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A história da uva

Nome da fruta – Uva

Nome científico – Vitis vinifera L.

Família botânica – Vitaceae

Categoria –

Origem – Europa e Oriente Médio

Características da videira – Trepadeira de caule espesso e resistente, verde quando jovem, tornando-se escuro posteriormente. Folhas grandes divididas em cinco lobos com uma leve pilosidade esbranquiçada em sua superfície. Flores pequenas de coloração creme-esverdeada.

Fruto da videira – A uva é um fruto tipo baga, oval ou arredondado, podendo ser branco, verde, amarelo, vermelho ou azulado de acordo com a variedade. Polpa aquosa, adocicada, que pode envolver quatro sementes de coloração escura.

Frutificação da videira – Geralmente no verão e três safras anuais nas regiões irrigadas do Nordeste brasileiro.

Propagação da videira – Alporque e enxertia.

A videira é uma das plantas frutíferas mais antigas do planeta, encontrando-se vestígios de sua existência em fósseis de épocas geológicas anteriores ao aparecimento do Homo sapiens na Terra.

Apesar de ser conhecida há tanto tempo, a uva só pôde passar a ser cultivada no seio das comunidades que abandonaram o nomadismo, pois trata-se de cultura permanente e de longa duração: alguns vinhedos chegam a produzir por 150 anos.

Ao se fixar na terra, pouco a pouco, de geração em geração, de cultura em cultura, a humanidade foi aprimorando as técnicas de cultivo e processamento da fruta. Pode-se dizer, até, mesmo, que a história da parreira e seus saborosos frutos – as uvas – resume parte da história da civilização ocidental.

No início, a cultura da uva teve um caráter doméstico, expandindo-se do ponto de vista comercial apenas com o desenvolvimento da arte da navegação através do mar Mediterrâneo. Acredita-se que as uvas se originaram na Ásia, sendo introduzidas na Europa através da Península Itálica pelos povos gregos. A sua pátria é, portanto, o Oriente.

A videira

Segundo conta Pio Corrêa, foi por volta do ano 600 a.C que a humanidade aprendeu a podar a videira com o objetivo de obter uma abundante e saborosa carga de frutos, um salto definitivo na melhoria das técnicas de produção da fruta. Diz a lenda que foi uma asno quem, pela primeira vez, experimentou o poder da poda ao comer os ramos e as folhas verdes de uma videira, tornando esse conhecimento possível às próprias comunidades humanas.

Vinho de uva

Fruta delicada, difícil de ser transportada e conservada, exigente de cuidados contínuos: bem cedo os humanos aprenderam a aproveitar os valores e  as delícias embriagantes da uva de outras formas. Por carregar altas concentrações de açucares, o processo de fermentação das uvas gera uma bebida excepcional, de teores alcoólicos variáveis, que se tornou o mais conhecido, consumido e importante entre todos os vinhos de frutas existentes. Sem dúvida, o vinho de uva constitui-se, de fato, desde tempos muito antigos, num produto de enorme significado social e econômico para a maioria das civilizações ocidentais.

Foram os romanos, por sua vez, que transformaram a viticultura em uma atividade lucrativa, enchendo as paisagens mediterrâneas de videiras. As uvas de então, e ainda por vários séculos depois, destinavam-se basicamente à produção de vinho.

Por sua importância na vida humana e pela antiguidade do seu aproveitamento, a videira é planta cheia de significados místico-religiosos. Praticamente todas as civilizações antigas tinham um deus específico para proteger a viticultura: entre os gregos era Dionísio; entre os egípcios, Osíris; e entre os romanos, Baco.

Conta a Bíblia que, na época do dilúvio, os conterrâneos de Noé já plantavam a videira e abusavam do vinho. Nos evangelhos cristãos, a uva é símbolo da sabedoria e, no ritual do sacrifício da missa, o vinho simboliza o sangue de Cristo. Segundo Pio Corrêa, “a videira simboliza a vida humana e o vinho é considerado um dom divino”.

Quanto ao seu emprego, as uvas são divididas, basicamente, em dois grandes grupos: as uvas de mesa e as uvas para vinho, sucos e outros fins industriais.

Desde a Antiguidade até os nossos dias, a maior parte da produção das videiras permanece destinada à industrialização do vinho. Calcula-se que cerca de 80% da produção anual no planeta é transformada em vinho ou em outras bebidas alcoólicas, como “brandy”, conhaque, “armagnac” e “xerez”; cerca de 5% são secos e transformados em uvas passas; e 10% são consumidos ao natural, como sobremesa e por puro prazer.

No Brasil, as uvas chegaram com os primeiros colonizadores portugueses. Por muito tempo, predominou por aqui a ideia de que a rusticidade e as condições ambientais locais jamais permitiriam a cultura da videira, que, em virtude da delicadeza natural da planta, só poderia se desenvolver em climas europeus.

Hoje, no entanto, a viticultura constitui em uma grande fonte de riqueza para o país: de acordo com dados do IBGE, em 2002 o Brasil possuía mais de 65 mil ha ocupados com vinhedos e parreiras comerciais, resultando em uma produção de quase 1,2 milhões de toneladas de uvas; e, segundo dados da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), em 2003, o Brasil produziu cerca de 200 milhões de litros de vinho de uvas.

Os vinhedos começaram a ser cultivados a partir do começo do século 20, por migrantes – especialmente alemães e italianos – que se instalaram nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Muitas cidades foram criadas, muitas parreiras plantadas, modificando, definitivamente, as paisagens serranas e frias do Rio Grande do Sul. Ali se destacam os municípios de Flores da Cunha, Bento Gonçalves, Garibaldi, Santana do Livramento e Caxias do Sul como grandes produtores de uvas e de vinhos de qualidade.

Atualmente, além do Rio Grande do Sul, responsável por cerca da metade da produção nacional de uvas, os estados de São Paulo (especialmente os municípios de São Miguel Arcanjo, Pilar do Sul, Porto Feliz, Vinhedo e Jales), Paraná (Marialva, Açaí, Uraí, Bandeirantes e Rosário do Ivaí), Santa Catarina e o norte de Minas Gerais também produzem boas uvas em grandes quantidades.

Variedades de uvas

Há cerca de 10 mil variedades diferentes de uvas, adaptadas a vários tipos de solos e de clima, o que possibilita o seu cultivo em quase todas as regiões do mundo. Sendo frutas bastante sensíveis às condições de solo e clima em que se desenvolvem, as uvas variam muito de acordo com essas condições, apresentando características que as distinguem segundo o sabor, a acidez, a doçura, o formato, a coloração e a resistência da casca, o tamanho, a quantidade de sementes, a forma e o formato dos cachos.

Uvas especiais de mesa

Ao contrário dos parreirais instalados no Sul do Brasil, além das tradicionais uvas destinadas à produção de vinho, nas regiões irrigadas do Vale do São Francisco, em especial nos municípios de Juazeiro do Norte (BA) e Petrolina (PE), destacam-se as variedades de uvas especiais de mesa, sem semente. São, por exemplo, a Black Seedless (escura), a Crimson (avermelhada) e a Festival Seedless (branca). A maior parte da produção local destina-se à exportação, voltada principalmente para os países europeus.

Nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, pelo volume produzido, destaca-se a produção das seguintes variedades de uvas: Alicante, Schiraz, Ancelata, Ruby Cabernet e Petite Syrah, próprias para a produção de vinhos e sucos; Red Globe, Itália, Niagara Branca e Niagara Rosa (todas com sementes), para o consumo ao natural. Essas últimas são, talvez, as mais conhecidas e tradicionais uvas de mesa brasileiras, sendo produzidas em grandes quantidades nos municípios de Jundiaí e Louveira, em São Paulo.

A partir da década de 1970, o Brasil viveu uma grande transformação na produção de uvas, que se processou quando grandes grupos nacionais e internacionais, através de incentivos governamentais, passaram a investir no desenvolvimento e na instalação de modernos projetos de irrigação em alguns trechos do vale fértil, quente e seco do rio São Francisco.

Inúmeras agroindústrias produtoras de sucos, vinhos e doces que precisam de frutas como matéria-prima foram atraídas para a região do Vale do São Francisco, ampliando ainda mais a oferta de trabalho e alterando profundamente as condições socioeconômicas das populações locais habituadas, há séculos, às dificuldades da seca.

Em poucos anos, as terras nativas do umbu e do mandacaru começaram a produzir frutas de todo tipo, em grande abundância: abacaxi, mamão, abacate, figo, goiaba, maracujá, melão, melancia, carambola, manga, limão, laranja e, é claro, uva.

O potencial agrícola e vinícola dessa região já era, há muito tempo, estimado pelos técnicos, como ressalta o próprio Pio Corrêa ainda no início da década de 1930. A altitude, os excelentes solos cultiváveis, as temperaturas médias anuais sempre altas e a escassez de chuvas e de geadas são condições perfeitas para a produção de frutas saudáveis e sempre doces.

Atravessando terras pertencentes a cinco estados das regiões Nordeste e Sudeste do Brasil (Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Bahia e Minas Gerais), o Vale do São Francisco compõe, atualmente, o maior pomar produtor de frutas do país, destinadas não apenas ao mercado interno, em constante crescimento. Hoje, graças à sua capacidade de produzir frutas de qualidade e doçura excepcionais, apropriadas para o exigente mercado internacional, o Vale tornou-se o principal polo exportador de frutas do país.

Apenas como exemplo, em 2002 a região foi responsável por cerca de 95% de toda a uva exportada pelo Brasil, começando a destacar-se, também, pela qualidade e volume do vinho produzido.

Fonte: Livro Frutas Brasil Frutas