos das matas de galeria que seguem os cursos de água por onde passam.

As vagens do ingá-cipó são facilmente encontradas à venda nos mercados das cidades amazônicas, podendo ser transportadas da floresta e das áreas de cultivo com facilidade sem se estragarem.

Bastante apreciado em toda a Amazônia, o ingá-cipó é muito cultivado nos arredores das habitações e por toda parte, sendo frequente na mata, em estado subespontâneo. É muito comum, também, utilizar-se a árvore do ingá-cipó para o sombreamento dos cafezais plantados na região.

Os frutos dos ingás são vagens. No caso do ingá-cipó, vagens grandes e verdes. Sua principal característica – e que faz com que ele se destaque dos demais – é o fato de que a vagem do ingá-cipó consegue atingir até 1 metro de comprimento sem se partir. E é provavelmente por ser tão comprido e ficar meio espiralado, à semelhança dos cipós da mata, que ele leva esse nome.

Dentro da vagem do ingá-cipó encontram-se sementes negras e brilhantes. Envoltas pelo arilo – de cor branca, levemente fibroso, de consistência macia e sabor adocicado – essas sementes são chupadas e depois botadas fora. Apesar de o conteúdo dessa polpa ter propriedades nutritivas, esse fruto costuma ser consumido pela população da Amazônia como uma espécie de passatempo e não como alimento.

Ingá-açu

Nome científico: Inga cinnamomea Spruce ex Benth

Nativo da floresta amazônica, na região Norte do país, o ingá-açu é maior do que o ingá comum ou ferradura, e seus frutos alcançam até 15 cm de comprimento.

Ingá-feijão

Nome científico: Ingá marginata Willd.

Também conhecido com ingaí, o ingá-feijão (uma referência à fava mais consumida na região) é planta nativa da Mata Atlântica.

Ingá-ferradura

Nome científico: Inga sessilis (Vell) Mart.

É o ingá mais comum em todo Brasil. Nativo da Mata Atlântica pode ser encontrado com frequência nas beiras na estradas e em parques urbanos nas regiões Sul e Sudeste do país.

Ingá-curumim

Nome científico: Inga fagifolia (L.) Willd.

Planta nativa da Mata Atlântica, o fruto do ingá-curumim, que significa criança na língua indígena, é um dos menores entre todos os ingás.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas