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Fruto – Guaraná

Fonte da foto: Blog Montan Produtos Naturais

Nome do fruto: Guaraná

Nome científico: Paullinia cupana Kunth

Família botânica: Sapindaceae

Categoria:

Origem: Brasil – região amazônica

Características da planta: Trepadeira de caule sulcado, casca escura, que pode atingir grande porte. Folhas compostas. Flores alvas agrupadas ao longo do caule.

Fruto: Tipo drupa, de coloração avermelhada, apresenta-se entreaberto quando maduro, exibindo sementes negras com arilo branco e espesso, que lembram pequenos “olhos”.

Frutificação: Outubro a dezembro

Propagação: Semente

O guaraná é fruto de uma trepadeira. Quando cresce no interior da mata, dependendo das condições de luz, permanece associado às grandes árvores, convivendo num intrincado mundo de cipós, galhos e folhas para subir bem alto, nos estratos superiores da floresta. Por outro lado, quando cresce em local aberto e ensolarado, o guaraná permanece rasteiro. Tanto num caso como no outro, as folhas características da trepadeira do guaraná são acentuadamente verdes e seus muitos frutinhos aglomeram-se em compridos cachos.

Nativo da floresta amazônica, é ali que ele pode ser encontrado em estado silvestre e em grande concentração na região compreendida pelos rios Amazonas, Maués, Paraná dos Ramos e Negro, e na bacia do rio Orinoco (Venezuela). Ali, por toda parte, em cada beira de rio, encontram-se grandes quantidades de guaranazeiros frutificando, para serem colhidos em festa todo mês de novembro, ano após ano.

Segundo a pesquisadora Sônia Lorenz, toda essa região coincide com o território tradicional dos sateré-maués, localizado a cerca de 356 km de Manaus. E foram os antepassados desse índios que inventaram a cultura do guaraná, ou seja, foram eles que transformaram a trepadeira silvestre em planta cultivada, descobrindo técnicas necessárias para o seu beneficiamento.

A partir da literatura produzida pelos viajantes europeus e de relatos de escritores amazonenses, sabe-se que a produção e o comércio do guaraná sempre foram muito intensos na região de Maués, interessando nativos e colonizadores. E, desde muito tempo, a grande procura pelo produto esteve sempre relacionada com suas propriedades e efeitos medicinais: de acordo com as teorias populares, o guaraná, quando aplicado ao organismo humano, atua como estimulante, regulador intestinal, antiblenorrágico, sudorífero, tônico cardiovascular, retardador da fadiga e, até mesmo, afrodisíaco. É muito empregado na cura de enxaquecas e nos estados de convalescênça.

Muitas dessas propriedades ainda não foram testadas ou comprovadas. No entanto, o que já se sabe é que o guaraná é um forte estimulante, chegando a conter, depois de beneficiado, altos teores de cafeína, às vezes superiores aos chá e do café. A cafeína constitui droga de inúmeras utilidades na farmacopéia. Porém, quando administrada sem controle pode ter sérias contra-indicações e produzir efeitos colaterais indesejáveis.

Os frutos do guaraná são vermelhos como sangue e, quando amadurecem, suas cascas rompem-se, deixando aparecer a semente negra envolvida por uma capa branca, o arilo, cujo conjunto faz lembrar a imagem de um olho humano esbugalhado. A impressão é que, em cada cacho da planta, nasceram dezenas de olhinhos. Mas os índios sabem que, quando o guaraná amadurece no , já passou o tempo da colheita. E não se limita apenas nesse ponto a sua sabedoria.

Até hoje existe uma grande distinção regional entre o guaraná beneficiado pelos sateré-maués – considerado de melhor qualidade – e o guaraná beneficiado pelas populações não indígenas da região de Maués. Isto porque os processos de produção utilizados nem sempre incluem os conhecimentos e as práticas tradicionais dos indígenas, desenvolvidas e apuradas ao longo do tempo.

Trata-se de um demorado processo que se inicia com a escolha das mudas na mata, que, depois, são transportadas para um terreno adequado onde serão cultivadas. Dois ou três anos após o plantio, quando o guaraná começa a produzir, os cachos são colhidos “no tempo certo”, os frutos descascados e as sementes lavadas para eliminar o arilo ou “remela”.

Depois de secas, as sementes são torradas lentamente por várias horas. Em seguida, os grãos torrados são batidos dentro de sacos, para que as cascas comecem a se soltar, podendo então ser descascados manualmente e pilados com água.

Depois de pilados por bastante tempo, obtém-se uma massa que é sovada e modelada em forma de bastão, rolo ou barra: são os “pães de guaraná”. Por fim, esses “pães” são bem-lavados pelas mulheres e defumados, durante dois longos meses, em jiraus montados sobre fogueiras de fogo brando, até que possam ser considerados bons para o consumo. Para se obter o pó de guaraná, os bastões são ralados; para ser consumido, o pó de guaraná é misturado com água, podendo ser bebido a qualquer hora do dia.

Além da forma tradicional em bastão para ralar, o guaraná natural semi-industrializado pode ser encontrado à venda já na forma de pó (acondicionado em frascos, cápsulas gelatinosas ou sachês) ou de xarope concentrado. Ambos podem ser consumidos diretamente como bebida energética (misturados com água), ma a principal utilização do xarope ainda é na produção industrial de bebidas refrigerantes, em pequena, média ou grande escala. Estima-se que 70% da produção nacional atual de ramas de guaraná ou sementes torradas – que gira em torno de 4300 toneladas por ano – seja absorvida pelas indústrias de refrigerantes, enquanto o restante permanece voltado para o consumo interno e exportação.

Muito apreciado por suas qualidades energéticas e gastrônomicas, o guaraná é um produto exclusivamente brasileiro, típico da região amazônica, e um dos mais conhecidos no exterior. O Brasil é, também, praticamente o único produtor de guaraná do mundo.

Apesar de sua incontestável origem amazônica, em particular no município de Maués, no Estado do Amazonas, há algum tempo a região deixou de ser a principal produtora de guaraná em virtude do ataque de doenças e do envelhecimento natural dos guaranizais. Atualmente, A Embrapa trabalha no desenvolvimento de cultivares mais resistentes e produtivos para substituir as árvores nativas doentes e muito velhas.

Desde a década de 1980, a planta adaptou-se muito bem a outras localidades, passando a ser cultivada em grandes empreendimentos privados, especialmente nos minicípios de Apuí e Presidente Figueiredo (AM), no norte do Estado de Mato Grosso e no sul da Bahia, onde se concentram as maiores e mais produtivas plantações do Brasil. A Bahia, hoje, produz seis vezes mais do que o Amazonas.

Mas, no município de Maués, cerca de 2600 pequenos produtores familiares continuam produzindo guaraná com base nos sistemas tradicionais de cultivo, os quais, em 2001 segundo dados do IBGE, resultaram em mais de 200 toneladas comercializadas.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

Fruta – Figo-da-índia

Nome da fruta: Figo-da-índia

Nome científico: Opuntia ficus-indica (L.) Mill.

Família botânica: Cactáceae

Categoria:

Origem: América Central

Características da planta: Arbusto geralmente com 6 metros de altura, ramificado, composto de segmentos carnosos superpostos, achatados, com até 60 cm de comprimento, verde-claros, com ou sem espinhos. Flores isoladas com 7 a 10 cm de diâmetro, de coloração amarelo-clara ou alaranjada.

Fruto: Tipo baga, oval, aromático, casca espinhosa, de coloração verde-amarelada a vermelha. Polpa doce, geralmente de coloração amarela, com numerosas sementes.

Frutificação: Verão e inverno, conforme as chuvas.

Propagação: Vegetativa ou semente

No século 12, conta Clara Inés Olaya, os astecas deixaram Aztlán e iniciaram uma longa peregrinação em direção ao sul, em busca de um lugar para fixar morada. Por quase dois séculos caminharam, nômades, à procura do lugar ideal, até que um sacerdote deu ouvidos ao deus Huitzilopochtli, que ordenou: “Diz a todos os teus companheiros que no nopal onde habita a águia hão de povoar e que lá verão engrandecidas as suas gerações”. Então, em 1325, próximo ao lago Texcoco, avistaram a cena que nos séculos seguintes viria a simbolizar seu império: a águia pousada sobre aquela cactácea, o nopal, com seus frutos maduros cobertos de pétalas vermelhas. Ali, fundaram Tenochtitlán, que significa “lugar onde o nopal cresce sobre a pedra”, hoje conhecido como Cidade do México.

O nopal, essa planta cactácea das zonas áridas, também é conhecido, no Brasil e em outras partes da América, como figo-da-índia. Explicar a origem desse nome, no entanto, não é tarefa fácil, uma vez que nem se trata de uma fruta da família do figo, nem é proveniente da Índia.

Ainda segundo Olaya, a partir do século 17, por iniciativa dos espanhóis que viram naquele fruto uma boa fonte de tinta corante vermelha, muito valorizada na época, o figo-da-índia espalhou-se por toda a europa, sobretudo na região do Mediterrâneo. Daí ganhou outros continentes, ocupando também a Ásia e o norte da África.

Não se sabe ao certo como a fruta entrou no Brasil, mas presume-se, com base em seu nome, que não tenha vindo diretamente do México.

O figo-da-índia é uma fruta suculenta e saborosa, muito refrescante, porém de consumo um pouco difícil. Coberta por finíssimos espinhos, requer cuidados especiais para retirar-lhe a casca. Para isso, costuma-se espetar a fruta dos dois lados, horizontalmente, e assim descascá-la com uma faca, procurando não encostar-lhe a mão. Tem-se, dessa forma, polpa e sementes juntas, prontas para serem degustadas.

A colheita concentra-se entre dezembro e março, mas, de acordo com Ivo Manica, se o solo for fértil e houver boa disponibilidade de água, a planta pode gerar uma segunda frutificação também em meses de inverno. Sabe-se que está em uma boa época para colhê-la observando-se as flores que nascem sobre elas, que podem ser amarelas, vermelhas, laranjas ou brancas, com uma boa variação de tons. A cor das pétalas corresponde quase exatamente à cor da polpa.

No Brasil, em diversos lugares o figo-da-índia é confundido com o fruto da palma, planta da mesma família e gênero (Opuntia), que recebe esse nome por ter forma de palmatória.

Este é, de fato, muito parecido com o figo-da-índia, embora seja menos suculento e saboroso. Pode-se diferenciar as duas plantas, no entanto, pelo tamanho que alcançam. A palma é um arbusto cactáceo mais rasteiro, geralmente alcançando pouco mais de 1 metro de altura. Já a figueira-da-índia pode chegar a 6 metros de altura, exigindo técnicas mais apuradas na colheita dos frutos.

No Nordeste, as Cactáceas são cultivadas em grandes quantidades, principalmente em zonas semi-áridas, sobretudo em Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Bahia. A palma, por exemplo, é utilizada como planta forrageira na alimentação da criação ou como saboroso acompanhamento na culinária sertaneja, em um refogado conhecido como “cortado de palma”.

Já o figo-da-índia é justamente mais valorizado no Sudeste, onde é aproveitado como fruta alimentícia, sendo cultivado comercialmente na região de Valinhos. Ainda assim, é encontrado com certa dificuldade em feiras e supermercados, e apenas na época da colheita.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas

Fruta – Aroeira-vermelha

Nome da fruta: Aroeira-vermelha

Nome científico: Schinus terebinthifolius Raddi

Família botânica: Anacardiaceae

Categoria:

Origem: Brasil

Características da planta: Árvore de até 10 metros de altura, tronco com casca espessa e copa densa. Folhas compostas, formada de folíolos com bordas serreadas. Flores pequenas, reunidas em inflorescência do tipo cacho, de coloração amarelo-clara, aromáticas e melíferas.

Fruto: Tipo baga, arredondado, de coloração vermelha brilhante, reunidos em cachos pendentes. Polpa comestível, avermelhada envolvendo a semente pequena e arredondada que é utilizada como especiaria.

Frutificação: Verão e inverno

Propagação: Semente

As aroeiras, árvores de porte médio, são bastante ornamentais, ocorrendo em grande parte do território nacional desde Pernambuco até o Rio Grande do Sul. Por aqui, são muitas e variadas as plantas que levam o nome de aroeiras. Pelos nomes populares através dos quais são conhecidas percebe-se a dimensão de sua dispersão país afora.

Elas estão nas praias, nos sertões, nas matas, nas capoeiras e nos campos; nos cerrados de Goiás, nas áreas florestais da Amazônia e nos pampas rio-grandenses; podem ser de tipo rasteira, mole, mansa ou brava; e ter cor preta, branca ou vermelha.

A aroeira-vermelha, especificamente, é nativa do Brasil. Seu fruto, pequeno e de cor vermelha bem forte e brilhante, é muito procurado pela avifauna. Quando frutifica torna-se muito atraente, pois toda a árvore se recobre de cachos de frutos posicionados nas extremidades dos ramos. Bastante ornamental, a aroeira tem sido usada na arborização urbana, em praças, vilas e cidades que vão desde Trancoso, na Bahia, até Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Em muitos lugares acredita-se que o óleo essencial contido na planta e em seus frutos tenha propriedades venenosas. Porém, o que ocorre, de fato, é uma reação alérgica provocada em indivíduos mais sensíveis que, no entanto, não causa maiores danos. Por esse motivo, a aroeira-vermelha é conhecida em algumas localidades como falsa pimenta ou aroeira-mansa.

A pequena semente do fruto da aroeira-vermelha, redondinha e lustrosa, inscreve-se entre as muitas especiarias existentes, que podem ser utilizadas essencialmente para acrescentar sabor e refinamento aos pratos da culinária universal.

A aroeira-vermelha é especialmente apropriada para a confecção de molhos que acompanham carnes brancas, aves e peixes, por não abafar o seu sabor. Introduzida na cozinha européia, com o nome de “poivre rose” (pimenta rosa em francês), ela acrescentou um gostinho tropical à “nouvelle cuisine”.

Sabor suave, perfumado e levemente apimentado, bem como a bonita aparência, de uso decorativo, permite o seu emprego em variadas preparações, em grãos inteiros ou moídos.

Aroeira-mole

Nome científico: Aschinus molle L.

Origem: Brasil

Típica do sul do Brasil, pode ser encontrada também na Argentina. A aroeira-mole possui frutos muito semelhantes aos da aroeira-vermelha, sendo o aproveitamento culinário de ambas equivalente. Os pequenos frutos são, no entanto, de coloração mais clara, variando entre o amarelo e o alaranjado. Característica típica dessa planta é o fato de suas folhas e flores crescerem para baixo e não na horizontal ou na vertical, à semelhança das árvores conhecidas popularmente como chorões.