Arquivo da tag: suculenta

Fruta – Figo-da-índia

Nome da fruta: Figo-da-índia

Nome científico: Opuntia ficus-indica (L.) Mill.

Família botânica: Cactáceae

Categoria:

Origem: América Central

Características da planta: Arbusto geralmente com 6 metros de altura, ramificado, composto de segmentos carnosos superpostos, achatados, com até 60 cm de comprimento, verde-claros, com ou sem espinhos. Flores isoladas com 7 a 10 cm de diâmetro, de coloração amarelo-clara ou alaranjada.

Fruto: Tipo baga, oval, aromático, casca espinhosa, de coloração verde-amarelada a vermelha. Polpa doce, geralmente de coloração amarela, com numerosas sementes.

Frutificação: Verão e inverno, conforme as chuvas.

Propagação: Vegetativa ou semente

No século 12, conta Clara Inés Olaya, os astecas deixaram Aztlán e iniciaram uma longa peregrinação em direção ao sul, em busca de um lugar para fixar morada. Por quase dois séculos caminharam, nômades, à procura do lugar ideal, até que um sacerdote deu ouvidos ao deus Huitzilopochtli, que ordenou: “Diz a todos os teus companheiros que no nopal onde habita a águia hão de povoar e que lá verão engrandecidas as suas gerações”. Então, em 1325, próximo ao lago Texcoco, avistaram a cena que nos séculos seguintes viria a simbolizar seu império: a águia pousada sobre aquela cactácea, o nopal, com seus frutos maduros cobertos de pétalas vermelhas. Ali, fundaram Tenochtitlán, que significa “lugar onde o nopal cresce sobre a pedra”, hoje conhecido como Cidade do México.

O nopal, essa planta cactácea das zonas áridas, também é conhecido, no Brasil e em outras partes da América, como figo-da-índia. Explicar a origem desse nome, no entanto, não é tarefa fácil, uma vez que nem se trata de uma fruta da família do figo, nem é proveniente da Índia.

Ainda segundo Olaya, a partir do século 17, por iniciativa dos espanhóis que viram naquele fruto uma boa fonte de tinta corante vermelha, muito valorizada na época, o figo-da-índia espalhou-se por toda a europa, sobretudo na região do Mediterrâneo. Daí ganhou outros continentes, ocupando também a Ásia e o norte da África.

Não se sabe ao certo como a fruta entrou no Brasil, mas presume-se, com base em seu nome, que não tenha vindo diretamente do México.

O figo-da-índia é uma fruta suculenta e saborosa, muito refrescante, porém de consumo um pouco difícil. Coberta por finíssimos espinhos, requer cuidados especiais para retirar-lhe a casca. Para isso, costuma-se espetar a fruta dos dois lados, horizontalmente, e assim descascá-la com uma faca, procurando não encostar-lhe a mão. Tem-se, dessa forma, polpa e sementes juntas, prontas para serem degustadas.

A colheita concentra-se entre dezembro e março, mas, de acordo com Ivo Manica, se o solo for fértil e houver boa disponibilidade de água, a planta pode gerar uma segunda frutificação também em meses de inverno. Sabe-se que está em uma boa época para colhê-la observando-se as flores que nascem sobre elas, que podem ser amarelas, vermelhas, laranjas ou brancas, com uma boa variação de tons. A cor das pétalas corresponde quase exatamente à cor da polpa.

No Brasil, em diversos lugares o figo-da-índia é confundido com o fruto da palma, planta da mesma família e gênero (Opuntia), que recebe esse nome por ter forma de palmatória.

Este é, de fato, muito parecido com o figo-da-índia, embora seja menos suculento e saboroso. Pode-se diferenciar as duas plantas, no entanto, pelo tamanho que alcançam. A palma é um arbusto cactáceo mais rasteiro, geralmente alcançando pouco mais de 1 metro de altura. Já a figueira-da-índia pode chegar a 6 metros de altura, exigindo técnicas mais apuradas na colheita dos frutos.

No Nordeste, as Cactáceas são cultivadas em grandes quantidades, principalmente em zonas semi-áridas, sobretudo em Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Bahia. A palma, por exemplo, é utilizada como planta forrageira na alimentação da criação ou como saboroso acompanhamento na culinária sertaneja, em um refogado conhecido como “cortado de palma”.

Já o figo-da-índia é justamente mais valorizado no Sudeste, onde é aproveitado como fruta alimentícia, sendo cultivado comercialmente na região de Valinhos. Ainda assim, é encontrado com certa dificuldade em feiras e supermercados, e apenas na época da colheita.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

Fruta – Mangostão

Nome da fruta: Mangostão

Nome científico: Garcinia mangostona L.

Família botânica: Clusiaceae (Guttiferae)

Categoria:

Origem: Ásia

Característica da planta: Árvore geralmente com até 10 metros de altura, copa cônica. Folhas grandes, rígidas, de coloração verde-escura e brilhante. Flores grandes de coloração vermelho-escura.

Fruto: Esférico, de coloração vermelha a castanho-escura, manchado de amarelo. Polpa mole, suculenta, de sabor delicado e muito característico que envolve as sementes oleaginosas.

Frutificação: Verão

Propagação: Semente e enxertia

Nativo da região tropical do Sudeste Asiático, abrangendo também a maioria das ilhas da Indonésia, o mangostão é considerado pelos habitantes desses lugares como a fruta mais saborosa do mundo: “A rainha das frutas tropicais”.

Verdadeiro “manjar dos deuses”, o mangostão foi comparado ao néctar e à ambrósia, alimentos dos habitantes do Olimpo grego. Consta que a Rainha Vitória da Inglaterra, durante seu reinado (1837-1901), decretou o mangostão como a fruta oficial da corte e dos banquetes reais.

A aura que envolve o mangostão, assim como a história do seu aproveitamento alimentar, aliados à aparência exótica, por fora agreste e por dentro delicada, permite associar a fruta aos prazeres sofisticados.

O sabor suave, agradável e único da polpa mole, suculenta e aromática que envolve as cinco ou seis sementes do mangostão é de difícil descrição e comparação. E a melhor forma de consumi-la é ao natural, fresca, pois qualquer elemento adicional pode pôr em risco seu apreciado sabor, tirando-lhe o encanto. E é assim que a fruta vem sendo degustada nos seus locais de origem a milênios.

No início do século 21, uma novidade: algumas empresas começam a comercializar um extrato de mangostão como produto medicinal, propagando suas qualidades terapêuticas como antioxidante pelos altos teores de vitamina C e E que a fruta contém, em especial no belo pericarpo de cor púrpura de cerca de 1 cm de espessura.

O mangostão chegou ao Brasil, mais precisamente em Belém do Pará, na Amazônia, no início da década de 1940. Ali, a Embrapa desenvolveu experimentos e técnicas de plantio, com o objetivo de aclimatar a planta à região, tornando o seu cultivo economicamente viável. Nesse processo, árvore e fruto adaptaram-se bem à condições tropicais e úmidas da região amazônica, dando resultados, à vezes, melhores do que em seus países de origem.

A árvore do mangostão, de grande longevidade e pouca altura, tem também enorme produtividade, podendo dar, em média, de 1300 a 1500 frutos por safra. Além disso, necessita de poucos cuidados e poucos investimentos, uma vez que o plantio pode ser feito em consórcio com outras espécies de retorno mais rápido, como a laranja, o limão, a tangerina ou o cacau. Depois de crescidas as árvores, essa cultura requer maior exigência apenas durante a colheita.

Nos mercados internacionais, o mangostão é uma das frutas que alcançam os mais altos preços por unidade: o valor médio varia entre 3 e 5 dólares por fruta, nos períodos de entressafra.

Por esse motivo, apesar de a árvore demorar muito para começar a frutificar – cerca de 10 anos quando plantada com enxertia – o cultivo da mais “saborosa fruta do mundo” passou a atrair vários migrantes de origem oriental, especialmente aqueles que vivem nas proximidades de Belém do Pará. Alguns deles, que já conheciam a fruta em seus países de origem, entusiasmaram-se com as perspectivas de iniciar uma produção lucrativa com vistas à exportação.

No Brasil, outro pólo produtor de mangostão em franca expansão encontra-se na região cacaueira do sul da Bahia, onde teve rápida e fácil adaptação.

Atualmente, a maior parte do mangostão comercializado internacionalmente é proveniente de áreas de cultivo espalhadas por regiões de clima tropical, especialmente em alguns países da América Central e da África, além da Austrália e do Brasil.

No início da década de 1990, embora a produção brasileira ainda possa ser considerada pequena, o país iniciou a exportação do mangostão para os Estados unidos, Canadá e Europa, sendo forte candidato a ampliar sua participação nesses exigentes mercados, com a possibilidade de expansão das áreas cultivadas para outros estados, como Maranhão, Amapá e Espírito Santo

Aparência e sabor delicados

Assim como o bacuri e o bacupari – todos da família das Gutíferas -, o mangostão possui uma parte da polpa que pode ser chamada de “filho do mangostão”. Trata-se de um bom naco da polpa que se apresenta sozinho, sem semente, e que, por ser mais carnoso, é a melhor parte da fruta.

Resina pegajosa

Os frutos do mangostão devem ser apanhados no pé quando ainda estão meio-verdes, antes de caírem de maduros, no momento exato em que a coloração externa começa a mudar de verde para rosa e em que o fruto passa a soltar uma resina pegajosa. Logo depois da colheita, os frutos precisam ser refrigerados, senão podem se estragar, necessitando ser embalados em caixinhas de papelão apropriadas.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas